Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Não é «Energia Negra», é «Horizonte»!

 

Enquanto o Mário se prepara para mostrar o que se sabe da macroestrutura do Universo, (coitado, com a cabeça a pensar nas compras de Natal não sei como ele vai conseguir concentrar-se...) venho chamar a atenção para um aspecto que não foi devidamente salientado no post anterior – que o que nele se diz elimina a «Energia Negra».
 
Donde nasce a ideia da Energia Negra? Nasce do mesmo raciocínio que o Aristóteles fez mas esquecendo que agora sabemos que a matéria não existe desde sempre e que o campo gravítico se propaga à velocidade da luz.
 
Esse raciocínio é o seguinte: se a matéria atrai matéria, então os corpos tendem a convergir uns para os outros, a Matéria tende a colapsar.
 
Para o Aristóteles, desconhecedor da Lei da Inércia, esse raciocínio conduziu à conclusão de que a Matéria, existindo desde sempre, teria de estar toda no mesmo ponto do Universo, formando uma esfera – e essa esfera onde se juntou toda a matéria do Universo teria de ser a Terra.
 
Esta ideia do colapso da Matéria está implícita nas equações dos modelos do Big Bang, a consequência sendo a de que a velocidade de expansão do espaço deveria diminuir ao longo do tempo – a Matéria iria «travando» a expansão, não é? Pois se a matéria atrai matéria...
 
(Embora as equações dos modelos pareçam ser o fruto de raciocínios independentes de quaisquer presunções, a verdade é que não são. A equações nem «têm vida própria» nem «sabem mais do que nós»; elas estão ao serviço de um modelo e este reflecte sempre, no essencial, as nossas presunções. Há inúmeras presunções não declaradas em qualquer modelo; presunções que se assumiram como inquestionavelmente válidas mas que dados posteriores mostram não o ser e aqui reside a maior dificuldade ao avanço do Conhecimento: como são não-declaradas, não são questionadas pelos novos dados e permanecem a poluir os modelos. É o caso vertente.)
 
Como as observações provaram que a aparente velocidade de expansão não abranda, a conclusão foi a de que teria de existir algo que contrariasse a acção do campo gravítico – e eis que nasce a famigerada «Energia Negra»! Uma energia de repulsão que compensaria exactamente a acção da gravidade em grande escala mas misteriosamente ineficiente à escala sub-galáctica.
 
Parece certo, não parece? Mas não está!
 
Como vimos, se tivermos uma esfera uniforme e isotrópica de matéria, o campo no seu centro é nulo porque uma partícula no centro é atraída em todas as direcções igualmente.
 
Vejamos de novo a figura do post anterior:
 
 
 
 
A partícula azul no centro da circunferência azul podemos ser nós (não se diz que a Terra é o «planeta azul»?); a circunferência azul é o nosso horizonte, a zona do Universo cuja influência podemos sentir e que podemos observar nesta altura. Estamos, para efeitos gravíticos, no centro de uma esfera onde a matéria se distribui uniformemente em escala grande; portanto, não sofremos nenhuma acção geral de contração da matéria ou do espaço (mas sofremos os efeitos das anisotropias locais, como é evidente).
 
Nem nós nem nenhum ponto que nós observemos. Porque a luz que nos chega de qualquer deles refere-se a um tempo em que eles se encontravam no centro gravítico de uma esfera mais pequena, tangente à esfera azul. Desenhei a laranja um caso desses.
 
Portanto, não deveríamos ver nenhuma tendência para colapsar. A aparente velocidade de expansão não tem nada que diminuir com o tempo. A invenção da «Energia Negra» é um erro, mesmo no modelo do Big Bang.
 
O leitor mais atento poderá notar que isto é assim enquanto o nosso horizonte for interior à distribuição de matéria; mas se admitirmos que esta não é infinita, chegará uma altura em que (a não ser que a matéria se desvaneça antes disso) o nosso horizonte ultrapassará o limite da distribuição da matéria. Nessa altura deixaremos de estar (graviticamente) no centro de uma esfera isotrópica de matéria e o raciocínio anterior já não se mantém.
 
E tem toda a razão.
 
Mas saberemos quando chegar essa altura porque então deixaremos de receber o CMB da zona da distribuição de matéria que o nosso horizonte ultrapassou. Como isso não acontece actualmente, temos de concluir que o nosso horizonte é interior à distribuição de matéria.
 
 
 
 
 
Representação esquemática do nosso horizonte. A base representa o momento da libertação do CMB, o eixo vertical é o eixo dos tempos, o topo é a secção da distribuição da Matéria no momento presente (figura da esquerda) e num momento futuro (direita). O cone azul é a representação da evolução no tempo da esfera de matéria que nos influencia. No figura da esquerda a superfície limite dessa esfera (elipse da base do cone azul) está toda contida na distribuição inicial de matéria - é a situação actual. Na figura da direita, a esfera definida pelo horizonte de um observador no futuro ultrapassa a distribuição inicial da matéria - esse observador não receberá CMB do lado onde o seu cone se extende para além da distribuição de matéria.
A distribuição de matéria vai-se contraindo ao longo do tempo porque as camadas exteriores vão colapsando; mas esse movimento é muitíssimo mais lento que o crescimento do cone da influência gravítica, que se faz à velocidade da luz
 
 
 
 
 
Em conclusão, a invenção da Energia Negra resulta de ainda ninguém ter percebido que é nulo o campo em qualquer ponto duma distribuição uniforme de matéria cujo horizonte seja interior a essa distribuição e que essa é a nossa situação, consequência de nem a idade da Matéria nem a velocidade de propagação do campo gravítico serem infinitos.
 
Aqui têm uma coisa quase trivial mas que são as primeiras pessoas a saber desde que a humanidade existe.

 

publicado por alf às 02:00
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46 comentários:
De alf a 19 de Dezembro de 2008 às 03:00
Porque é que a matéria não está toda colapsada?

Antes de Copérnico, a ideia era a de que estava mesmo, formando assim a Terra. Depois dele foi preciso enfrentar essa questão - como é que a matéria estava espalhada pelo Universo, porque é que não colapsava?

Newton disse qualquer coisa no género de que uma matéria seria atraida para um lado, outra para outro. Mas o problema continuou por resolver.

Einstein tentou resolvê-lo com um Universo espacialmente fechado, uma esfera a 4 dimensões - nesta, a matéria atrair-se-ia de tal maneira que não colapsaria. Podemos visualizar imaginando uma distribuição de partículas que se atraem confinadas à superfície de uma esfera.

Mas Einstein não foi capaz de encontrar uma boa solução para o seguinte problema: num espaço fechado, o campo gravítico propaga-se indefinidamente, dando voltas e mais voltas a este Universo fechado.

A solução que ele tentou consistiu na introdução da famosa constante cosmológica, que tem uma explicação muito simples: o campo gerado por uma partícula propaga-se até aos seus antípodas e depois propaga-se de volta em direcção à origem, surgindo então com a direcção contrária. A constante cosmológica visava representar o campo que deu a volta ao universo e se propaga agora de volta à origem.

Como tem o sentido contrário ao campo original, configura um campo repulsivo em vez de atractivo.

Em alternativa a este problemático modelo esférico a 4 dimensões do Einstein surgiu então o modelo em expansão - esta expansão afastava a matéria da matéria e explicaria porque é que ela não estava colapsada.

Mas o velho raciocínio da «matéria atrai matéria» impunha que esta velocidade de expansão diminuisse ao longo do tempo; o que não se observou!

Então, na falta de uma alternativa melhor, foram buscar a velha constante cosmológica de Einstein, desinseriram-na do contexto e puseram-na a representar uma energia de repulsão no universo aberto do Big Bang, a famosa Energia Negra. O recurso à constante cosmológica de Einstein serviu para credibilizar esta invenção completamente absurda, transformada assim num rasgo de génio premonitório do genialíssimo Einstein.

Mas afinal a explicação até é simples e é a que apresento neste post. Simples para quem está habituado a pensar nestas coisas, é claro, se fosse trivial já toda a gente tinha percebido, não é? Por isso, caro leitor, não se sinta desencorajado se não perceber à primeira, olhe que desde Newton que a humanidade anda a tentar perceber isto... e ponha as suas dúvidas que eu farei os possíveis para conseguir ser claro.
De LUIZ CARLOS DE aLMEIDA a 1 de Abril de 2009 às 00:22
CONSEQÜÊNCIA DA PERDA DE VELOCIDADE DA RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA



Energia Escura

A radiação eletromagnética pelo que foi explanado, não perde a sua energia intrínseca magnética, e sim vai perdendo velocidade (energia cinética), à medida que esta energia se propaga. Esta velocidade inicial que é a velocidade da radiação gama é dada pelas características da Energia magnética negativa Elementar e a da Energia magnética positiva Elementar e a massa nuclear, que ao se encontrarem em movimento impulsionam-se, pela força magnética forte, à velocidade da luz (ou melhor, à sua própria velocidade) e destacando-se do neutrino e do antineutrino que são os responsáveis por dar o campo de massa aos elétrons e posítron, tornando-se uma energia magneticamente neutra, pulsátil, apresentando campo magnético, pela sua constituição e campo elétrico pela velocidade cinética deste imã atômico, em movimento ondulatório elíptico.

Esta Radiação vai perdendo velocidade (energia cinética), pelas sucessivas interações com elétrons, até esta energia magnética elementar, perder toda velocidade (energia cinética).Esta energia magnética, sem velocidade é a energia escura que preenche todo o universo.

Esta Energia Escura está aumentando e com isto expandindo o Universo. Está aumentando com o passar do tempo, pois ela é produto final de todo o processo de nascimento, crescimento e morte Estrelar. É o produto de toda ordem de radiações eletromagnéticas.

Esta energia escura que é formadora do Espaço. Como ela está aumentando então o espaço também está aumentando (expansão espacial). Ela é o próprio espaço.

Esta Energia exerce força mantendo as galáxias sem se espalharem no vácuo, pois ela permeia todo o universo, permeia a eletrosfera, somente não permeia os núcleos atômicos, pois os mesmos já são constituídos desta energia escura magnética, porém como matéria (por atuação dos neutrinos e antineutrinos).

Pela sua característica, como é o espaço, ela atua em todas direções, aumentando o universo e sustentando os astros e sendo o meio de propagação das Radiações eletromagnéticas.

Luiz Carllos de Almeida luiz1611@hotmail.com
De LUZ CARLOS DE ALMEIDA a 27 de Abril de 2009 às 11:56
Autor :Luiz Carlos de Almeida-
Publicado em: abril 14, 2009

Diagrama de Feynman para a interação elétron/posítron:
"Neste diagrama de Feynman, um Elétron e um Posítron anulam-se, produzindo um fóton virtual, que se transforma num par quark-antiquark. Depois, um deles radia um Gluón. (O tempo decorre da esquerda para a direita.)"
Como os princípios da Teoria da Eletrodinâmica estão equivocados, os diagramas correspondentes às interações que elas representam, para se chegar a expressões matemáticas corretas, só podem chegar, também, a conclusões equivocadas da realidade destas interações das partículas, pois, é de se observar que a explicação para o Diagrama de Feynman não condiz com o que ocorre na realidade. O termo "Aniquilação" não é apropriado para este evento, pois as energias elementares, tanto positiva quanto negativa, não se aniquilam e também não se perdem, apenas se transformam. Como o elétron e o posítron são partículas duais (cada um com 02 energias magnéticas), ocorre uma interação em que o elétron perde 01 energia magnética com seu campo de massa (neutrino) e o posítron perde 01 energia magnética com seu campo de massa (antineutrino), cada um com uma energia cinética de 0,255 MeV (com um total de 0,511MeV de energia Cinética). Restando 01 Energia magnética negativa do elétron e 01 energia magnética positiva do positron (sem seus campos de massa), que forma a radiação eletromagnética (y) de 0,511 MeV de Energia cinética. Quando esta radiação eletromagnética choca-se com o núcleo, atinge metade do elétron e metade do posítron que estão na formação dos Nêutrons e Prótons do Núcleo atômico, ocorrendo o processo de Reflexão das Radiações eletromagnéticas de alta velocidade. Assim, não ocorre a Anulação (Aniquilação) do elétron e do posítron, não ocorre a formação de um fóton virtual, não ocorre a sua transformação em um quark e em um anti-quark, e depois um deles não irradia um Gluón como prediz a explicação do Diagrama de Feynman.

ELETRODINÂMICA QUÂNTICA (E.Q)
"As forças eletromagnéticas entre dois elétrons surgem pela emissão de um fóton por um dos elétrons e a sua absorção por outro elétron. Como um elétron emite um fóton, isso significa a violação do princípio da conservação das energias ou da conservação dos momentos; o mesmo vale para a absorção de um fóton. Todavia, pela a mecânica quântica, a conservação de energia não é necessariamente válida em pequenos intervalos de tempo. O sistema pode "pedir emprestada" alguma energia para o elétron emitir o fóton; a energia é devolvida quando o outro elétron absorve o fóton. Este processo é chamado de troca virtual de um fóton entre elétrons”. As radiações eletromagnéticas não surgem por acaso, pois, surgem da união entre um posítron e um elétron e este processo acontece em quase sua totalidade em núcleos de átomos, e também, as radiações eletromagnéticas não são absorvidas, pois a energia elementar negativa unida à energia elementar positiva, durante os processos de propagação e de reflexão não se altera, somente altera a sua energia cinética (sua velocidade). O elétron da eletrosfera não emite, por si só, qualquer energia eletromagnética, ele apenas interage nos processos de propagação destas radiações, então, quando a teoria eletrodinâmica diz que, na física quântica o princípio da conservação da energia ou da conservação dos momentos, não é necessariamente válida, em pequenos intervalos de tempo, e que o sistema pode pedir emprestado alguma energia para o elétron emitir o fóton e que a energia é devolvida, quando outro elétron absorve o fóton, em um processo de troca virtual de um fóton entre elétrons, fica claro, que esta idéia básica da Física Quântica, além de não ser a realidade dos fatos, como explanado neste trabalho sobre como acontece a propagação e a reflexão das radiações eletromagnéticas, ainda colocou como sua base científica, uma interpretação equivocada da realidade dos acontecimentos a nível atômico, elegendo os elétrons como emissores das radiações eletromagnéticas. O diagrama de Feynmam, para este evento, também está errado.

CRONODINÂMICA QUÂNTICA (C.D.Q)
"A Teoria da Cronodinâmica Quântica é parecida com a Teoria da Eletrodinâmica Quântica em alguns aspectos (as interações... luiz1611@hotmail.com
De antonio a 19 de Dezembro de 2008 às 09:03
A humanidade sempre atribuiu ao maligno os acontecimentos mais temíveis que não conseguia explicar. O mafarrico sempre andou à solta! É normal que ele invada as equações dos homens da mesma forma que lhes perturba o espírito. É tudo uma questão de horizontes.

Talvez por isso não se possa falar de Deus sem o incluirmos também... ele é a energia negra da Criação. Os nossos cientistas estão no estado primitivo da sua espiritualidade.
De alf a 19 de Dezembro de 2008 às 19:07
Pois é, o mafarrico está sempre a induzir-nos em erro - a todos, cientistas ou não.

A sua veia de poeta filósofo continua inspirada!
De anonimodenome a 19 de Dezembro de 2008 às 10:33
obrigado alf.
uma negritude a menos.
vou ter que reler, não é vergonha nenhuma.
antónio porque é que és o primeiro a ler?

A todos desejo um Feliz Natal.
De alf a 19 de Dezembro de 2008 às 19:09
Feliz natal para ti também! E obrigado
De Peter15 a 19 de Dezembro de 2008 às 12:48
O seu comentário é um complemento indispensável para uma melhor compreensão do texto.

Detenho-me em Einstein:
"A constante cosmológica visava representar o campo que deu a volta ao universo e se propaga agora de volta à origem."

Se deu a volta ao universo, é porque este tem um limite?

Ou será a noção de infinito que tem uma formiga quando se desloca sobre uma bola de bilhar?

P.S. - Pedia-lhe o favor de, se por acaso quiser comentar comigo, o faça para o seguinte endereço:
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O seu comentário é um complemento indispensável para uma melhor compreensão do texto. <BR><BR>Detenho-me em Einstein: <BR>"A constante cosmológica visava representar o campo que deu a volta ao universo e se propaga agora de volta à origem." <BR><BR>Se deu a volta ao universo, é porque este tem um limite? <BR><BR>Ou será a noção de infinito que tem uma formiga quando se desloca sobre uma bola de bilhar? <BR><BR>P.S. - Pedia-lhe o favor de, se por acaso quiser comentar comigo, o faça para o seguinte endereço: <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>conversas.xaxa@gmail.com</A> <BR><BR>pois por mero acaso fui encontrar e-mails seus em <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>bric_a_brac@sapo.pt</A> <BR><BR>que é um mero endereço de blogue, sempre cheio de spam e onde raramente vou. <BR><BR>Bom fds e obrigado pela lição. Continuo a aprender e não tenho qq repulsa em seguir o seu raciocínio. <BR><BR>
De Peter15 a 19 de Dezembro de 2008 às 12:52
Estes comentários do SAPO são uma autêntica porcaria, para não lhe chamar outra coisa ...
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Estes comentários do SAPO são uma autêntica porcaria, para não lhe chamar outra coisa ... <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>conversas.xaxa@gmail.com</A>
De alf a 19 de Dezembro de 2008 às 19:39
Peter, parece que entrou «energia negra» na sua relação com o sapo hehehe!

Estará a usar o corrector ortográfico? Experimente não o fazer.

O Universo de Enstein é um universo fechado, uma esfera a 4 dimensão, - que está para nós como uma bola de bilhar para uma formiga. Esta, se andar sempre na mesma direcção, dá a volta à esfera e regressa ao ponto de origem, surgindo de trás. Algo semelhante se passa com o campo gravítico no universo de Einstein: em cada direcção que o analisemos, ele propaga-se à volta da esfera que é o Universo.

Agora, se desenhar uma circunferência e colocar nela dois pontos materiais, o ponto A e o ponto B, veja o que acontece com o campo que A produz sobre a outra: pelo lado mais próximo, o campo de A vai atrair B na direcção de A; mas o campo produzido por A também se propaga pelo lado oposto da circunferência e vai chegar a B pelo lado oposto a A, puxando B para longe de A - como se o campo produzido por A tivesse uma componente de repulsão.

é este campo que chega a B pelo outro lado do Universo que Einstein quis representar pela constante cosmológica - e tem o sentido oposto ao da gravidade.

Mas a análise de Einstein está errada, porque ele analisou ao longo de uma geodésica, como no exempo acima; e não pode ser assim. Além disso, a análise dele também pressupõe que a matéria existe desde sempre, o que sabemos hoje não ser verdade. E se a matéria não existe desde sempre, então o campo não teve tempo para dar voltas ao vasto universo, mesmo que ele seja fechado.

Um abraço
De Peter15 a 19 de Dezembro de 2008 às 20:42
O problema do horizonte deve-se ao facto de um observador só ter acesso a uma pequena parte do Universo. Isto resulta da combinação de dois fenómenos diferentes: o primeiro, de existir um limite de velocidade da luz e o segundo de o Universo ter uma data de nascimento, o Big Bang. Concluí-se que não se pode ver nada que esteja a uma distância superior a 15 mil milhões de anos-luz, quando se estima que aquele ocorreu. Se recuarmos no tempo, quanto mais próximo estivermos do BB, tanto menor será o nosso horizonte. Daqui resulta um Universo primordial fragmentado em regiões minúsculas sem qualquer interacção entre elas.

Mas como se pode, então explicar um Universo homogéneo, como se pensa que o nosso é, se no início dos tempos este estava completamente repartido?
É que a melhor maneira de homogeneizar qualquer coisa é pô-la em contacto entre si.

Ora isto é precisamente o que o problema do horizonte nos nega.
De alf a 20 de Dezembro de 2008 às 02:12
Peter

A homogeneidade do Universo na altura do CMB não pode ter resultado de um processo de homegeneização - no post anterior indico qual é a densidade da matéria e o percurso livre médio. A homegeneização de um gás resulta da interacção entre as partículas e com este percurso médio não resulta nenhuma homegeneização mas exactamente o contrário, como veremos.

É por isso que foi preciso inventar a Inflacção - para pegar num universo muito denso e transforma-lo subitamente num universo muito menos denso mantendo a homogeneidade que resulta de um estado de alta densidade. Mas, além de ser uma hipótese sem nenhuma base aceitavel na física que conhecemos, não resolve o problema porque com já disse numa resposta ao Ary, temos de ppresumir que o Universo é imenso no instante a seguir ao Big Bang, não existindo possibilidade de considerar que havia interacção em todo o seu volume, o que seria necessário para explicar a rigorosa isodensidade que ele apresenta na altura do CMB.

A hipótese do Magueijo não é melhor que a da Inflacção - consiste em considerar que houve uma altura em que a velocidade da Luz era umas 10^46 vezes a actual ou coisa parecida. Só podemos concluir uma coisa: a Física que conduziu ao estado de uniformidade mostrado pelo CMB não é uma física que conheçamos.

O que me parece ser mais plausivel é considerar que a Matéria surgiu num estado rigorosamente uniforme e isotrópico. Foi assim que ela «nasceu». Mas isso é apenas a minha especulação sobre o assunto, tão boa como outra qualquer, e que não é relevante para agora - basta-me constatar que há um momento em que a distribuição da Matéria surge rigorosamente uniforme e isotrópica. Desconheço como isso aconteceu. Mas basta-me isso para descrever tudo o que surge e acontece no Universo depois desse momento, que é o que faremos nos posts seguintes.
De Peter15 a 19 de Dezembro de 2008 às 21:36
Revendo os meus conhecimentos: o desvio para o vermelho detectado na luz emitida pelas galáxias deve-se ao facto de que, quando o espaço se expande, as ondas de luz «são esticadas» - o seu comprimento de onda aumenta e a sua energia diminui, portanto o universo esfria quando se expande.
Edwin Hubble descobriu que a velocidade média de recessão das galáxia distantes é directamente proporcional à distância a que elas estão de nós. É a chamada lei de Hubble, sendo a constante de proporcionalidade conhecida pelo nome de constante de Hubble (a constante que quantifica a velocidade de expansão do espaço observada de qualquer ponto do universo).
A recessão das galáxias mais distantes (para lá da chamada distância de Hubble - 14 milhares de milhão de anos-luz) faz-se a uma velocidade superior à da luz, já se observaram mais de 1000 galáxias nessas condições. Mas como sabe, isso não contradiz a teoria da relatividade especial porque se aplica à expansão do espaço e não ao movimento através do espaço pelo que continua a ser verdade que nada pode ultrapassar um raio de luz. Lá foi ao ar a hipótese do Magueijo?
“a invenção da Energia Negra resulta de ainda ninguém ter percebido que é nulo o campo em qualquer ponto duma distribuição uniforme de matéria cujo horizonte seja interior a essa distribuição e que essa é a nossa situação”
Não percebi…
Ou a resposta à minha dúvida está aqui no seu comentário:
“Como tem o sentido contrário ao campo original, configura um campo repulsivo em vez de atractivo.” ?
A “constante cosmológica” fez com que a força da gravidade no seu “regresso” transformasse o campo de atractivo em repulsivo, mandando a “dark force” para o caixote do lixo. É?
Meu e-mail: conversas.xaxa@gmail.com
De alf a 20 de Dezembro de 2008 às 03:03
Peter

Isto parece uma conversa entre o Ptolomeu e o Newton rsrsrs... suponho que não terá lido este blogue desde o princípio, mas é necessário pelo menos passar os olhos pelos posts porque isto é como um livro.

Neste blogue não estou a explicar aos leitores a teoria do Big Bang; estou a apresentar uma teoria que está para a teoria do Big Bang como a teoria de Newton está para a de Ptolomeu. A teoria do Big Bang, tal como a de Ptolomeu, é um modelo do que «parece ser», um modelo do universo tal como nós o observamos. A teoria do Desvanecimento, que aqui apresento, tal como a de Newton, não presume a invariancia do observador mas sim a indetectabilidade desta variação.

Apresentando resumidamente:
O Universo parece expandir tal como parece rodar à nossa volta em 24 horas. Mas não expande, a nossa unidade de comprimento é que diminui. E diminui de tal forma que as leis físicas permanecem invariantes, portanto esta diminuição não pode ser detectada por experiências locais. Mas tem consequências observaveis quando olhamos para o passado.

Uma consequência é que os átomos eram maiores e os comprimentos de onda das riscas espectrais maiores - o desvio para vermelho não resulta de nenhuma «expansão do espaço» mas de já terem sido emitidas com maiores comprimentos de onda.

A constante de Hubble representa a aparente taxa de expansão - que é o resultado da taxa de diminuição dos átomos. É por isso que ela é independente da distância a nós ou da direcção - porque não é o Universo que expande, somos nós que diminuimos.

É o mesmo que se passa com a aparente rotação do Universo à nossa volta - ele parece rodar rigidamente em toda a sua vasta extensão porque não é ele que roda mas sim nós; e a velocidade de rotação do universo não é dele mas nossa.

Como o Einstein escreveu mas ninguém ligou, a Relatividade não foi estabelecida sobre um espaço em expansão mas sobre um espaço invariante. Aplicar a teoria da Relatividade sobre um espaço em expansão é um abuso formal. Tal como não se aplicam as leis de newton, por isso se diz que o espaço não expande localmente. Isso é completamente ilógico mas resulta de não haver formalismo que permita aplicar as leis de newton, ou da Relatividade, sobre um espaço em expansão. Tudo o que se faz não passa de uma manipulação matemática das equações da Relatividade num espaço em expansão admitindo uma distribuição de matéria uniforme e isotropica porque não se sabe fazer de outra maneira.

Suponho que isto seja mais uma machadada para si mas, se quiser, posso ir à procura do documento em que o Einstein afirma que a teoria da relatividade não tem nada a ver com a expansão do espaço.

A invenção da energia negra resulta do pressuposto que a atracção gravítica entre as partículas deveria produzir um colapso observavel - no caso, uma diminuição da velocidade de expansão. E isso não se verifica! Então inventaram uma energia de repulsão que compensaria exactamente, em cada momento, a atrcção gravítica em grande escala, mas não actuaria à escala local.

Nada na teoria do Big Bang se aplica à escala local, porque à escala local vigoram as leis físicas, e o Big Bang é a total violação delas. O Big Bang trata do que acontece no universo distante de nós, no «Céu», tal como acontecia com o modelo do Ptolomeu - apenas agora o conceito de «Terra« está alargado à nossa vizinhança galática.

O erro está em que enquanto o nosso horizonte não ultrapassar os eventuais limites da distribuição na matéria, se existirem, estaremos graviticamente no centro de uma esfera isodensa de matéria, que é um ponto onde o campo é nulo. E é aqui e em todos os pontos que observamos no instante em que o fazemos. Sendo assim, não deveremos observar nenhum colapso da matéria e o que devemos esperar é que a aparente taxa de expansão seja constante no tempo. E é isso que observamos. Portanto, não precisamos de energia negra nenhuma para explicar as observações.

A constante cosmológica foi uma habilidade matemática do Einstein para ter uma solução para o campo gravítico num modelo de Universo que era fechado; e ela resulta de neste modelo a gravidade que «dá a volta» ao universo surgir do outro lado com sentido contrário ao campo directo; por isso, ela aparenta uma força repulsiva.

(segue)
De Peter15 a 20 de Dezembro de 2008 às 11:09
Este “passo” é complicado:

“A constante de Hubble representa a aparente taxa de expansão - que é o resultado da taxa de diminuição dos átomos. É por isso que ela é independente da distância a nós ou da direcção - porque não é o Universo que expande, somos nós que diminuímos.”

- Não é o Universo que expande, somos nós que diminuímos? Não compreendo.
De alf a 20 de Dezembro de 2008 às 21:29
Peter

Todas as manhãs o Sol nasce a oriente e desloca-se no céu até se pôr a ocidente, não é verdade?

Bem, dir-me-à, não é o Sol que se desloca, é a Terra que roda.

Sim e não. Na verdade, o Sol desloca-se em relação a nós; mas a análise lógica de todas as informações leva-nos a concluir que este movimento relativo resulta do movimento de rotação da Terra.

Note que esta não é uma conclusão fácil, pois nada nos indica que nos estejamos a mover a uma velocidade supersónica em relação ao centro da Terra. É mesmo dificil de acreditar, não é verdade? Como é possível movermo-nos a tal velocidade e os fenómenos decorrerem À nossa volta como se estivessemos em repouso absoluto?

Foi aqui que Galileu estabeleceu o Princípio da Relatividade.

Quando observamos os astros distantes, detectamos um movimento relativo de expansão. As distâncias de todos os astros aumentam em relação a nós a uma taxa constante, qualquer que sejam a sua direcção e distância.

Uma maneira simples de explicar um fenómeno tão global é considerar que a nossa unidade de comprimento está a diminuir ao longo do tempo - se isso acontecer, todas as nossas medidas de distância variam exactamente na mesma proporção, que é o que observamos.

Ou seja, o que observamos é uma variação de escala.

Diversos autores tentaram já estabelecer teorias que explicavam esta variação de escala pela variação da nossa unidade de comprimento; mas falharam porque as suas teorias implicavam variação das leis físicas e nada suporta isso.

O Desvanecimento é a primeira teoria que apresenta uma variação de escala com conservação das leis físicas - ou seja, a nossa unidade de comprimento diminui ao longo do tempo mas de tal maneira que isso é indectável por qualquer experiência local que possamos fazer.

O que se passa é que as partículas fundamentais, e os átomos em consequência, diminuem ao longo do tempo - diminui a sua massa e a sua carga eléctrica.

O Universo parece expandir porque nós, o observador, estamos a diminuir no tempo.

Esta diminuição é tal que não podemos detecta-la localmente; e é extremamente lenta.

é por isso que o Universo parece expandir de forma tão rigorosamente geométrica - porque é a unidade de medida que diminui.

Isto não será fácil de aceitar, tal como não foi fácil de aceitar que a Terra rode quando nenhuma experiência o denunciava (o pêndulo de Foucault foi a primeira experiencia a detectar a rotação da Terra, séculos depois de Galileu); mas, da mesma forma que para o Galileu era um disparate presumir que o vastíssimo universo rodaria em 24h em vez de pensar que era o insignificante Terra, também aqui se pode sentir ser um disparate presumir que o vasto Universo sofre uma rigorosa variação de escala em toda a sua extensão em vez de pensar que simplesmente a nossa unidade de medida está a diminuir.

À partida, não podemos saber se é o universo que expande ou a unidade de medida que diminui; mas podemos construir os respectivos modelos e confrontá-los com as observações. Ora o modelo do Desvanecimento explica a totalidade das observações cósmicas sem carecer de qualquer hipótese adicional enquanto o Big Bang carece de matéria negra e energia negra e não só.

Para além disso, o Desvanecimento explica ainda algo de importancia crucial, como seja o passado quente da Terra, como poderá ver em post do «outramargem» se tiver paciencia para isso.

É essa teoria que estou a apresentar aqui. Estará certa ou errada? Nada como ir seguindo o blogue para poder fazer uma opinião.
De alf a 20 de Dezembro de 2008 às 03:44
(continuação)

Quando os teóricos do Big Bang quiseram introduzir uma energia repulsiva, foram buscar a constante cosmológica do Einstein para dar credibilidade à sua hipótese. Mas é um grande disparate.

Como o Peter percebeu perfeitamente, na génese da constante cosmológica não está nenhuma «dark force»! Muito bem! Pertence a um número muitíssimo restrito de pessoas que foi capaz de compreender isso.


Portanto, a constante cosmológica não tem nada a ver com uma ideia de «dark force»; e esta não faz falta nenhuma porque não deveriamos ver o universo a colapsar e, portanto, não é preciso inventar nenhuma força para contrariar a gravidade.

A razão porque não é preciso é que é subtil e isso é que o Peter não terá percebido completamente. Sugeria-lhe que meditasse sobre as figuras que apresento nos posts, para perceber que a força da gravidade que actua sobre nós é oriunda de uma esfera de matéria com raio igual à idade da matéria em anos luz - portanto, a matéria que está fora dessa esfera não nos influencia, o campo gravítico que ela gera ainda não chegou até nós. Ora o centro de uma esfera isodensa é um ponto onde o campo é nulo.

E não só é nulo aqui como é nulo em todos os pontos que observamos - porque esses pontos estão igualmente no centro de uma outra esfera com um raio igual à idade da matéria em anos-luz menos o tempo que a luz levou a propagar-se desse ponto até nós. Isso dá que a esfera de influencia gravítica desse ponto, ou seja, o seu horizonte, é uma esfera inscrita no nosso horizonte - a circunferência laranja na figura deste post.

E como o campo médio é nulo aqui e em todos os pontos que observamos, não observamos nenhuma tendência para o colapso da matéria. Isto será surpreendente mas consegue-se compreender com um pouco de meditação.

Peço desculpa se me repeti muito, mas não sabendo ao certo o que o Peter já leu achei preferivel pecar por excesso do que por defeito. E compreendo que não será nada fácil para si estar a tentar gerir duas teorias tão diferentes. Mas repare que o Desvanecimento não diz que o Big Bang é um modelo errado, mas apenas que é o modelo da aparencia do Universo - descreve o que observamos, mas não os fenómenos responsáveis. Tal como acontece com o modelo de Ptolomeu, muito bom a descrever o que vemos, tanto que ainda hoje é usado um modelo desse tipo para determinar as posições aparentes dos astros para um observador terreno.
De Peter15 a 20 de Dezembro de 2008 às 11:25
"o Desvanecimento não diz que o Big Bang é um modelo errado, mas apenas que é o modelo da aparencia do Universo - descreve o que observamos, mas não os fenómenos responsáveis"

Este ponto de vista parece ser a nova tendência da Mecânica Quântica em que a partir do observado se pretende chegar à teoria.
Deve ser uma grande asneira, mas é o que leio.

Vou acompanhar a teoria do Desvanecimento, mas não tenho tempo para voltar ao princípio e daí as minhas perguntas que não têm razão de ser.

A gravidade é intrigante. Porque actua como actua? Parece estar na base de tudo? Estará?
Os "gravitões" serão outra partícula criada para justificar o que não se sabe?

De alf a 20 de Dezembro de 2008 às 22:12
Sobre a mecânica quântica não vale muito a pena procurar raciocínios lógicos. A realidade do Universo é claramente ondulatória; esta estrutura ondulatória determina que os estados possíveis são estados de ressonância; as ressonâncias são discretas, ou quanticas. Então, em vez de se usarem as complexas equações ondulatórias, como fez Schrodinger, podemos fazer modelos mais simples usando matrizes de quantidades discretas, de números.

Até aqui tudo lógico. O problema começa quando se pensa que essas matrizes são a representação da realidade e não apenas de estados de ressonância. Ao perder a consciência da natureza ondulatória da realidade, perdeu-se a capacidade de encontrar explicações fenomenológicas para as observações. Por isso, a Mecânica quantica tranformou-se numa coisa logicamente informe.

As nossas observações são sempre relativas ao observador - o Sol roda em relação a nós, o Universo expande em relação a nós. Os modelos que traduzem directamente as nossas observações, presumindo a nossa invariância, são o primeiro passo do Conhecimento. É o caso do modelo de Ptolomeu, da Relatividade de Einstein, do Big Bang. Depois, vem o segundo passo, o questionar da aparente invariancia do observador. Assim se chega ao modelo de Newton ou ao Desvanecimento.

Para o Einstein, a gravidade é uma deformação do espaço, ou seja, do «medium». Por isso a Relatividade Generalidade é uma geometria. Para o Einstein, apesar de constantemente se dizer que ele acabou com o «aether», tudo se resume a um «medium» e suas deformações. Como ele declarou várias vezes mas que nunca é citado porque não é conveniente para o «mainstream».

Como a física actual se desenvolveu com base no conceito primitivo do Universo como um espaço vazio onde exstem partículas, teve de inventar partículas para mediar todas as interacções. Mas são, evidentemente, partículas fantasma. Todos os Físicos hoje entendem o espaço como um «medium» e não como um vazio. Só que não conseguem fazer um modelo que prescinda do conceito de «partícula» e por isso usam umas vezes o espaço como vazio, outras como medium.; e falam da dualidade onda-partícula. No universo não há «dualidades», simplesmente nós estamos a usar conceitos errados para representar a realidade e por isso a necessidade de usar ora uns, ora outros, conforme parece ser mais adequado - a dualidade é nossa, não da realidade.

Note que tudo isto são passos no processo do conhecimento; somos ainda muito ignorantes, andamos ainda a apalpar as coisas mais elementares. Só que para fora de Ciência é preciso passar a ideia de que a Ciência está cheia de certezas sobre o Universo porque assim o exige o comum humano - se a Ciência não lhe ser «certezas», então ele vira-se para as religiões, sempre prontas a esclarecer todas as dúvidas.


Sugeria-lhe o post de 11 de junho (A substancia do Universo) e, já agora, o de 26 de Maio, que respeita à sua questão do comentário anterior.
De Peter15 a 21 de Dezembro de 2008 às 18:36
Teoria do Desvanecimento

“O Desvanecimento é a primeira teoria que apresenta uma variação de escala com conservação das leis físicas - ou seja, a nossa unidade de comprimento diminui ao longo do tempo mas de tal maneira que isso é indetectável por qualquer experiência local que possamos fazer.
O que se passa é que as partículas fundamentais, e os átomos em consequência, diminuem ao longo do tempo - diminui a sua massa e a sua carga eléctrica.
O Universo parece expandir porque nós, o observador, estamos a diminuir no tempo.”

Já li várias vezes os seus comentários que agrupei num ficheiro único. Claro que não me atrevo sequer a dialogar consigo porque eu sou um simples curioso que adquiriu os seus conhecimentos em livros de divulgação científica, embora de cientistas com reputação mundial, mas compráveis em qualquer livraria, enquanto que o meu amigo poderá ser um ilustre Professor Universitário, ou no mínimo, um assistente da FCL.

Assim, vou aguardar a publicação do seu livro e renovo os meus agradecimentos pelos esclarecimentos prestados. Dum modo geral atrevo-me a dizer que compreendi e que até aceito certas objecções a Einstein. Já no que respeita ao “núcleo duro” da sua teoria é-me difícil aceitar porque não só não tenho bases para tanto, como se trata duma hipótese “indetectável por qualquer experiência local que possamos fazer.”
De alf a 21 de Dezembro de 2008 às 23:33
Peter

Antes de mais, quero agradecer a amabilidade da sua companhia e dos seus diálogos até ao momento.

É evidente que não sendo uma pessoa com conhecimentos específicos destes assuntos, embora também não seja uma pessoa fora deles, opte pelas ideias oriundas da fonte mais credível; e essa fonte não sou eu, naturalmente. Foi por ter consciência disso que lhe tenho respondido com comentários tão exaustivos.

O facto de o Desvanecimento não ser detectável por experiências locais é exactamente a sua grande qualidade, o grande avanço conseguido em relação a hipóteses anteriores de variação de escala. Significa que o Desvanecimento satisfaz o Princípio da Relatividade.

O Peter também não nota que a Terra roda, não é verdade?

A expansão do espaço também não pode ser detectada localmente não é verdade?

Mas note que para justificar que a expansão do espaço não seja detectada localmente foi preciso declarar que assim é, ou seja, que esta só actua a uma escala extragaláctiva, o que não tem qq justificação física. Ao contrário, no Desvanecimento não é preciso fazer exclusão nenhuma de validade, a sua indetectabilidade local é inerente à variação simultânea das grandezas fundamentais.

Mas ambas as teorias têm largas consequências a uma escala não-local. E é aí que se saberá qual é a melhor.

O meu objectivo é expôr essas consequências do Desvanecimento para que quem quiser dar-se a esse trabalho poder tirar as suas conclusões mesmo sem ser especialista do assunto.
De Peter15 a 22 de Dezembro de 2008 às 10:31
Pois é, o "local" está a mais. Eu reparei, mas depois tive preguiça de corrigir.

Fica pois:

"Mas ambas as teorias têm largas consequências a uma escala não-local. E é aí que se saberá qual é a melhor."

Bom Natal!
De Curioso a 21 de Dezembro de 2008 às 23:35
-Boas..
Peter.. curioso sou eu...

Parece que há alguns factos observáveis que só podem ser explicados com o desvanecimeto.. tal como o afastamento da Lua...

Eu também não sou professor universitário ( apesar de ter um curso de física) e penso que percebi as idéias bases do Desvanecimento.. que me parecem mais de acordo com a realidade e mais simples e súbtis...

Abraço..

Curioso.
De Peter15 a 22 de Dezembro de 2008 às 10:41
Lembro-me de uma antiga série da TV em que a Lua se separava da Terra e vagueava pelo Espaço.

Claro que nada tem a ver com os assuntos que o "alf" tenta fazer prevalecer e aos quais estamos atentos.

Depois do Natal vai explicar-me o porquê da sua afirmação:

"Parece que há alguns factos observáveis que só podem ser explicados com o desvanecimeto.. tal como o afastamento da Lua..."

Bom Natal
De curioso a 22 de Dezembro de 2008 às 13:06
:-)

Peter

Espaço 1999... não me referia a esse afastamento ... mas ao afastamento mensurável (alguns cm (poucos)) que a lua vai tendo anualmente. Este afastamento só é explicado de uma forma qualitativa através do efeito das marés. Segundo o Alf a sua teoria prevê com exactidão o valor medido...

Curioso.
De Peter15 a 22 de Dezembro de 2008 às 20:32
"afastamento mensurável (alguns cm (poucos) que a lua vai tendo anualmente. Este afastamento só é explicado de uma forma qualitativa através do efeito das marés"

Não sabia e não me sinto diminuido por estar sempre a aprender.

Claro que não sei como é que o efeito das marés pode ocasionar esse afastamento, mas estou aqui para aprender.
De alf a 22 de Dezembro de 2008 às 23:00
A ideia do efeito de maré é a seguinte: o campo gravítico ente dois planetas causam uma deformação que faz com os planetas tendam a ovalizar na direcção um do outro; o movimento de rotação transporta esta deformação para uma direcção diferente do alinhamento dos planetas; esta deformação origina então binários de forças que actuam sobre os dois planetas.

Vejamos a acção da Terra sobre a Lua: a Lua tende a ovalizar ligeiramente na direcção da Terra ; se ela tiver movimento de rotação, o eixo maior da Lua (que a ovalização origina) roda em relação à direcção Terra_Lua; se analisarmos agora as forças actuantes sobre a Lua verificamos que passa a existir um binário actuando sobre a rotação da Lua que não existiria se ela fosse esférica - a «proeminência» devida ao efeito de maré situada do lado da Terra exerce um efeito de travagem na rotação da Lua.

É por isso que os planetas que sofrem maior efeito de maré têm uma rotação «especial» - a Lua tem sempre a mesma face virada para a Terra; Mercúrio tem uma órbita muito elíptica que origina um ligeiro movimento de rotação que minimiza o efeito de maré - dá uma volta e meia por cada volta ao Sol; Vénus, que de todos os planetas é sofre o mais forte efeito de maré do Sol, tem só um ligeirissimo movimento de rotação, no sentido contrário ao de todos os outros planetas, e tal que apresenta sempre a mesma face à Terra qd está mais próxima desta.

E agora a influencia da Lua sobre a Terra. A ovalização da Terra é feita pelos oceanos; então a rotação da Terra não transporta essa deformação como acontece nos planetas sólidos - a Terra gira mas a «maré» de água permanece orientada para a Lua (estamos a ignorar o Sol, que é responsável por 1/3 do efeito). Por isso é que nós temos marés - não é propriamente o oceano que sobe e desce, somos nós que rodamos.

No entanto, os fundos marinhos e as costas exercem algum «atrito» sobre os oceanos e produzem uma ligeira desfasagem entre a ovalização destes e a direcção do campo gravítico planetário. O efeito é mínimo e o momento de travagem sobre a rotação da terra muito pequeno. Mas essa Terra oval ligeiramente fora do eixo Terra-lua exerce agora uma aceleração sobre a Lua na direcção do avanço da maré.

A Teoria do efeito de maré é a de que essa aceleração iria conduzindo a Luz para órbitas mais largas e explicaria o movimento de recessão (afastamento) da Lua em relação à Terra, cuja existêncis é conhecida há muito por as marés do passado geológico serem maiores que as actuais.

Essa recessão pode hoje ser medida com grande precisão e é de 3,8 cm por ano.

A este valor corresponderia, segundo a teoria do efeito de maré, uma certa diminuição da velocidade de rotação da Terra.

Onde é que esta ideia começa a falhar?
Primeiro: ninguém foi capaz de, até hoje, quantificar este efeito, dizer quantos centímetros deveria a Lua afastar-se da Terra
Segundo: as emulações numéricas do efeito têm obtido os resultados mais díspares, até o de fazer diminuir a distancia. Uns cálculos que fiz em tempos conduziram-me à conclusão que a consequência é um aumento da elipsidade da órbita lunar mas não da sua distância média
Terceiro: a diminuição da velocidade de rotação da Terra que corresponderia à actual velocidade de afastamento da Lua não se observa. Pelo contrário: desde que se efectuam medidas com precisão suficiente que se tem observado um aumento da velocidade de rotação da Terra - há um post antigo no «outramargem» sobre isso.

O Desvanecimento, por seu lado, prevê um valor bem definido para a velocidade de afastamento da Lua: 2H0! e acontece que 3,8 cm por ano correspondem a H0 = 50km/s/MPS, que é um dos valores possíveis de H0 (constante de Hubble), calculado por Alan Sandage. Actualmente é aceite um valor mais alto (72) mas calculado no quadro de um modelos com matéria e energia negra.

Isto, por si só, não permite concluir que é o Desvanecimento que explica a recessão da Lua. Mas acontece que não é só a Lua cuja órbita alarga - o Desvanecimento prevê que isso aconteça com todos os planetas. E os vestígios geológicos de que a Terra esteve muito mais perto do Sol, exactamente do montante previsto pelo desvanecimento, são imensos, a começar pelas altas temperaturas do passado terrestre distante. Como em Marte (água no passado)
De Hugo Ary a 22 de Dezembro de 2008 às 13:56
Primeiramente queria interagir com a discurssão e dizer ao Peter que vale muito a pena começar a ler este blog desde o inicio. Eu "perdi" (com certeza não foi uma perda) 3 dias lendo-o desdo inicio é fiquei fascinado como já citei.
E queria salientar o porque do meu fascinio, pois o que o alf está a fazer aqui nesse blog nesta época é simplesmente uma atitude que exige muita coragem e muito conhecimento.
Porque?
Porque está criticando, com unhas e dentes e uma gama de solidos argumentos, as mais variadas teorias que ao meu ver também são meros artificios matematicos.
É formidável este blog, formidável.

Agora uma duvida alf, a energia negra segundo sua visão vem do fato de nosso horizonte estar inserido a distribuição uniforme da materia ou de estarmos diminuindo? Pois a primeira não me parece contemplar a contento as observações ao contrario da segunda opção.

E uma observação você certamente ja deve ter se dado conta que o limite do nosso horizonte seria uma circuferencia certo? e todos os pontos dessa circuferencia, que é o NOSSO horizonte, teriam uma outra circuferencia de mesmo raio que seria o SEU respectivo horizonte certo? (como se fizesse uma circuferencia em cada ponto da circuferencia que é o nosso horizonte)
Dessa forma, nos que recebemos atualmente recebendo CMB de todos os lados, estamos certo que nosso horizonte está inserido dentro da distribuição uniforme de materia.
Contudo o ponto que quero chegar é que os outros pontos distantes do universo já chegaram ao alcance além da distribuição uniforme sendo assim sofrem ação do campo gravitico. A questão entõ é seria por isso que disse que as camadas externas tendem a colapsar?

E só mais uma observação pensando nessa linha você estaria seguindo, como mesmo disse, a visão de newton onde a materia não colapsa porque existe materia "puxando" pro lado esquerdo e materia puxando tambem pro lado direito correto?

No mais feliz natal a todos!
De alf a 22 de Dezembro de 2008 às 19:46
Hugo Ary

Obrigado pelo seu interesse e entusiasmo

A energia negra não é nada que exista, é uma invenção para explicar porque é não vemos uma tendência para o colapso da matéria. Uma necessidade que surge de as equações do modelo do Big Bang não entrarem com a velocidade de propagação do campo gravítico - um erro do modelo.

O que explico neste post é que não deveriamos observar nenhuma tendência para o colapso, portanto, não é preciso inventar nenhuma energia negra, o que é preciso é colocar o problema nos termos correctos.


Eu creio que o Hugo Ary compreendeu perfeitamente a questão, mas vou repetir a explicação, pode ser que fique mais claro.

A acção gravítica que sofremos é oriunda de uma esfera de matéria isodensa, cujo raio é a distância a que o campo gravítico se propagou desde que a começou a existir, ou seja, desde que a matéria «nasceu»; Ora o campo gravítico no centro de uma tal esfera é nulo. Por isso, nós não somos atraídos para lado nenhum porque somos «puxados tanto para o lado esquerdo como para o lado direito», usando as suas palavras.

E não somos nós nem nenhum ponto do Universo que possamos observar; por exemplo, quando observamos um ponto que está a uma distância de nós igual a metade da idade da matéria (em anos-luz), vemos um ponto que nessa altura estava, graviticamente, no centro de um esfera com um raio igual a metade da idade actual (a idade do ponto nessa altura). Então, se esse ponto está a uma distância de nós que é metade da nossa distância ao nosso horizonte e tem um horizonte que é metade do nosso, o seu horizonte está inscrito no nosso. Isso prova que qualquer ponto que possamos ver estará no centro gravítico de uma esfera isodensa enquanto nós o estivermos.

E nós estamos num centro de uma esfera isodensa porque se não estivessemos deixariamos de ver o CMB de um lado.

Como muito bem diz, se a distribuição de matéria for limitada, se o espaço não for fechado, a matéria na vizinhança do limite, isto é, a uma distância deste inferior à idade do universo, está em colapso, ou seja, tem hoje um movimento para dentro da distribuição de matéria.

Até pode ser que alguma da matéria que nós vemos hoje já esteja com esse movimento, mas nós não o vemos porque o que nós vemos é como ela estava há muito tempo atrás, quando a luz que hoje recebemos dela partiu.

Feliz Natal a todos!

De Peter15 a 22 de Dezembro de 2008 às 20:52
Hugo Ary

Não tenho tempo. Deito-me todos os dias às 3h da manhã, pois tenho um blog com uma audiência aceitável, à qual tenho de responder e visitar em "public relations" e ainda uma resma de livros para ler que deve ter mais de 10m de altura. Compro diariamente o jornal e por vezes nem sequer o abro...

Acresce que ando desde 1981, salvo erro, a ler livros de divulgação científica, optando pelos autores mais credenciados.
Assim vou começar a acompanhar a hipótese do "desvanecimento", uma vez que já tenho um certo "back-up" digamos que clássico.

Vamos nos encontrando por aqui,

Bom Natal.

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