Domingo, 2 de Novembro de 2008

Cosmic Inflation: taking the magic off

 

 

Porque é que o Jorge disse que o Desvanecimento não precisa da hipótese da Inflação? Ora... não está mesmo a ver-se?” Um sorrizinho desponta na cara do Mário. A Luísa sente-se provocada, o gesto fica impaciente:

 

Deixa-te de coisas e diz lá.”

 

Não falou o Jorge no «tempo escondido»? Isto de a unidade de tempo Atómica crescer para o passado faz com que seja quase instantâneo, no referencial Atómico, aquilo que num referencial Invariante pode ter sido extremamente longo.”

 

Por exemplo...

 

Jorge, nesse teu gráfico da medida do tempo em A e em R, marca aí o momento em que se libertou a Radiação Cósmica de Fundo, o CMB como é conhecido.”

 

Boa ideia.” «Devia ter feito logo isso», pensei. “Bem... não posso fazer um desenho à escala porque o CMB fica tão próximo da assímptota... vou apagar as escalas, é um desenho esquemático... Ahh, tive uma ideia, vou adaptar o desenho da NASA... Pronto, está bem assim?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mário observou uns instantes. “Está óptimo! Reparem como, para um observador Atómico, o Radiação Cósmica de Fundo se segue logo ao Big Bang, aqui, no eixo vertical... e isto é esquemático, porque os dois acontecimentos são muito mais próximos.” Luísa e Ana acenam afirmativamente. “ Mas reparem agora no eixo horizontal: o momento do Big Bang pode estar indefinidamente recuado no tempo, não sabemos onde está; o tempo entre o Big Bang e o CMB pode ser indefinidamente grande, estão a ver?

 

E então?

 

«Então» Luísa?! Então não se está mesmo a ver?” novamente o sorrisinho provocante, ou talvez impaciente, “Isto significa que houve todo o tempo necessário à uniformização do Universo antes da libertação do Radiação Cósmica de Fundo, portanto, explica a uniformidade do CMB.”

 

Disseste bem, «explica»”, aproveito a deixa para insistir na velha tecla, “Os modelos do Big Bang, da Relatividade e do Ptolomeu descrevem o Universo tal como o vemos, mas apenas isso, eles não o «explicam»; o modelo de Newton ou o Desvanecimento é que «explicam». Conseguem intuir a diferença?

 

Não entendo se o silêncio que me responde é uma pausa para pensar ou sinal de confusão. Ana é a primeira a quebrá-lo:

 

Eu, para já, sinto-me fascinada com esta coisa do tempo de Referência escondido atrás do tempo Atómico... fascinante sem dúvida... percebo porque estás sempre a dizer que o Universo é subtil...”

 

Cá para mim, o que eu percebo é que o Desvanecimento parece estar certo e o Big Bang errado... Pois se o Desvanecimento dá sentido ao que não parece ter sentido nenhum no Big Bang! No mínimo, diria que o Desvanecimento, para já, está a ganhar 1 a 0 ao Big Bang.” A Luísa pisca-me discretamente o olho, é agora ela a exibir um sorrizinho, desafiador, ao Mário. Tenho de intervir, pois o Mário prepara-se para responder e só iriamos perder tempo.

 

Na verdade, Luísa, o Desvanecimento não está ainda a ganhar: o raciocínio do Mário está muito certo, poderia, em abstrato, ser assim, mas não pode ser porque o Universo não funciona dessa maneira. Isto é tudo um rematado disparate, a descrição não pode ser como a teoria do Big Bang diz e se a descrição está errada, a explicação é inútil.” O espanto da Luísa e da Ana cedem ao visível desagrado do Mário, que me surpreende, não estou eu a negar uma avassaladora vantagem do meu Desvanecimento? Quase apoplético, exclama:

 

O Universo não funciona assim? Mas tu é que decides como é que o Universo funciona!!!”. Mais calmo, insiste: “Estarás como o Einstein a afirmar que «Deus não joga aos dados» ou que «Deus é Subtil mas não Malicioso»? Não me digas que vais dizer que «Deus não Inflaciona!»” A risada a sublinhar a piada pede coro mas recebe um silêncio penoso, que se instala e transforma na folha em branco onde terei de escrever a resposta.

 

publicado por alf às 16:37
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13 comentários:
De antonio a 2 de Novembro de 2008 às 18:44
Talvez seja mais simples explicar assim: Deus criou o Universo e o tempo.

Antes do Big BAng não havia tempo, só a eternidade.
De alf a 3 de Novembro de 2008 às 22:23
António

Isso não é uma «explicação», é uma «descrição»!

É basicamente o que diz a teoria do Big Bang; o que não admira, porque a ideia inicial é do abade Lemaitre.

O Big Bang é uma ideia simples compatível com o conceito cristão do Universo, o que lhe tem garantido uma grande aceitabilidade. Uma nova versão de "A Terra no centro do Universo", agora noutro patamar.

O Jorge, se quiser que as suas ideias sejam aceites, terá de fazer como Newton: conseguir mostrar que o seu modelo é uma melhor afirmação da existência de Deus do que o modelo actual.

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