Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

A Idade do Universo

 

 

 

evolução do universo segundo o Big Bang. Cortesia da NASA

 

 

Jorge, o mais provável é que ninguém ria e tu fiques abatido quando perceberes que a tua teoria não se aguenta...” o Mário subitamente sério, percebo que a preocupação dele é genuína.


Mário, não é como tu pensas... as minhas teorias não são meras interpretações alternativas... embora não possas entender-me por agora... espero conseguir deslumbrar-te com as novas alamedas do Conhecimento que te vou mostrar!


Jorge, a remota hipótese de teres razão ainda é pior do que estares enganado ... não esperes que aqueles que, parafraseando Tolstoi, teceram o seu conhecimento, fio a fio, na fábrica das suas vidas, venham alguma vez a aceitar outro conhecimento! Mas está descansado que eu não sou desses!


Eu sei Mário, as novas ideias incendiam de fascínio o teu olhar, por isso é que eu estou a tentar fazer de ti um apóstolo!


Segue lá com o teu raciocínio e deixa-te de bacoquices.”,  o olhar do Mário traduz uma mal disfarçada expectativa.


Ana, como poderíamos calcular a idade do Universo?


Ana fica um pouco pensativa mas não demora a encontrar uma solução: “Se sabemos a que distância está uma galáxia e a velocidade a que se afasta de nós, é disso que a constante de Hubble trata, basta dividir a distância pela velocidade para obtermos o tempo desde que ela e nós estávamos no mesmo ponto..


Isso mesmo Ana! Desde, é claro, que admitamos que essa velocidade não variou, ou seja, que a constante de Hubble é mesmo constante.


Mas se escolhermos outra galáxia a outra distância não obtemos outro resultado?


Não Luísa, porque a velocidade de afastamento é proporcional à distância – dobro da distância, dobro da velocidade, mesmo tempo. É essa exactamente a característica da Lei de Hubble, que sugere uma origem comum para todo o Universo.


Então, e qual é a idade do Universo afinal?”, a Ana com os grandes olhos silenciosamente expectantes.


Como disseste Ana, é a distância a dividir pela velocidade, o que é o inverso da constante de Hubble; pelas contas do Mário será o inverso de 2,5x10-18 , ou seja, 4x1017 segundos.”


Não sejas chato, quanto é isso em anos?


Teria de fazer as contas a quantos segundos há num ano, mas não vale a pena porque sei qual é o valor oficial da idade do Universo, estabelecido no quadro do modelo actualmente favorecido: 13,7 mil milhões de anos!


Ahh, pensei que fosse muito mais... isso é apenas 3 vezes a idade da Terra...


Muito poucochinho, não é?


Mas então, qual é a idade da nossa galáxia?” Um brilho de dúvida escapa-se dos olhos da Ana.


Deixo ser o Mário a enfrentar o problema; ele hesita mas responde:

Pensa-se que as estrelas mais antigas da nossa galáxia, que existem numas formações chamadas aglomerados globulares, tenham a idade de 12,7 mil milhões de anos.


Uma diferença de mil milhões de anos para a idade do Universo... foi rápida a formação de galáxias e estrelas... não tinha ideia...


Mário, parece que tens de esclarecer melhor essa resposta...


Bem, isto tem uma história. Primeiro, os cientistas que estudam as estrelas chegaram à conclusão que as estrelas mais antigas da nossa galáxia poderiam ter até 17 mil milhões de anos; em consequência, consideraram que o Universo teria de ter no mínimo 18 mil milhões de anos. Ou seja, acrescentaram uma unidade ao seu número, de 17 para 18, aqui não há precisão de décimas, querendo apenas significar que o Universo tem de ser mais antigo que a estrela mais antiga.


Então esse milhar de milhão de anos não é um valor calculado?


Não. Por outro lado, os astrónomos que trabalham com os modelos cosmológicos chegaram à conclusão, a partir da constante de Hubble, de que a idade do Universo será muito menor, actualmente é de 13,7 mil milhões de anos.


Ahh, estou a perceber”, interrompe a Luísa, “ então subtraíram o tal milhar de milhão de anos e obtiveram 12,7 mil milhões de anos para a idade máxima das estrelas, tal como os outros tinham obtido 18 mil milhões para idade mínima do Universo!


Mais ou menos Luísa. Há um conflito latente entre os dois cálculos de idade do Universo. Naturalmente, os astrónomos procuram resolver o conflito; assim, sucessivas descobertas e métodos de calcular a idade das estrelas têm surgido, conducentes a idades estelares compatíveis com a idade cosmológica do Universo. Claro que já sei que o Jorge poderá argumentar que se escolheram os métodos que conduzem à idade conveniente e se desprezaram os outros. De qualquer forma, o que parece evidente é que a idade das estrelas antigas é muito próxima da idade do Universo; actualmente, considera-se que as primeiras estrelas surgiram apenas 400 milhões de anos depois do Big Bang.


Esta dificuldade e outras levam a inventar fenómenos tão absurdos como a Inflação no início do Universo. Mas isso não admira porque o modelo do Big Bang é necessariamente incompatível com a Matéria e as leis desta.


Ena, mas que afirmação bombástica! Que disparate é esse agora?


Repara Mário, o modelo de Ptolomeu considerava que toda a matéria estava na Terra, que ela não podia existir no céu; porque é que era assim?

 

publicado por alf às 17:50
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4 comentários:
De anonimodenome a 19 de Agosto de 2008 às 09:38
olá jovens.
segundo o bom-senso e a teoria oficial as estrelas mais velhinhas deviam estar em lares da 3ª idade.
mas, de acordo com este link recente http://www.astronomynow.com/Oldglobularclusterssurprisinglyyoung.html
elas preferem manter-se em ambientes mais próprios de adolescentes. Discoteca.
O mainstream tem aqui lenha para se queimar, mas o problema vai ficar convenientemente escondido debaixo do tapete. É grande o tapete...

Quanto à incompatibilidade do modelo do BB com a Matéria, confesso que estou tão cego como todo o mundo.
Parece mais fácil a última pergunta. Arrisco que talvez fosse da natureza da matéria 'cair' na superfície da Terra e só a luz (e os espíritos) não caíam.

Parece que o Mundo está a levar a cena o espectáculo 'Ensaio sobre a Cegueira' de José Saramago, e está no ponto culminante em que estão todos cegos, excepto um personagem.

um abraço.
De alf a 19 de Agosto de 2008 às 13:53
olá anonimodenome

Rejuvenescido com a vida de discoteca das velhas estrelas? Pois claro, quem quer lares de 3º idade, que mantem vivos os corpos mas onde o espírito morre à entrada?

Esta notícia tem a ver com o seguinte: a evolução prevista dos aglomerados globulares é um pouco como a duma estrela, por ser um pedaço de matéria gravitacionalmente dependente sobretudo dele próprio - tem uma fase de baixa densidade, depois outra em que se contrai, oscila, expande; a teoria clássica dizia que se encontravam na última fase, no tal lar de 3ºidade; este estudo vem dizer que se encontra numa fase anterior.

Isto não tem a ver directamente com a idade das estrelas mas tem indirectamente; é que ao pretender que os aglomerados globulares não tenham mais de 13 mil milhões de anos, para não serem mais antigos que o «universo cosmológico», fica complicado explicar como é que eles já podem estar na última fase, as emulações exigem mais tempo do que isso. Então, a primeira solução foi recorrer à «solução exótica» do costume - buracos negros. A alternativa é considerar que afinal não estão última fase - é o que este estudo pretende concluir.

Portanto, isto encaixa no processo de tentar levar a idade das estrelas a caber na idade cosmológica.

A resposta que apresentas à pergunta foi a justificação apresentada para o «facto» de não poder haver matéria no «céu»; mas há uma razão observacional objectiva que implica que não poderia existir matéria no céu, independentemente de quaisquer raciocínios à posteriori ou considerações mais ou menos filosóficas sobre a «natureza profunda» da matéria.

A incompatibilidade do BB com a matéria é indiscutível. A presença de matéria no modelo é um incómodo, reduzido à expressão ínfima, cujos efeitos são ainda anulados pela energia negra; e para calcular o movimento dos corpos no sistema solar, incluindo o dos satélites, as equações do BB não entram.
De antonio a 23 de Agosto de 2008 às 15:38
Ptolomeu tinha razão, a vida material não pertence ao Reino dos Céus... quanto à origem do Universo, lá na empresa tenho uns colegas que de tão velhos foram seguramente contemporâneos do BigBang , se quiser eu pergunto-lhes, alguns ainda estão suficientemente lúcidos para se lembrarem.
De alf a 23 de Agosto de 2008 às 18:42
Se esses colegas são tão velhos como o BB, então a sua idade deverá ser próxima da semivida da matéria... humm, não convém pensar muito nisso...

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