Sábado, 13 de Setembro de 2008

Semivida

 

 

O tempo de semivida da matéria? Ah, mas isso é fácil, já disseste que era ln2/H0 ou seja, 0,69/H0; como o valor de 1/H0 é 13,7 mil milhões de anos, isso dá...” Mário ergue o olhar enquanto aplica mentalmente a tabuada, “ uns 9,5 mil milhões de anos...

 

Mário, acertaste nas contas, mas o resultado não é esse!

 

Então???

 

O valor de H0 que estás a usar é obtido no quadro do modelo Lambda-CDM; há outro valor menos popular mas igualmente válido sob qualquer critério científico.”

 

Referes-te ao valor do Alan Sandage, é claro... suponho que ele obteve H0=55km/s/Mpc, é isso?

 

Isso mesmo Mário. O Desvanecimento permite determinar H0 sem ser apenas pela relação entre desvio espectral e distância, como veremos mais tarde; por agora, vou considerar que o valor actual da constante de Hubble é da ordem dos 50 km/s/Mpc, o que corresponde a um valor do tempo de semivida de

 

  Semivida da Matéria= 14 mil milhões de anos

 

isto sem considerar casas decimais, pois tal precisão nesta altura seria fantasia.”

 

Mas então o valor do tempo de semivida da matéria no Desvanecimento é da ordem de grandeza da idade do Universo para o Big Bang... é uma coincidência ou tem algum significado?

 

Entenderemos isso quando fizermos o nosso passeio temporal em direcção ao passado; por agora vamos construir os cronómetros da nossa Cápsula do Tempo.”

 

Jorge abriu uma folha de cálculo no seu PC e traçou, na mesma coluna, duas janelas de uma célula cada. Sobre a de cima escreveu: Tempo de Referência. Sobre a de baixo: Tempo Atómico. Na de baixo entrou uma fórmula.

 

Que fórmula é essa?” interroga o Mário que observa atento o que o Jorge faz

 

É a Fórmula do Tempo. Esta fórmula permite-nos saber o Tempo Atómico. Para passearmos no Tempo introduzimos na janela de cima o Tempo de Referência que queremos e na janela de baixo aparecerá o Tempo Atómico correspondente, queres ver?” Sem esperar resposta, Jorge escreveu «14» na janela do Tempo de Referência; na outra apareceu «20».

 

Daqui a 14 anos no Tempo de Referência um relógio atómico marcará 20 anos??

 

Jorge solta uma gargalhada. “14 mil milhões de anos!!!! Daqui a 14 mil milhões de anos medidos com a actual unidade de tempo, os relógios atómicos terão avançado 20 mil milhões de anos! Deixa-me escrever as unidades ao lado das janelas para evitar confusões. Ah, já me esquecia, falta ainda a janela do valor do Desvanecimento.” Jorge desenhou mais uma janela por baixo das outras duas e introduziu-lhe uma fórmula; o valor «0.5» surgiu de imediato.

 

 

 

 

Mas isso são números enormes! Não dizem que o Sol só dura mais uns 5 mil milhões de anos?” admirou-se a Luísa.

 

Enormes? Luísa, nem imaginas o tempo que o Tempo tem!... tanto para o Futuro como para o passado... vamos começar o nosso passeio?

publicado por alf às 01:53
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4 comentários:
De antonio a 14 de Setembro de 2008 às 14:26
O tempo tem realmente muito tempo, tem espera e antecipação, desespero e esperança, futuro e passado. Foi assim que Deus o criou, para nosso uso exclusivo, subordinando-nos a ele quando nos falha a sabedoria.

Mas o que o tempo não tinha era desvanecimento, o homem será sempre uma besta insatisfeita.
De alf a 15 de Setembro de 2008 às 17:31
Exactamente António, a Bíblia não refere o Desvanecimento porque a Bíblia trata do conhecimento do Homem e não do conhecimento do Universo. Por isso não refere também o movimento da Terra ou a evolução das espécies.

Mas há outros escritos antigos que tratam do Universo; e nesses, espantosamente, podemos «lêr» o fenómeno do desvanecimento.

Mas é claro que esta leitura só se torna clara para quem já sabe do que se trata; talvez porque, como Newton disse, «Deus» deixou as coisas escritas não para que o Homem as entendesse mas para que, depois de elas acontecerem, ele pudesse perceber que outro conhecimento mais poderoso as tinha escrito.
De antonio a 15 de Setembro de 2008 às 22:25
Todos os tempos, da sua forma, tiveram um profeta.
De alf a 19 de Setembro de 2008 às 13:50
... mas não somos todos profetas?

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