De Curioso a 11 de Novembro de 2009 às 14:04
Olá a todos...

Parece que entrámos na relatividade...
Tenho uma dúdiva relacionada com este assunto... dos corpos rígidos... parece que segundo a relatividade especial de Einstein os corpos contraiem-se na direcção do movimento quando se aproximam da velocidade da luz (eu sei que a expressão que define esta contração está bem definida: L=Lo(1-v^2/c^2)^(1/2)). A minha questão é: Se uma pessoa se mover próximo da velocidade da luz, no seu referencial, ela pode medir a alteração no seu comprimento, ou seja, sentir os efeitos da contração (sentir o corpo a ficar mais pequeno) ou não?
Penso que a resposta será não mas já li em muitos lados que nós não nos podemos mover a velocidades muito próximas da luz devido a esse efeito pois seriamos esmagados (contraídos).
O que eu acho é que assim que nos sentíssemos a encolher saberíamos que nos estávamos a mover (sem olhar para um referencial exterior) o que contraria o princípio da relatividade.

Curioso.
De alf a 11 de Novembro de 2009 às 18:27
Olá Curioso, seja bem regressado!

Vejamos o problema devagarinho.

Sobre a luz sabemos duas coisas:

1 - a sua velocidade num sentido, i.e., entre um ponto A e um ponto B, é independente da velocidade da fonte. Isto quer dizer que a velocidade da luz pode ser relativa a um meio que suporte a sua propagação, ou à distribuição média da matéria no universo, ou outra coisa cqualquer que desconheçamos, mas não é «balística» - a velocidade de uma bala soma-se à da pistola que a disparou, a da luz é independente.

2 - só sabemos medir a velocidade da luz num percurso fechado, A-B-A; e verifica-se que esta velocidade média em percurso fechado é constante!

Ora isto é inesperado, pois se a velocidade da luz é independente da velocidade da Terra e será relativa a uma coisa qualquer em relação à qual a Terra certamente se move, a velocidade média num percurso de ida e volta devia depender da direcção do percurso.

Uma forma de entender isto é considerar que a dimensão dos corpos, portanto, da unidade de medida, se altera com a velocidade, sendo menor na direcção da velocidade em relação a essa referencia desconhecida da velocidade da luz.

Mas essa alteração de dimensões é indectável localmente. Nenhuma experiência local nos permite determinar um valor para a nossa velocidade, para o campo em que estamos inseridos, para a posição que ocupamos no espaço e no tempo. É nisto que consiste essa enigmática propriedade da Relatividade.

Assim, tudo se passa como se estivessemos num «centro do Universo», em relação ao qual a velocidade da luz num sentido é constante.

Lorentz tentou modelar o Universo considerando a variação de comprimentos com a velocidade; Einstein usou a propriedade da relatividade para construir o seu modelo - basta interpretar os dados como se estivessemos no «centro do universo», qualquer que seja a nossa situação. Ambos chegaram praticamente aos mesmos resultados, o Lorentz um ano antes, só que a análise do Lorentz é menos linear do que a do Einstein porque para fazer o seu modelo com todo o rigor que a matemática permite ele precisaria de dispor de uma geometria assente numa unidade de medida variável; o que não existe. O Einstein não precisou dela porque modelou os dados tal como os observamos.

Este problema da falta de um instrumento matemático não é novo. Newton teve de inventar o cálculo infinitesimal para fazer a teoria da gravitação e o próprio Einstein teve de recorrer à recém criada geometria de Riemann para poder fazer a sua Relatividade Generalizada.

....

Neste artigo do «Jorge» não se vai apresentar nenhuma análise alternativa à de Einstein, não vamos analisar o mesmo que ele analisou, vamos olhar para outro lado, vamos começar pelo problema da escala. Só numa outra fase poderei continuar pelos campos que o Einstein já pisou, depois de demontrada a validade do que agora se apresenta.

.....

A nível da Introdução estas questões podem parecer um pouco confusas, mas depois o texto será tão simples e «terra-a-terra» quanto possível. Perante uma análise nova, o maior cientista do mundo sente as mesmas dificuldades de qualquer amador e um texto que não seja compreendido por um não é compreendido pelo outro.

O meu texto só estará pronto para ser submetido a publicação quando uma pessoa interessada mas não especialista o puder compreender. Esse é o meu objectivo e dificilmente o conseguirei atingir sem a colaboração dos comentadores deste blogue.

Por isso, não hesite em pôr questões. São uma grande ajuda.

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