Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

O Tempo que o Tempo tem (2)

 

Se a luz dos astros é a mesma? Boa pergunta Ana! Temos uma maneira muito simples de saber: basta lembrar que as actuais Leis Físicas se mantêm válidas para um observador atómico em cada instante. Ora vejamos: se os astros parecem, para os humanos, estar ao dobro da distância sem alteração das suas propriedades, então a luz deles será, para os humanos, ¼  da actual, porque a intensidade da luz diminui com o quadrado da distância.”

 

Estás a ir muito depressa! Como é que as coisas se passam para um observador não-atómico, invariante, o teu observador R? Como é que se deduz esse resultado a partir dos fenómenos relevantes?

 

“Mário, tu facilmente podes deduzir isso a partir do que eu já disse e dos modelos actuais da Física; mas à Luísa e à Ana não interessam os «Porquês», apenas os «Como», por isso vou-me limitar à descrição. Quando quiseres poderemos discutir os detalhes.”

 

Isso Jorge, não me moas a cabeça com explicações, estavas a dizer que a luz das estrelas ficava mais fraquinha, e depois?”. Mário sorriu-se com a intervenção da Luísa e fez ecoSim, e depois?

 

 "A luz das estrelas será um pouco mais pálida para os terrestres, a lua cheia não animará os romances, mas a grande consequência disso é que o pálido Sol deixará a Terra congelar!

 

Ainda bem que é só daqui a tantos milhares de milhões de anos... tadinhos dos terrestres nessa altura” ri-se a Luísa.

 

Bem, isso é neste cenário... na realidade, como veremos, a Terra congelará muito antes... de qualquer maneira, é daqui a muito tempo... e a vida tem recursos para isso...

 

Sim? Quais?

 

Bem, para começar pode refugiar-se debaixo dos gelos. Os gelos são um isolante térmico, o calor geotérmico aquecerá a superfície da Terra logo abaixo dos gelos e pode também servir como fonte de energia durante algum tempo; mas nesses tempos ainda distantes os recursos tecnológicos serão muitos, além de que teremos então outro planeta à nossa disposição.”

 

Referes-te a Marte?

 

Credo, não! Um planeta mais perto do Sol: Vénus! Nessa altura, Vénus terá condições térmicas semelhantes à Terra hoje, com a diferença importante mas ultrapassável que resulta da sua baixíssima rotação. Vénus é o planeta gémeo da Terra, nunca ouviram dizer?”

 

Hummm... então o sistema solar como que já prevê as consequências do desvanecimento, até dispõe de uma segunda Terra que estará operacional quando esta estiver inutilizável... muito conveniente...

 

Hehe isso é que é imaginação! Mas vai-te habituando Ana... o universo parece concebido com propósitos definidos e, no entanto, eu posso mostrar que tudo resulta de um quadro inicial que é o mais simples possível... já vos disse que até parece magia como vai sucessivamente surgindo, inexoravelmente, um universo que parece regido por uma inteligência superior e, no entanto, resulta apenas de relações causa-efeito.”

 

Mas não acusavas o Big Bang de ser uma teoria cheia de bruxarias? Não me digas que o teu modelo também é...

 

Claro que não Mário. No meu modelo, da extrema simplicidade inicial resulta logicamente, sem nenhum truque na manga, nem coincidências, nem «bangs», nem acasos, nem hipóteses adicionais, duma forma que nós podemos entender passo a passo, uma complexidade, uma organização, muito maior do que se imagina.”

 

Deixa-te lá de conversas. O passeio no tempo já acabou?

 

Acabar? Não Luísa, isto foi só um saltinho no Tempo. Que tal irmos agora à procura do Fim dos Tempos?

 

 

publicado por alf às 02:40
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18 comentários:
De antonio a 25 de Setembro de 2008 às 11:10
Que se apaguem as estrelas, que existam outras terras, mas que o Céu seja único!
De alf a 25 de Setembro de 2008 às 12:14
Profético, António, verdadeiramente profético, verdadeiramente verdade.
De Metódica a 25 de Setembro de 2008 às 20:16
Ora viva!
Hm parece-me bem um passeio pelo fim dos tempos :)

Suponho também que nessa altura a atmosfera de Venos não seja problema que n se resolva com a tecnologia que teremos...
De alf a 26 de Setembro de 2008 às 02:46
Sê bem aparecida Metódica!

a atmosfera de Vénus? Já imaginaste como seria a atmosfera da Terra se a Terra estivesse à distância do Sol a que está Vénus? Eu digo-te: só o vapor de água produziria uma atmosfera de 270 atm; a temperatura superficial seria ainda mais alta que a de Vénus hoje (explico isso nos posts sobre a origem da vida, nomeadamente no «a dança dos planetas», no «outramargem»)

Portanto, Vénus tem uma atmosfera «fraquinha» - apenas 90 atm. Contrariamente à ideia que é passada, as condições «infernais» em Vénus resultam não da atmosfera mas da proximidade ao Sol. Tem muito CO2, o que é indispensavel à contrução de uma bioesfera - as plantinhas terrestres crescerão em grande velocidade em Vénus qd o planeta se tiver afastado o suficiente do Sol, criando grande depósitos de carbono e libertando oxigénio. A água é muito menos do que na Terra, mas há uns fenómenos que se encarregarão de aumentar a quantidade de água em Vénus.

Daqui a uns 3 milhares de milhão de anos, Vénus poderá estar cheia de vida... ao contrário da Terra...

(e o que é isso para um viajante do tempo? rsrsrs)
De Diogo a 26 de Setembro de 2008 às 22:17
«Fim dos Tempos?»

É, diacho! Para quem não sabe o que é o Tempo, estar a falar do fim dele(s)…
De alf a 27 de Setembro de 2008 às 01:25
você, melhor que muitos, deve saber o que se consegue saber de um assunto quando nos dedicamos a isso, não é verdade?
De Diogo a 27 de Setembro de 2008 às 10:37
È verdade, Alf. Mas não devemos tomar como certas, teorias que estão muito longe de estar comprovadas.
De alf a 27 de Setembro de 2008 às 20:42
Aí é que se engana; acontece que esta teoria do desvanecimento tem quase 20 anos. E durante este tempo todo, todos os testes cosmológicos deram sempre os resultados que o Desvanecimento previa. Resultados que são contrários às previsões iniciais do Big Bang, como o facto de a velocidade de expansão não diminuir.

Quando se descobriram os GRB (gamma rays bursts) pensava-se que tão intensas fontes energéticas eram necessariamente internas à nossa galáxia; eu disse que eram muito longíquas e riram-se; agora, a alguns pelo menos, atribue-se as origens mais remotas conhecidas.

As características da radiação dos quasares, a rotação e forma das galaxias e os seus movimentos relativos, tudo isso já está explicado pelo desvanecimento há quase duas décadas.

Mas mais do que descrever o que a observação já permitiu observar, o Desvanecimento traz fenómenos novos, que permitem, por exemplo, explicar porque é que o passado da Terra foi quente, saber que o CO2 não causa aquecimento global e muitas outras coisas - do passado, do presente e do futuro.

Por isso, para mim, o Desvanecimento está provado à exaustão. Evidentemente que voce não sabe isso, faz bem em duvidar, em discutir tudo o que eu disser - agradeço-lhe isso, só assim podemos chegar a algum lado de forma consistente.
De alf a 27 de Setembro de 2008 às 21:41
oops, presumi que se referia ao Desvanecimento.... se calhar era à Relatividade..
De Diogo a 27 de Setembro de 2008 às 12:55
O Tempo é a medida do movimento em função de outro movimento.

Digo que uma translação completa da Terra em torno do Sol (um ano) demora 365 (e picos) rotações da Terra em torno do seu eixo.

Digo que um carro foi de Lisboa ao Porto enquanto o ponteiro maior do meu relógio (dos minutos) deu três voltas no mostrador.

Um movimento só pode ser medido em função de outro movimento. Seja ele os movimentos dos ponteiros dos relógios, o escoar da areia numa ampulheta ou a vibração de um cristal. É a isto que chamamos Tempo.

Só existe Tempo se houver movimento.
De alf a 27 de Setembro de 2008 às 20:50
Diogo, não vejo desacordo com o que eu disse/penso.
O tempo resulta da velocidade e da distância. As distâncias - dimensão dos átomos -variam no quadro do desvanecimento; a velocidade - a velocidade da luz, que é a velocidade da interacção entre partículas - não varia. Por isso, o Tempo varia em simultâneo com o comprimento - L e T variam em simultâneo.

O facto de um corpo ter uma velocidade em relação a nós implica que nós vamos percepcionar uma sequência de posições desse corpo. Por isso, e não só, eu disse que que é percepção de acontecimentos não simultâneos que gera no nosso cérebro a percepção de «tempo».
De Diogo a 27 de Setembro de 2008 às 21:07
Alf: «O tempo resulta da velocidade e da distância»


Caro Alf, a velocidade é uma relação espaço/tempo.

O que você disse foi que o Tempo resulta do Tempo. Uma pescada de rabo na boca.

Importa-se de ler com mais atenção aquilo que escrevi?:

«O Tempo é a medida do movimento em função de outro movimento.»


Quanto à teoria da relatividade, estou ansioso!
De alf a 28 de Setembro de 2008 às 03:34
Diogo

Duas ideias diferentes, como dois corpos diferentes, não podem ocupar o mesmo espaço. Ou seja, se uma pessoa tem uma ideia sobre um assunto não consegue entender uma ideia diferente a menos que ponha a sua ideia de lado.

Eu disse que o tempo resultava da velocidade e da distância; mas não disse que a velocidade resultava do tempo e da distância. Claro que estando as tres coisas relacionadas, podemos sempre calcular qq delas a partir das outras duas; mas isso não é nenhuma pescadinha de rabo na boca, as relações de causalidade têm um só sentido.

Diz voce que «o Tempo é a medida..." ora aqui já estamos em discordância. O Tempo não é uma medida, pode ser um conceito ou uma grandeza - que podemos medir mas que não podemos confundir com a sua medida.

Bem, as discussões de teor mais filosófico são sempre muito dificeis, sobretudo num espaço limitado como este. Há imensas coisas a dizer sobre isto.

Quanto à teoria da Relatividade, será certamente um momento muito interessante! Vamos lá a ver se consigo chegar a ela antes do Natal!
De alf a 28 de Setembro de 2008 às 12:47
apesar do que digo acima, não acho que o seu entendimento esteja errado - apenas precisará de algum amadurecimento.Está no caminho, o ponto de chegado ainda não é bem aqui, e um pouco mais à frente.

Suponho que este «passeio no tempo» pode ajudar a clarificar ideias sobre o «Tempo»; mas é ainda apenas um passo, qd tratarmos da Relatividade vamos entender outros aspectos. Depois de termos esse panorama mais completo estaremos em melhores condições de responder à sua questão « o que é o Tempo?»
De Diogo a 28 de Setembro de 2008 às 21:08
Alf: «Eu disse que o tempo resultava da velocidade e da distância; mas não disse que a velocidade resultava do tempo e da distância. Claro que estando as três coisas relacionadas, podemos sempre calcular qq delas a partir das outras duas; mas isso não é nenhuma pescadinha de rabo na boca, as relações de causalidade têm um só sentido.»


A velocidade é fruto da relação Tempo/Espaço. Portanto, o que você disse foi que oa velocidade resultava das variáveis Tempo-Tempo-Espaço. Não há três coisas relacionadas. Há duas.

Alf, think, please...


De Metódica a 26 de Outubro de 2008 às 16:13
Humm...
Afinal tinha ficado aqui :P

Lembri-me agora de uma coisa... segundo o que estudei Vénus está a diminuir a actividade geológica n é...
De alf a 26 de Outubro de 2008 às 18:15
Metódica

Hehe.... eu compreendo que isto seja um bocado penoso para quem tem outras coisas mais prementes em que ocupar a cabeça... está cada vez mais dificil a vida de estudante...

Vénus deve estar a diminuir a actividade geológica - os planetas vão arrefecendo no interior, mais quente que o exterior.... só há actividade geológica enquanto houver rocha fundida... mas esta possibilidade de colonização de Vénus é só daqui a muito, muito tempo!
De Metódica a 26 de Outubro de 2008 às 21:33
Este ano esta melhor... menos disciplinas mas msm assim mt trabalho. Não me posso queixar pq estou a estudar maioritariamente o que gosto :)
E não se preocupe... eu velho atrasada mas venho =D
Digamos que estamos perante uma relatividade temporal eheh

Humm isso quer dizer q a tecnologia nessa altura nos premitirá habitar Vénus...

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