Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

O Tempo Escondido (2)

Queres espreitar o nascimento das primeiras estrelas? E há quanto tempo foi isso?” pergunto à Luisa, sempre quero ver se ela ainda se lembra das idades das estrelas. Luísa sorri-se para mim, percebeu exctamente a minha intenção:

 

Segundo os cosmólogos, a idade das estrelas mais antigas é 12,7 mil milhões de anos porque a idade do Universo é 13,7 mil milhões e tiraram mil milhões para dar tempo à formação das estrelas; segundo alguns astrónomos que estudam as estrelas, a idade do do Universo é 18 mil milhões de anos porque as estrelas mais antigas terão 17 mil milhões e o Universo tem de ser mais antigo.” E termina com um largo sorriso.

 

Isso mesmo Luísa. A idade do Universo calculada pelos cosmólogos depende do valor atribuído à constante de Hubble; no nosso caso, como disse, não estamos a usar o valor mais aceite actualmente mas um próximo do calculado por Alan Sandage, a que corresponde uma idade do Universo de 20 mil milhões de anos.”

 

Então achas que os astrónomos que dizem que as estrelas mais antigas têm 17 mil milhões de anos é que estão certos?”

 

Vamos descobrir. Nota o seguinte: essas estimativas das idades do Universo e das Estrelas são medidas em Tempo Atómico.  Quando fomos ao Futuro, vimos que podem ser bem diferentes as medidas em Tempo Atómico e em Tempo de Referencia; que acontecerá em relação ao Passado? Vamos recuar 50 mil milhões de anos no Tempo de Referência para ver o que acontece:

 

 

 


O valor «-18,3» surge na caixa do Tempo Atómico. “Ena, isso quer então dizer que a idade do Universo em Tempo de Referência é de cerca de 50 mil milhões de anos? A Idade Atómica já é quase os 20 mil milhões de anos, que disseste ser a idade do Universo no teu modelo...” a Luísa a querer entender mas sem ter a certeza do que dizia.

 

Será? O que é que me impede de recuar mais no tempo? Vou pôr agora –100 mil milhões de anos:”

 

 

 

Que acham?

 

O Tempo Atómico quase não aumentou...” exclama a Ana, pensativa, cortando o silêncio dos outros.

 

Vou dobrar novamente o Tempo de Referência:”

 

 


 

E agora?

 

Olha como o valor do Desvanecimento disparou!” Exclama a Luísa surpreendida.

 

Pois é Luísa; o valor do Desvanecimento é agora cerca de 20000, o que significa que todas as partículas são 20 000 vezes maiores do que actualmente. Um terrestre, no nosso cenário imaginado, teria entre 30 a 40 km de altura; o raio da Terra seria quase igual à distância Terra-Sol, ou seja, os planetas interiores e o sol estariam sobrepostos; mas o mais importante é notar que o Tempo de Referência já vai em 200 mil milhões de anos e o Tempo Atómico não passa dos 20. Nunca poderá passar dos 20 mil milhões de anos. Queres ver?” Increvo um número enorme no Tempo de Referência:

 

 


Então o Tempo Atómico é o mesmo?” admira-se Ana.


Avariou-se a Cápsula do Tempo!” ri-se a Luísa

 

Não, não é o mesmo, mas variou apenas uma remota casa decimal que não aparece na janela; a Lei do Desvanecimento é tal que por mais antigo que o Universo seja em unidades do Tempo de Referência, a sua antiguidade em Tempo Atómico nunca passará de 20 mil milhões de anos, ou seja, do tempo de Hubble, H0-1. Vou mostrar-vos um gráfico da relação entre Tempo de Referência e Tempo Atómico para perceberem melhor.” Abro um programa de matemática e rapidamente obtenho o gráfico pretendido:

 

 


 

Como podem ver, o Tempo Atómico tende assimptoticamente para H0-1; a Matéria poderia ter uma idade infinita medida com a nossa actual unidade de tempo mas a sua idade, medida com uma unidade de tempo atómica, que vai dobrando a intervalos regulares, nunca passará de um valor limite.”

 

Mas é infinita a idade da Matéria ou não?

 

Não Luísa, não é, já falaremos disso, por agora o importante é que percebam porque é que os cálculos sobre a idade das estrelas parecem conduzir ao mesmo valor que a idade do Universo.”

 

Hummm... porque os cálculos dos astrónomos e cosmólogos são em unidades atómicas?

 

Isso mesmo Luísa; o Big Bang, como o modelo de Ptolomeu, é um modelo das observações tal como nós as percebemos, ou seja, é um modelo de como o Universo se nos apresenta, portanto é um modelo em unidades atómicas.”

 

Ahh, estou a perceber, os primeiros milhares de milhões de anos aparecem comprimidos nos primeiros instantes do Tempo Atómico...

 

Isso mesmo Ana.”

 

Espera lá, isso está de acordo com a hipótese da Inflação...”, os olhos esbugalhados do Mário revelam a dimensão da sua surpresa.

 

Exactamente Mário, este é o verdadeiro fenómeno por detrás dessa coisa impossível que é a Inflação e que motivou a teoria da Velocidade da Luz Variável do João Magueijo, que até já tem uma série no Science Channel.”

 

Que, portanto, para ti, está errada.”

 

Todas as EXPLICAÇÕES das ciência actual estão erradas, apenas os MODELOS DA APARÊNCIA são correctos até certo ponto. É isso que a metodologia científica permite construir: modelos da aparência do Universo tal como o observamos; é isso que o Big Bang é.”

 

Inflação??? O que é isso?

 

Inflação? É a coisa aparentemente mais extraordinária e absurda que se pode conceber à luz da física actual; mas o Mário acaba de suspeitar que possa ser consequência de um fenómeno de Desvanecimento; Mário, explica lá à Luísa e à Ana o que é a Inflação.”

 

 

publicado por alf às 02:20
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12 comentários:
De alf a 14 de Outubro de 2008 às 11:47
«aquilo» foi o que acontece com todos os sistemas de «pirâmide», todas as «donas brancas» - qd o número de parvos a meter dinheiro diminui, os que já lá o puseram ficam a arder.

O pior desta história é que quem ficou a arder foram os parvos como eu que recusando-se a entrar nesses esquemas acabam por ser quem o vai pagar atraves do dinheiro dos impostos usado para cobrir a falta de «liquidez»; É como se num esquema de pirâmide, qd dá o estouro, o Estado viesse entrar no esquema para que ele possa continuar.

Será que vão mesmo mudar as regras? Estou para ver.... mas se não mudarem, vai voltar a estourar muito em breve... e depois já não vai haver Estado para entrar.

O Hubble? No fundo, o Tempo foi escondido no passado, em que o Universo esteve ocupado a construir a casa que nos iria albergar, para nos ser devolvido no Futuro... espertinho o Criador em que confia, não é?
De antonio a 14 de Outubro de 2008 às 20:38
O tempo todo concentrado num ponto, à espera de um intenso desabrochar em eternidade... afinal você dedica-se à poesia!

Deus também.

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