Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

O Tempo Escondido (1)

 

Vamos começar o passeio para o Passado como fizemos para o Futuro: com um saltito no Tempo, uma semivida.”

 

Ahh, mas aí tens um problema meu caro Jorge! É que se podes presumir que o Futuro é a perder de vista, o mesmo não acontece em relação ao Passado: se te alongas muito no salto cais antes do Universo ter começado a existir!”. Mário termina a frase com um largo sorriso; mesmo na penumbra, percebo-lhe os olhos buscando a reacção da Luísa; que solta o riso e comenta:

 

Jorge, toma lá cuidado com a tua condução da Cápsula do Tempo, não queremos cair fora do Universo, está-se tão bem aqui...”, a mão buscando a do Mário.

 

Os audazes, a fortuna ajuda!” sorrio-me ao lembrar a frase do capitão Haddock num livro do Tintim que lera em miúdo “Mas não tenham receio porque estão nas mãos de um velho Lobo do Tempo.” Inscrevo o número «-14» na janela do tempo de referência na folha de cálculo:

 


 

  
Debruçam-se todos sobre o computador. “Dez? Então agora o Tempo Atómico anda mais devagarinho que o Tempo de Referência?”, a Luísa até parece zangada.

 

Claro! No Passado era tudo maior, e as unidades de medida também. Há 14 mil milhões de anos, as partículas, os átomos, os corpos, tinham o dobro do tamanho que têm hoje e a Unidade de Tempo seria o dobro, ou seja, um relógio atómico levaria 2 segundos pelo nosso Tempo de hoje a avançar cada segundo.”

 

Então, naquele cenário que usamos no passeio ao Futuro, as pessoas teriam à volta de 3,5 m de altura, o raio da Terra seria o dobro... o Sol pareceria estar a metade da distância, o que significa que as pessoas veriam um Sol 4 vezes mais luminoso...

 

Isso mesmo Ana”, assenti.

 

E quando a Terra se formou, há 4,56 mil milhões de anos?” o Mário curioso.

 

4,56 dizes tu? Como isso é calculado por decaimento radioactivo, trata-se de um tempo medido por um relógio atómico, portanto, a idade Atómica da Terra é 4,56 mil milhões de anos; ora deixa-me procurar o valor do Tempo de Referência a que corresponde esse Tempo Atómico.” Alguns «clicks» depois:

 


 

 
Aqui está, a idade da Terra medida com a unidade de Tempo actual é de 5,23 mil milhões de anos. A diferença parece pequena mas nota que o Desvanecimento já era de 1,3.”

 

Então o Sol pareceria estar mais perto... é como se fosse mais quente...

 

Isso mesmo Ana; na verdade, a energia radiada pelos astros não se altera com o Desvanecimento, mas a Terra seria maior e por isso receberia mais energia do Sol. Tudo se passaria como se o Sol fosse 69% mais quente do que efectivamente era.

 

Ahhh, daí a tua teoria sobre a origem da Vida baseada num passado terrestre muito quente...

 

Não só Mário, a Terra também estaria mais perto do Sol, como veremos; mas já tens aqui uma primeira razão para o facto de o passado da Terra não ser um passado de gelo, como a Física actual exige, pois o Sol radiaria menos energia quando era mais novo.

 

E se fossemos espreitar o nascimento das primeiras estrelas?

 

Ahá! Vamos ao encontro das primeiras coisas realmente interessantes!”

 

 

 

publicado por alf às 22:32
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4 comentários:
De antonio a 8 de Outubro de 2008 às 23:34
Prontos! Isto tinha que terminar em Hollywood… eu sou favorável a que recuemos no tempo, mas o limite não é o início do Universo, o limite é a memória, não podemos recuar para além desta pois a partir daí nada existe.
De alf a 9 de Outubro de 2008 às 00:45
Ah, isso sim, seria realmente interessante, as primeiras estrelas de Hollywood!

O limite é a memória... quem sabe se não é isso que o Jorge está a fazer, a recuar na sua memória?
De Diogo a 12 de Outubro de 2008 às 12:24
Alf, continuamos a fazer castelos nas nuvens.

O Tempo é uma medida de movimento a partir de outro movimento.

Não há passados distantes nem futuros longínquos.

Se se considerasse todo o universo no momento A, e supondo que após algum movimento (que duraria, para um Deus exterior equipado com uma ampulheta divina, horas, anos ou milénios), todas as partículas e toda a energia do universo regressassem precisamente à posição que tinham no momento A (a que chamaremos momento B), não se pode falar nem em passado nem em futuro. A não é anterior nem posterior a B.
De alf a 12 de Outubro de 2008 às 13:53
Diogo, o que diz é mais no sentido filosófico do que no sentido físico, porque o tempo a que se refere não é o tempo das equações fisicas. Eu compreendo o que quer dizer, se as situações se pudessem repetir qualquer «origem dos tempos» seria arbitária, poderiamos escolher uma qualquer, o que era futuro para uma seria passado para outra, os conceitos de passado e futuro seriam completamente relativos.

Só que isso é apenas uma ilusão. Tal como é uma ilusão a percepção de que a Terra está em repouso no centro do Universo. O Universo evolui e transforma-se, segue uma «seta do tempo» que se escoa impercetível para os nossos sentidos. Como o movimento da Terra.

é nisso que consiste o Princípio da Relatividade: na ilusão de um Universo invariante e imutavel em que tudo se passa em relação a nós como se estivessemos em repouso no centro de um Universo eterno e invariante.

É essa ilusão que me proponho desmontar: mostrar o que é que de facto acontece e porque é que nós não o podemos detectar directamente.

O Desvanecimento revela a «seta do tempo» do Universo; ao percebe-lo vamos perceber coisas fascinantes sobre o Universo, sobre a Vida e sobre nós.

Estamos a chegar a «posts» onde as coisas se tornarão mais concretas e aí você vai perceber melhor o que agora lhe poderá parecer apenas palavras vazias

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