27 comentários:
De Diogo a 23 de Setembro de 2008 às 20:58
tempo: número de ocorrências do mesmo tipo que se justapõem sequencialmente (medimos o espaço justapondo corpos e medimos o tempo justapondo fenómenos).


Poder-se-ia dizer que a passagem de automóveis numa estrada (à nossa frente) são ocorrências do mesmo tipo. Então o tempo que medeia entre a passagem de dois carros é sempre igual?

O que é o Tempo, Alf?
De alf a 24 de Setembro de 2008 às 00:17
Não Diogo, a passagem de automoveis não são fenómenos do mesmo tipo justapostos. O termo "ocorrências" pode não ser o mais indicado por se prestar a estas interpretações, "fenómeno" é mais indicado.

Da mesma forma, a medida do espaço não se faz justapondo corpos feitos do mesmo material - isso não é importante, é que é importante é que haja uma base que permita presumir razoavelmente que os corpos ocupam a mesma quantidade de espaço. E depois a medida é feita justapondo os corpos.

A passagem dos automoveis poderia ser usada para medir o tempo se o fenómeno "passagem dos automóveis" fosse sempre o mesmo - definido pela velocidade e espaço associado a cada automovel - e fosse justaposto.

Galileu media tempos batendo palmas - procurou assim realizar uma sequência justaposta do mesmo fenómeno - cada fenómeno começava qd começava a afastar as palmas e terminava qd estas voltavam a encontrar-se.

Mas não se esqueça do que eu disse no Aditamento: o conceito de Tempo é uma percepção que o nosso cérebro controi - tal como a cor «vermelho» o é. Uma coisa é o conceito, outra é o fenómeno físico por detrás dele.

E claro que tb podemos entrar por um campo filosófico e perguntar: porque é que há de existir Tempo? Isso eu não sei. Não sei porque existe o Universo. Na verdade, nem posso afirmar que ele exista realmente.

De alf a 24 de Setembro de 2008 às 13:51
Assim como «Espaço» é a contrução mental que traduz a percepção de que os corpos não ocupam o mesmo lugar, «Tempo» é a construção mental que traduz a percepção de que existem ocorrências não simultâneas.

o conceito de «Tempo» resulta apenas disto, de ocorrências não simultâneas; na verdade, resulta de ocorrências não simultâneas na nossa cabeça, da percepção de que os pensamentos se sucedem no consciente. Quando o cérebro está muito ocupado a nível inconsciente, o consciente fica em «pausa» e dizemos que «não damos pela passagem do tempo»; ao contrário, qd são poucos os estímulos que solicitam o processamento inconsciente, o consciente está activo e parece-nos «que o tempo não passa».

Do ponto de vista Físico, medimos o «Tempo» usando sequencias repetitivas do mesmo fenómeno, ou seja, justapondo fenómenos que presumimos idênticos; tal como fazemos com a medida do «Espaço», onde justapomos corpos que presumimos iguais.

Está melhor agora? O Poincaré e o Einstein prestaram muita atenção ao conceito de Espaço, mas não me recordo do mesmo em relação ao Tempo.

Note que as nossas medidas de Espaço e Tempo, e é nelas que assenta toda a nossa Física porque isso é a única coisa que medimos (para além da contagem de ocorrências) dependem da nossa presunção da invariância da unidade de medida de Tempo ou de Espaço.

Obrigado pelo desafio. Estimulante.

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