De Diogo a 25 de Setembro de 2008 às 06:53
Alf: «Justapor corpos é encostá-los; justapor fenómenos é começar um qd acaba o outro - «encostar» os fenómenos, portanto. Fenómenos que presumimos idênticos»

Mas como posso eu saber que os fenómenos têm duração semelhante? Se não sei medir o Tempo? Se não sei o que é o Tempo?
De alf a 25 de Setembro de 2008 às 12:06
Diogo, é isso mesmo, não sabemos se os fenómenos têm a mesma duração ou, pelo menos, suficientemente semelhante. Limitamo-nos a presumir.

O Tempo de que fala é um conceito criado no cérebro. Como o de espaço tridimensional. Como o de linha recta - tente definir «linha recta» e vai ver a dificuldade. Como o de «côr», ou de «som», embora estes dois num nível mental diferente.

Entramos num campo filosófico. Dos conceitos que não podemos definir. Já o Euclides percebeu isso. Estão definidos no nosso «programa» mental.

Mas podemos lidar com a dificuldade fazendo a distinção entre o conceito que o cérebro desenvolve e os estímulos externos que o fazem gerar.

Como a relação entre «vermelho» e «frequência da luz». Quer definir o que seja «vermelho»?

Poincaré analisou como geramos o conceito de espaço tridimensional euclidiano associando movimentos musculares a informações visuais ou outras. Repare que não é por «vermos»: os óculos distorcem as imagens e, no entanto, quem os usa também percepciona um espaço euclidiano isométrico.

É isto que tem de perceber: o conceito de «Tempo» é uma construção do cérebro, é um «conceito», não é a tradução exacta de uma propriedade do universo; como «côr» ou «som» também não são.

Muitos cientistas não percebem esta diferença; por isso pensam que as teorias construidas directamente sobre os dados da observação, tal como nós os percebemos (palavras de Einstein) são objectivas. Mas não são, são subjectivas, estão construidas sobre a nossa percepção; e por isso é que depois apresentam inconsistência lógica - como o modelo de Ptolomeu, a Relatividade de Minkowsky ou o Big Bang.





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