Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

A Relatividade das Medidas

 metro padrão

barra de platínia-iridio usada como metro-padrão de 1889 a 1960

 

Bom, vamos lá a ver se eu vos conduzo de forma segura no caminho desta descoberta”, vou dizendo enquanto procuro uma linha de raciocínio sem zigue-zagues... “Mário, há pouco disseste uma coisa um pouco incorrecta; disseste que a rotação do Universo é uma ilusão produzida pela rotação da Terra; e não é bem assim.”


Não é assim?” O Mário atónito. “Que diabo queres tu dizer com isso?

 

As pessoas não são estúpidas; essa ilusão só existe porque nós não detectamos a rotação da Terra. Esse é o aspecto chave, crítico, do processo, a indetectada rotação da Terra. Como sabes, a primeira vez que se conseguiu provar experimentalmente a rotação da Terra foi com o pêndulo de Foucault, já no século XIX, mais de 3 séculos depois de Copérnico.”

 

E então? O que tem isso a ver?

 

A ilusão da expansão do espaço, tal como a da rotação do Universo, resulta de uma alteração INDETECTÁVEL do observador. Uma alteração que satisfaz o Princípio da Relatividade. Ou seja, algo se está a alterar aqui, em nós, na nossa vizinhança, mas essa alteração é tal que não pode ser detectada pelas nossas medidas locais.”


Não estou a perceber; como é que pode estar algo a variar e nós não o podermos medir? Se variar algo, necessariamente que alguma coisa será diferente!


Será, Luísa? Vejamos que medidas podemos nós fazer. Como é que medimos a Massa de um corpo? Numa balança, não é? Mas uma balança apenas compara um corpo com outro que serviu para a calibrar. Se a massa de todos os corpos se alterar da mesma maneira, as medidas de massa não se alterarão porque a relação entre a massa do corpo a medir e do corpo de referência não se altera. No fundo, a Massa de um corpo é essencialmente uma forma de quantificar o número de partículas atómicas desse corpo, ou seja, é aproximadamente proporcional ao número de protões e neutrões do corpo. Se a massa das partículas passasse para metade, isso não iria alterar o número de partículas, logo a nossa medida de “Massa” continuaria invariante.”


Então a Massa pode passar para metade e nós não damos por nada?


Damos sim Luísa, mas não é por medirmos a Massa. Se a Massa das partículas passar para metade, sem outras alterações a nível atómico, vai acontecer que a aceleração da gravidade, ou o peso dos corpos, vai passar para metade; e isso nós vamos medir!


Ah, então detectamos que a Massa diminuiu para metade!


Não, Luísa, as nossas medidas de Massa, porque são feitas por comparação, não se alteram; logo, concluiremos que a Massa não se alterou. Depois mediremos o raio da Terra e também concluiremos que não se alterou; então, concluiremos que a Constante Gravitacional diminuiu para metade porque as nossas medidas dos outros elementos da Lei da Atracção Gravitacional, a massa e o raio da Terra, permanecem invariantes.”


Ou seja, se a Massa se alterasse, o que nós concluiríamos é que a Constante Gravitacional se tinha alterado... essa é boa!


Pois é, Luísa, acabaste de descobrir uma condição que a variação da matéria tem de cumprir para que não a detectemos: tem de ser tal que a medida da Constante Gravitacional seja invariante!”


Como é isso? Não acabaste de dizer que a variação da Massa implicava a variação da constante?


Se só a Massa variar implica; mas, e se variarem mais grandezas ao mesmo tempo? Se também variar o tamanho dos corpos? Será que existe uma forma de variar em simultâneo várias grandezas que conduza a uma medida da Constante Gravitacional invariante?”


Mas o tamanho dos corpos não pode variar, nós veríamos isso!


Não Luísa; se variar o tamanho dos átomos, tudo varia na mesma escala, os tamanhos relativos não se alteram; as medidas feitas com o metro padrão darão exactamente os mesmos resultados porque a variação do metro é a mesma da variação dos corpos. E tanto faz que a unidade de medida seja o metro padrão de França ou o comprimento de onda de uma certa radiação, porque ambas são proporcionais ao raio atómico.”


Então é como a Massa?


Exactamente Luísa. Não sabemos fazer medidas absolutas nem de Massa, nem de Comprimento, nem de Carga Eléctrica nem de Tempo! As medidas que fazemos destas grandezas são meras comparações com valores padrão da mesma natureza, que variam da mesma maneira que o que queremos medir. «Medir» é comparar com algo da mesma natureza que se toma como «unidade».


De Tempo também não?


É a mesma coisa das outras grandezas; medimos o Tempo por comparação com o tempo que demora um qualquer fenómeno dependente do átomo; se o átomo ficar mais pequeno e os fenómenos ao nível do átomo mais rápidos por as distâncias serem menores, o mesmo acontecerá com todos os fenómenos à escala dos corpos.”


O mesmo acontece com o tamanho dos seres vivos... o coração dos pássaros bate muito mais depressa que o nosso! É mais pequeno, logo tem uma unidade de tempo mais pequena.” Luísa ri-se, algo embaraçada, deve estar a pensar se disse coisa acertada ou grande disparate.


Olha que não deixas de ter razão, a «unidade de tempo» dum ser vivo é aproximadamente proporcional ao seu tamanho para muitos seres com o mesmo tipo de metabolismo; se medíssemos a duração da vida das diferentes espécies pelo bater do coração, em vez de medirmos em anos, obteríamos durações de vida mais semelhantes: um pardal terá uma percepção da duração da sua vida semelhante à do elefante, porque nele tudo se passa mais depressa, embora viva muito menos anos. E, já agora, a nossa unidade de tempo, o «segundo», é mais ou menos a pulsação cardíaca de um homem... aliás, antes dos relógios usava-se a pulsação cardíaca para medir tempo curtos, era o cronómetro da altura.”


Em resumo, não fazemos medidas absolutas das grandezas fundamentais, Massa, Carga, Comprimento e Tempo; a única forma de sabermos localmente que algo variou é detetando a variação de alguma Constante Fundamental; mas se as grandezas fundamentais variarem de tal modo que as nossas medidas das constantes fundamentais permaneçam invariantes, não detectaremos essa variação localmente, essa possibilidade parecer-nos-à tão impossível e absurda como aos contemporâneos de Galileu pareceu a rotação da Terra.


Exactamente Mário, é isso mesmo!”


Bem, agora estou curioso em ver como podem as grandezas fundamentais variar sem que varie a determinação de uma única constante fundamental.


Mas é fácil, Mário, eu não te disse que, tal como a geometria do Universo está inscrita no Teorema de Pitágoras, o Desvanecimento está inscrito nas Leis Físicas?

 

publicado por alf às 19:08
link do post | comentar | favorito
27 comentários:
De alf a 10 de Junho de 2008 às 19:05
Curioso

Nós podemos intuir o Desvanecimento, por exemplo, a partir do facto de o Universo parecer estar a expandir uniforme e isotropicamente. Tal como podemos intuir a rotação da Terra a partir da aparente rotação uniforme e isotrópica do Universo.

Mas depois verificamos que nas nossas medidas locais não detectamos alteração nenhuma. Tal como não detectamos consequências da rotação da Terra (hoje já sabemos detectar alguma coisa)

Então temos de ir à procura de uma forma de algo estar a acontecer connosco mas tal que não possa ser detectado pelas nossas experiências.

E é assim que construímos a teoria do Desvanecimento.

Dessa teoria resulta um conjunto de consequências observáveis em experiências não locais. Por exemplo, o alargamento das órbitas planetárias.

Verifica-se que o alargamento da órbita Lunar tem exactamente o valor previsto pelo Desvanecimento.

Quando se analisa a Terra, verifica-se que o alargamento da órbita terrestre, que não podemos medir actualmente, pois não existem ainda os meios a tal necessários, explica os registos da temperatura terrestre quente no passado, que estão em contradição com o que a Física actual prevê - porque a energia radiada pelo Sol deve aumentar ao longo do tempo, logo o Sol era mais «frio» no passado e a Terra teria de ser mais «fria»

A compreensão do passado quente da Terra tem consequências avassaladoras na compreensão da origem e evolução da Vida.

O Desvanecimento é na realidade, facílimo de provar: ele prevê exactamente o que observamos no «céu»: as carateristicas da radiação das fontes distantes, as relações entre desvio espectral e magnitude, tamanho angular, número, as idades aparentes, a estrutura em larga escala, as velocidades das galáxias, os quasares. E até coisas muito mais surpreendentes.

Mas arranjar uma massa não sujeita ao desvanecimento é que não é possível, só numa experiência imaginária.

A questão que vamos agora enfrentar é: como pode a matéria variar de tal forma que as nossas medidas locais não o possam detectar?

Portanto, o amigo Curioso está a perceber bastante bem o assunto; eu repeti aqui os tópicos apenas para evitar ligeirissimos eventuais desvios no seu raciocínio.

Um abraço
De Rebelo Fernandes a 21 de Julho de 2009 às 11:54
Concordo que a Terra se afasta do Sol assim como a Lua se afasta da Terra.
Este fenómeno só é possível com o aumento da "constante gravítica".
No respeito da lei da inércia, a velocidade de deslocamento das massas universais é constante.
Como é constante desloca-se sempre dentro do mesmo potencial. Como aumento da variável gravítica o mesmo potencial vai acontecer a maior distância. Daí o afastamento dos centros de massa.
Num universo homogéneo em expansão, o universo local cresce na proporção dessa expansão. Só é possível acontecer com o aumento da variável gravítica.
A "constante" gravítica é a parte permitida pelo potencial universal à radiação pura local, MC^2...............
Para melhor entenderem o que quero dizer, convido a uma visita a:
http://rebelofernandes.com
Um abraço.

Rebelo Fernandes
De alf a 21 de Julho de 2009 às 15:06
Obrigado pela sua visita

Neste caso, o interessante é que o afastamento dos planetas se faz sem variação da constante gravitacional!!

Aqui, todas as constantes permanecem constantes, todas as medidas das propriedades fundamentais feitas por um observador atómico (nós) são invariantes e, no entanto, os planetas afastam-se!!!

A sua página tem uma excelente apresentação; a sua linha de raciocínio é, no entanto, bem diferente da minha.

A constância da medida da velocidade da luz para Einstein, e para mim, não resulta da velocidade da luz ser «constante» mas do processo de medida. O que o Eisntein diz é que se medirmos as distâncias com com um corpo rígido, ou seja, com uma unidade de comprimento atómica, podemos sincronizar relógios de uma determinada maneira da qual resulta uma medida invariante da velocidade da luz.

Esse «mistério» é consequência do comprimento dos corpos não ser invariante, mas estar sujeito à contracção de Lorentz-Fitzgerald. E a outras coisas. Só que ninguém pôs de pé uma teoria completa sobre este assunto
De rebelo fernandes a 21 de Julho de 2009 às 17:50
Olá e obrigado pelo comentário.

O problema é que o método proposto por Einstein para a curvatura do espaço, tem duas soluções.
Ou o espaço curva e lógico que tem que curvar de acordo com a curvatura do tempo, ou o espaço não curva e são as velocidades que curvam inversamente à curvatura do tempo.
Pode ver a demonstração no 1º artigo do meu site. (tem que ver o PDF em novas teorias)
Einstein optou pela curvatura do espaço sem ter condições para o fazer.
Houve então que criar novos métodos para deduzir a relatividade.
O método escolhido foi o da proporcionalidade entre energia e frequência na perspectiva da mecânica quântica e da energia relativista MC^2.
Conclui-se que o espaço não curva
Escolheu-se um novo método para deduzir a relatividade, agora através do potencial gravítico universal.
Conclui-se que o espaço não curva e a existência de uma relatividade mais global e abrangente.
Aparece a relação entre tempo e variável gravítica.
[Error: Irreparable invalid markup ('<br [...] <a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

Olá e obrigado pelo comentário. <BR><BR>O problema é que o método proposto por Einstein para a curvatura do espaço, tem duas soluções. <BR>Ou o espaço curva e lógico que tem que curvar de acordo com a curvatura do tempo, ou o espaço não curva e são as velocidades que curvam inversamente à curvatura do tempo. <BR>Pode ver a demonstração no 1º artigo do meu site. (tem que ver o PDF em novas teorias) <BR>Einstein optou pela curvatura do espaço sem ter condições para o fazer. <BR>Houve então que criar novos métodos para deduzir a relatividade. <BR>O método escolhido foi o da proporcionalidade entre energia e frequência na perspectiva da mecânica quântica e da energia relativista MC^2. <BR>Conclui-se que o espaço não curva <BR>Escolheu-se um novo método para deduzir a relatividade, agora através do potencial gravítico universal. <BR>Conclui-se que o espaço não curva e a existência de uma relatividade mais global e abrangente. <BR>Aparece a relação entre tempo e variável gravítica. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>tv</A> /to = ( Gv/Go)^0.5. <BR>Einstein estava errado ao considerar a curvatura do espaço. <BR>O problema está aí o que arrasta Lorentz. <BR>Leia mesmo o artigo, garanto valer a pena. <BR>Já enviei o artigo para publicação. <BR>Um grande abraço às mentes inquietas. <BR><BR>Só para dar uma ajuda na procura do que indiquei. <BR><BR><BR><BR>Clique nos items por baixo para últimas publicações <BR>Um novo Universo I. O refazer da teoria da relatividade. A não curvatura do espaço. <BR>Um novo Universo II. Nova lei de gravitação universal. A variável gravítica. <BR>Um novo Universo III. A nova permeabilidade magnética vácuo. <BR>Um novo Universo IV.A curvatura do tempo sob a acção de um campo gravitacional. <BR>Um novo Universo V. 1- Hierarquia dos campos gravíticos Universais. A criação da unidade de tempo e de massa em cada campo. 2- Relação entre a velocidade, o raio atómico e a energia da matéria. 3- Relação entre potencial puro de massa universal, o raio atómico e a energia da matéria. 4- A dimensão do Universo. A sua idade e raio. 5- O novo efeito Doppler relativista. 6- A aparente aceleração da expansão do Universo. 7- Plataformas rotacionais. Transmissão de sinais electromagnéticos. . <BR>Um novo Universo VI. A nova variavel gravitica. O impacto na visão do universo. <BR>Um novo Universo VII. Impacto da nova permeabilidade magnética do vácuo na análise do cosmos. <BR>Um forte abraço. <BR><BR>Rebelo Fernandes <BR><BR>

Comentar post

.ATENÇÃO: Este blogue é um olhar para além das fronteiras do Conhecimento actual. Não usar estas ideias em exames de Física do Liceu ou da Universidade.

.pesquisar

 

.posts recentes

. paciência, muita paciênci...

. Listem

. A Self-similar model of t...

. Generalizando o Princípio...

. Generalizando o Princípio...

. O Voo do Pombo Correio

. A Relativistic Theory of ...

. Como modelar uma nova teo...

. A Relativistic Theory of ...

. Abstract

.arquivos

. Março 2012

. Julho 2011

. Março 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds