Domingo, 20 de Julho de 2008

O Princípio da Relatividade é a primeira pele de Maya

 

Mário, o Big Bang, apesar de ser uma teoria ingénua, introduz algo de muito importante: a compreensão de que a matéria não tem uma idade infinita. Já consciencializaste bem isto, de que a matéria não existe há uma eternidade, mas apenas há uns quantos milhares de milhões de anos?”


Sim... não estou a perceber onde queres chegar...


O campo de uma partícula não se estabelece instantaneamente, pois não?”


Pois não, o campo propaga-se com a velocidade da luz...


Então...?”


Ah, creio que estou a entender-te... os campos das partículas vão crescendo ao longo do tempo...”, os olhos do Mário incendeiam-se, “no início o campo teria uma alcance nulo, e foi crescendo sempre, à velocidade da luz, continua a crescer hoje e continuará a crescer no futuro... é a soma da energia da partícula e do seu campo que tem de ser constante, não é a energia da partícula!!!!


Mário estava siderado. Luísa e Ana expectantes.


Pois claro, a energia da partícula alimenta o campo... a partícula descarrega-se para o campo como um condensador descarrega a sua carga eléctrica...


Um condensador? O que é isso?


É um dispositivo que acumula carga eléctrica.”


Uma bateria?


Algo mais simples Ana, onde não existem processos químicos; mas podes pensar em baterias. A energia de uma partícula será como a carga de uma bateria: no início, está com carga plena, mas vai-se descarregando ao longo do tempo para alimentar o contínuo crescimento do campo. Tens aí certamente um ponto, Jorge. Porém, isso implicaria duas coisas!” Mário com um ar algo triunfante.


O quê?”


A primeira é que os modelos actuais do Universo teriam de estar errados, porque são baseados na invariância da matéria; teria pois de existir uma enorme discrepância entre a teoria e as observações.


Mário, os modelos actuais são como o modelo de Ptolomeu. São modelos da APARÊNCIA da realidade. O modelo de Ptolomeu acertava com os dados da época tal como eles eram obtidos da observação. Podemos sempre fazer modelos matemáticos de qualquer conjunto de dados.”


Nas filosofias indianas existe o conceito de Maya, que cria a ilusão do mundo físico e nos esconde a percepção da verdade sobre o Universo, ou Brahman; de certa forma, o que estás a dizer tem paralelo neste conceito, é como se os modelos Físicos fossem modelos da aparência gerada por Maya e tu queres romper esse véu para alcançar a verdade acerca do universo...” Luísa sorri-se, mas o seu sorriso tem agora um brilho diferente, é uma luz quente de admiração, e não apenas um rasgo de alegria.


Excelente comparação Luísa! O conceito de Maya existe na ciência, e foi introduzido por Galileu: é o Princípio da Relatividade!!!!” Pauso, esta afirmação precisa de tempo para ser percebida. Não comentam, esperam que eu continue:


Antigamente, as propriedades gerais da Natureza eram personalizadas como deuses, como na mitologia grega, pois o conhecimento tinha a forma de «religião»; hoje, a Física não usa «deuses», usa «princípios», como o da Relatividade, o princípio da Acção Mínima, o princípio Cosmológico e outros. O Princípio da Relatividade é a poderosa ilusão de que estamos em repouso no centro de um Universo eterno e imutável.”


Então a Física também tem uma Mitologia!”, o sorriso de Luísa abriu-se mais e eu estou a sentir-me estranhamente atraído.


De certa forma, podemos dizer isso, sim”, assenti, “mas devo dizer-te que o Princípio da Relatividade é só o primeiro véu da Aparência, a primeira pele de Maya. Não é a Verdade que eu tento alcançar, nem imagino o que possa ser, apenas quero ultrapassar a primeira camada.”


Vocês estão a falar de cebolas?”, o Mário ri-se, interrompendo a ponte de olhares que se estabelecera entre mim e a Luísa e me suspendera. Noto o olhar silencioso da Ana. “Vamos à segunda consequência de considerar que a partícula é a fonte do campo: se assim fosse, a diminuição da energia das partículas deveria seguir uma lei exponencial, pois essa é a lei de descarga de um circuito desse tipo!


Lei exponencial? O que é isso?


Significa que a energia da partícula se deve reduzir a metade em intervalos de tempo iguais; esse intervalo de tempo tem o nome de semivida do processo. Os materiais radioactivos têm um comportamento deste tipo. Por exemplo, o Urânio 238 tem um tempo de semivida de 4,5 mil milhões de anos, o que significa que uma determinada quantidade desse Urânio se reduz a metade ao fim de 4,5 mil milhões de anos, a ¼ ao fim de 9 mil milhões de anos, etc. Estás a perceber?


Isso quer dizer que o Urânio que existe hoje na Terra é metade do que existia na Terra inicial?


Isso mesmo. Já vi que percebeste!


Mário, acabaste de dar um contributo importante: definiste qual deve ser a lei do desvanecimento: será uma lei exponencial! A lei que surge como a(t) na tabela da evolução das grandezas será uma lei exponencial. Mário dixit!


Mário corou ligeiramente, “Sim, mas as obervações têm de estar de acordo com isso, ou as tuas ideias estarão erradas.


Vamos ver se é assim ou não. E vamos saber qual é o tempo de semivida da matéria, ponto de partida para sabermos muitas outras coisas sobre o Universo.”


 

 

publicado por alf às 00:36
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21 comentários:
De alf a 20 de Julho de 2008 às 01:01
Ao Leprechaun, um agradecimento por me ter feito perceber o paralelo entre o Princípio da Relatividade e Maya

Ao Curioso, os parabéns: acertou!
De leprechaun a 20 de Julho de 2008 às 08:12
Maya?! Aquela astróloga muito na moda e elegante?! ;)

Bem, eu só sei que continuo tão deslumbrado com esse portentoso edifício mental, que é a "maya" universal, como quando pela 1ª vez li uma tal descrição, algures na adolescência.

This is not what it seems... we're just living in a dream!

Depois, os orientais eram introspectivos e buscavam o universo dentro de si próprios. Creio que eram peritos em identificar os bugs da mente e temos ainda muito que aprender com eles!

Seja como for, de um modo mais aldrabado e talvez confuso, eu também segui essa linha de raciocínio do Curioso, só não percebo como surge assim do nada essa perturbação do meio, mesmo considerando que ele é dinâmico e não estático, claro.

Isto já para não falar de onde vem o próprio meio e qual é a sua natureza.

De resto, e como andei a ler algo sobre as teorias holográficas do universo, que parece andam muito na moda, esta concepção do Desvanecimento também se afigura muito a 2 dimensões, ou seja, cada partícula pode ser localizada por duas coordenadas. Pelo menos, é mais fácil imaginar um universo plano e se os sábios até dizem que é o nosso cérebro que o processa a 3 dimensões... seja! :)

Humm... e todas as partículas têm necessariamente um campo? Gravítico e electromagnético?! E têm de desvanecer ou consumir-se para o manter? Se assim for, continuo a não perceber porque ninguém intuiu isso até agora, a ideia parece muito simples, de facto...

Por fim, claro que os modelos físicos apenas descrevem a realidade tal como a percebemos, isso não é novidade. O próprio Hawkings o afirma:

Uma teoria não é mais do que um modelo do Universo, ou de uma parte restrita deste e um conjunto de regras que relacionam quantidades do modelo com as observações que praticamos. Existe apenas na nossa mente e não tem qualquer outra realidade, seja o que for que signifique.

E mais ainda:

Uma teoria é boa quando satisfaz dois requisitos: deve descrever com precisão um grande número de observações que estão na base do modelo, que pode conter um pequeno número de elementos arbitrários, e deve elaborar predições definidas sobre os resultados de observações futuras.

Bem, fiquei com vontade de prosseguir essa leitura da "Breve história do tempo", que sei lá se ainda estarei por aqui quando surgir o livro do Desvanecimento!

O certo é que subrrepticiamente já ando a inculcar por tudo quanto é sítio que talvez isto não seja tanto assim como parece... Até me inscrevi ontem de propósito no Orkut para espreitar os sites de Física! Tschhh... faço de terrorista ou agente infiltrado, e está o pânico instalado! ;)

Ainda me desvanece é o miolo...

Rui leprechaun

(...lá nalgum tropical colo! :))
De alf a 20 de Julho de 2008 às 15:53
O Curioso acertou beneficiando das várias contribuições, é claro - foi um trabalho de equipa. ele deu o último passo. O mérito é repartido!

Tal como uma superfície esférica pode ser aproximada por uma plana numa vizinhança muito menor que o raio da esfera, também o nosso universo na nossa vizinhança pode ser aproximado por um espaço a 3 dimensões, mesmo que não seja esse o seu número de dimensões.

Na verdade, tão longo quanto podemos alcançar, não encontrei ainda a mínima indicação de que o Universo não se inscreva num espaço a 3 dimensões. Ou seja, não preciso de mais de 3 dimensões para explicar todas as observações.

Porque é que a Física não percebeu que a matéria tem de devanecer? Porque a Física só raciociona em função das evidências observacionais e não em função da lógica. Onde está a evidência de que a matéria se desvanece? A primeira está no desvio para o vermelho da luz distante, mas isso suporta outras explicações de acordo com o que já era conhecido.

Mas a verdadeira razão é muito simples: nunca ninguém se lembrou disso! Como nunca ninguém reparou que os campos de forças crescem indefinidamente. Como nunca ninguém reparou em mais uma enormidade de coisas fundamentais que nós iremos descobrindo.

Porquê?

Ora, porque Maya não deixa...

A definição de Hawkins aplica-se ao modelo de Ptolomeu, não é verdade? O que o Hawkins pensa, que é o que os Físicos «mainstream» pensam, conduz sempre a modelos como o de Ptolomeu - são modelos da «Maya», modelos da Aparência... mas Deus é subtil, e esses modelos não conduzem a Ele...
De leprechaun a 20 de Julho de 2008 às 10:50

Ora bem agora estou nos buracos negros, uma espécie de big bang ao contrário. Ah, mas eu leio tudo muito desconfiado, afinal esta malta lá dos paradigmas antigos não sabe tanto como a gente, homessa! :)

Depois, se eles se formam por acção da força gravítica, que até supera a repulsão electromagnética, há que introduzir o novo conceito da diminuição dessa atracção da gravidade, afinal, pelo lento desvanecimento das partículas. Logo, desconfio que isso é mais science-fiction que outra coisa qualquer...

Hummm... mas deixa lá ver uma coisa. As tais ondas gravíticas e luminosas não têm massa e a energia das primeiras é infinitesimal, logo fiquemos só com o fotão. Este pode ser emitido quando um electrão perde energia ao cair numa órbita mais próxima do núcleo. Por outro lado, pode também captar um fotão e voltar ao estado inicial. Mas o campo electromagnético é emitido continuamente, tal como o gravítico. E aqui a energia é já mais considerável. Ora assim sendo, parece de facto lógico que uma partícula tenha de perder massa ao emitir energia e assim se desvaneça.

Mas claro que é impossível a física clássica ou a quântica não saberem isso, homessa! Há por aqui alguma subtileza que me escapa, ou não tarda muito e ainda penso que sei mais do que o Hawking, querem lá ver?! ;)

O certo é que o próprio conceito de partícula-onda parece ser uma boa baralhada e já o Feynman dizia que não havia ninguém que compreendesse a mecânica quântica. Bem, o astrofísico inglês Arthur Eddington sempre tinha um melhor conceito de si próprio, vá lá. Quando um dia um jornalista lhe perguntou se era verdade que só 3 pessoas em todo o mundo compreendiam a relatividade geral, fez uma longa pausa e então disse: "Estou a tentar ver se me lembro quem é a terceira pessoa".

Not me... estou inocente! :)

Mas deve haver aqui qualquer coisa que não bate certo, lá com toda esta história de campos e partículas. O campo vai crescendo à velocidade da luz, mas isso não implica nenhum aumento de energia... ou sim?! Bem, sem matemática não me safo, está visto. Seja como for, se a emissão de ondas de uma partícula é contínua, em quanta bem definidos, então claro que a partícula perde massa e isso traduz-se na equação da relatividade. Logo, como é possível que tal possa ter escapado a todos os físicos até hoje, não faz sentido!

Enfim, mais um domingo em que vou passar o tempo a pensar nisto, o que aliás é mais ou menos a mesma coisa que imaginar o tal colo tropical... só fantasia ideal! ;)

Por outro lado, o ovo de Colombo parece fácil depois da gente saber o truque, só que eu ainda não estou inteiramente desvanecido! Claro que falo como se tudo fosse verdade sagrada, mas aqui a mente dura 'inda está desconfiada!

Partícula... onda... campo?...

Rui leprechaun

(...ná! eu prefiro um colo branco! :))


PS: Ah! E o neutrão?! Esse não tem campo electromagnético, só o gravítico e o nuclear. Mas o que agora me intriga é saber se todas as diferentes partículas têm o mesmo tempo de semivida, ou seja, o grau de desvanecimento é igual para todas elas.

Isso suporia talvez uma partícula fundamental que constituísse todas as outras, como o tal quark saboroso e bem cheiroso! :D
De alf a 20 de Julho de 2008 às 16:28
A Maya é mesma tramada... como ela engana os ingénuos humanos... campo gravítico, campo eléctrico, campo magnético, força nuclear forte, força nuclear fraca... não serão campos a mais???

Dualidade onda-partícula? eheh, são uns místicos estes humanos!

Como já indiquei em posts anteriores, o que é quântico não é a natureza da luz, é o processo de emissão e absorção. Não há fotões! isso é humana invenção!

As partículas serem constituídas por «quarks»? Pois vou fazer-lhe uma revelação: é o «medium» que é constituído por quarks!!!! E esta, hem!?!! Mais uma que não ocorre às humanas mentes - talvez a mente de um gnomo seja necessária para alcançar o que Maya esconde aos humanos...


Mas nós não vamos caminhar para o mundo subatómico, agora o nosso percurso é para o outro lado, primeiro temos de entender o munco macroscópio, não é?

No neutrão pode pensar como uma associação de um electrão e um protão; assim, o universo das partículas fica reduzido a apenas duas: electrão e protão. Partículas sem massa são invenções humanas, as outras são perturbações instáveis, não são «partículas».

E o protão e o electrão desvanecem-se exactamente da mesma maneira. Simples não é?

A mecânica quântica não tem grandes mistérios se percebermos que se trata de um modelo matemático de uma realidade que é quântica no seu comportamento mas não na sua natureza. Mas isso fica para outra altura, agora temos é de perceber as nossas observações do universo distante, o passado e o futuro nosso e do universo
De leprechaun a 20 de Julho de 2008 às 19:59
No neutrão pode pensar como uma associação de um electrão e um protão; assim, o universo das partículas fica reduzido a apenas duas: electrão e protão.


Mas que grande simplicidade, ó mestre! Bem assim talvez até eu possa começar a aprender qualquer coisita, veremos... :)

Pois nas tais estrelas de neutrões, estes são formados justamente por um protão e um electrão que se fundem... confere!

Sendo assim, recuamos então ao modelo atómico de Rutherford? De facto, foi aquele que aprendi e é bem mais simples do que toda esta balbúrdia actual onde parece que ninguém se entende!

Ora então, os tais ciclotrões e maquinetas gémeas conseguem até decompor o medium ou aether de modo que isso de bosões e fermiões e leptões e demais baralhações não são partículas autónomas mas características do tal misterioso meio rígido? (Humm... e de onde veio ele? É eterno como Deus?!)

realidade que é quântica no seu comportamento mas não na sua natureza.

Pois será, ó meu pastor e babá! :) Mas isto de conhecer um novo Galileu ainda não entrou cá no bestunto meu! Ná, sou o aluno mais atrasadito da classe... ou confuso, o que vai dar ao mesmo! Logo, se eu perceber isto... sabe-se lá quando!... é garantia que toda a gente vai conseguir desvanecer!

Enfim, salvo os sábios excessivos , talvez, esses já devem estar tão enredados nas altas matemáticas que estão para além de toda a salvação... ;)

Seja como for, isto até me está a soar a muito oriental, sim! Protão e electrão... yang e yin, perfect! De resto, são tudo vibrações primordiais ou o sagrado Om em várias combinações harmónicas, por assim dizer. Aliás, a própria teoria das cordas aponta nesse sentido, o que sempre é encorajador...

Ai! mas quanto eu não daria para ter uma bela professora particular que me explicasse tudo isto, tintim por tintim, a mim! E tola dura e lenta como sou, iria demorar anos e anos e eu todo contente com as mil lições da mais linda gente! (Claro que ninguém era assim tão paciente... ;))

Sim, que até o protão é mais inteligente...

Rui leprechaun

(...que um espírito mui oco e indigente! :))
De curioso a 20 de Julho de 2008 às 20:57
Olá a todos...

Aqui está uma prova que o conhecimento é feito através de pequenos passos...

Se tivermos alguns conhecimentos e usarmos correctamente essas informações podemos tirar conclusões novas acertadas, diferentes de tudo o que conhecemos...

Só consegui chegar à resposta correcta quando alguém escreveu que as partículas alteram o meio à sua volta. Já sabia isso mas se não me tivessem chamado à atenção nunca teria respondido correctamente ao desafio...

Amigavelmente

Curioso


Ps: Penso que o próximo desafio ainda é mais aliciante... Calcular o tempo de meia vida da matéria... No próximo comentário vou tentar dar um valor aproximado para o tempo em que a matéria desvanece para metade com cálculos extremamente simples...
De alf a 21 de Julho de 2008 às 00:42
É isso mesmo, é como uma corrida de estafetas quando temos uma equipa, que foi o que aconteceu, ou é um caminhar solitário, um passinho de cada vez, sem pressas nem desistência, se não temos quem nos acompanhe...

Corajoso curioso, fico à espera da sua resposta. A primeira tentativa é a mais dificil! Mas é a que abre o caminho...
... e eu estou curioso porque ainda não sei como se pode chegar ao resultado com «cálculos extremamente simples»; ainda tenho de amadurecer a forma de apresentar a solução
De leprechaun a 20 de Julho de 2008 às 21:24
Tenho trabalhado muito em buracos negros, e todo o trabalho estaria perdido se acabássemos por verificar que não existem.

Boa piada, esta confissão do Hawking! E como o Big Bang é um buraco negro ao contrário, não me digam que o homem desperdiçou o seu talento em vão... oh não!

Such observations have resulted in the general scientific consensus that – barring a breakdown in our understanding of nature – black holes do exist in our universe.

Pois esse é um grande "se", de facto. Depois, a descrição dos buracos segundo a relatividade NÃO é a mesma que a da mecânica quântica, a qual não possui sequer nenhuma teoria da gravidade quântica. Por outro lado, o Einstein torcia o nariz a essas escuridões... tal como o nosso Alf luminoso... humm...

Ora então a quântica não presta... tschh, tão mística que ela é, e agora o que me resta?! Mau, mau... andei eu aqui todo contente tantos anos, tão feliz da vida a anunciar aos 4 ventos que tudo é maya e nada existe sob a ilusória saia! :)

Atoms and molecules are probably nothing else than bits of information, made out of vaccum. Thoughts and feelings have the power to change that information.
This is something so fundamental and essential. Because when we realize this, we become aware of the fact, that we create our own reality each and every day in our lives.
We can have, be or become anyone we want.


Oh! isto é tão doce e poético!!! A consciência acima da ciência... mas que ideal tão ético! :)

E vem agora este desmancha prazeres do desvanecido a voltar ao velho realismo... eu quero é ilusionismo! O que vale é que sou mesmo tão ignorante e pateta, ou um vero catavento, que o velho abandono e no novo mundo entro!

Enfim, como até já se fala de maya e que o universo é inteligente, pode ser que eu consiga subverter isto um bocadinho e regressar ao fofo oriental ninho!

Mais a Lemúria e tudo o que se perdeu...

Rui leprechaun

(...no campo unificado, ó mais alto Prometeu! :))


PS: Ó Curioso, eu já sei a resposta... vai uma aposta?! Digamos que é a "little sweet teen"... if you know what I mean! ;)
De alf a 20 de Julho de 2008 às 23:52
Leprechaun, respondendo a várias coisas que reflete nos comentários anteriores, queria frisar algumas coisas.

Uma é que modelo físico não é apenas um modelo matemático que acerta com as observações; um modelo físico, como o do Desvanecimento, é um modelo que conecta logicamente todas as observações conhecidas relevantes e não contém qualquer ente físico hipotético.

Repare, o Big Bang tem matéria negra e energia negra, que são entes hipotéticos, bem como propriedades hipotéticas, como a inflação.

O modelo de Ptolomeu também continha entes hipotéticos, os epiciclos.

O Modelo de Newton, ao contrário, não contêm quaisquer entes hipotéticos, sendo logicamente conexo, fechado, sem pontas soltas, sem exclusões ad hoc. Este é um modelo físico. Tal como o Desvanecimento o é.

Este post serviu para tornar «lógica» a natureza exponencial da lei do desvanecimento, coisa que não é formalmente necessária nem é por essa razão que o modelo do Desvanecimento considera que ela é exponencial - é simplesmente porque essa é a lei que acerta com as observações.
Porque o verdadeiro objectivo deste post é deixar aqui um ponto de ancoragem para mais tarde, se a tanto me ajudar o engenho e a arte, a paciencia dos meus leitores e a minha vida ainda durar, aqui voltar para iniciar um percurso em direcção ao mundo subatómico. Por agora, vamos tratar de conectar todos os factos do universo exterior.

O Universo é um lugar cheio de magia. O facto de haver factos que podemos modelar não significa que ele se limite a eles. Não se esqueça que eu tenho um post em que pergunto quantos sentidos temos; e não pense que o que está escrito na margem direita do «outra margem» é fantasia minha - pelo contrário, peca por defeito.

Só que é a magia dele, não é a magia dos nossos desejos. Não fomos nós que fizemos o universo, foi ele que nos fez a nós. Não o inventemos de acordo com as nossas conveniências. Escutemo-lo.
De curioso a 20 de Julho de 2008 às 22:19
Rui ...
Então lança lá o valor para ver se as minhas contas estão correctas...

Não entendi bem a história da "little sweet teen"... mas como poeta sou mais ou menos um calhau com olhos...

Curioso.
De curioso a 21 de Julho de 2008 às 01:58
Alf ...

Obrigado pelo encorajamento...

Vou tentar explicar o meu raciocínio passo por passo. Cá vai a primeira tentativa:

1º Determinar o tempo de meia vida da matéria é equivalente a determinar o tempo necessário para uma determinada radiação passar o seu comprimento de onda para o dobro (para nós observadores atómicos).

2º Partindo da definição de redshift (z), como sendo a variação do comprimento de onda em função do comprimento de onda inicial, podemos facilmente concluir que uma radiação que tem uma idade equivalente ao tempo de meia vida da matéria terá z=1.
Note-se que no quadro do desvanecimento não é necessário fazer correcções relativisticas importantes porque o redshift não é (na sua maioria) devido ao movimento das galáxias.

3º Segundo Hubble o desvio para o vermelho é directamente proporcional à distância a que se encontra uma galáxia segundo a seguinte expressão: cz=Hod em que c é a velocidade da luz, z o redshift, Ho uma constante ( a constante de Hubble) e d a distância a que se encontra a galáxia.

4º Se substituirmos na expressão o redshift por 1 podemos obter d, uma vez que que c e Ho são constantes bem conhecidas.
"d" será a distância percorrida pela radiação durante o tempo de meia vida da matéria. O valor obtido é cerca de 13950 milhões de anos luz, o que significa que o tempo que demorou a percorrer essa distância é cerca de 13950 milhões de anos.

5º Conclusão: O tempo de meia vida da matéria é cerca de 13950 milhões de anos com um erro de 10 %, que está associado ao valor da constante de Hubble (Ho = 0,0215 m/s/ano luz).

Curioso.


Ps: Será que é possível determinar o tempo de meia vida da matéria através da energia dispendida pela partícula para alterar as propriedades do meio (para expandir os campos)?

De anonimodenome a 21 de Julho de 2008 às 03:03
mais uma vez aposto no amigo curioso. creio que ele anda perto.
mas ... em
http://en.wikipedia.org/wiki/Hubble%27s_law
lê-se:
The value of the Hubble constant is estimated by measuring the redshift of distant galaxies and then determining the distances to the same galaxies (by some other method than Hubble's law)
fica um problema : 'é necessário determinar a distância'
e isto pode levar a um erro, devido ao facto de nem suspeitarem que não tem havido expansão.
enfim eles não têm culpa de não frequentarem a outrafísica nem a outramargem.
a equação de Hubble foi amputada à nascença dum factor dependente da variável tempo, porque apenas era possível pensar em termos de um universo com tempo uniforme, massas constantes, etc.
Mas desses erros já o alf nos preveniu, à saciedade.
mas o raciocínio do amigo Curioso parece-me essencialmente acertado. creio que está por bom caminho.

buracos negros,...,
,...aqueles dos físicos creio que não estão lá.
se juntar-mos muita matéria num concentrado, será que tanto campo junto pode levar o meio a um estado de saturação? i.e. as partículas ficam com um campo gravítico mais fraco devido à saturação do meio ?
ou será que as partículas nessa condição se vão desvanecer mais depressa ?
seguramente que se alguém tem resposta para isto é o surpreendente alf.
De alf a 21 de Julho de 2008 às 17:43
Muito interessante esta discussão. Voltarei em breve para fazer os meus comentários. Entretanto, quem se lembrar de mais raciocínios, é favor ousar!
De leprechaun a 21 de Julho de 2008 às 05:40
É mais ou menos isso, ó Curioso!

Sweet little... 16! Mil milhões, claro, o que para uma daikini é uma idade juvenil, fresca como o mês de Abril.

Mas não tenho cálculos a apresentar, esse número o fui roubar!

Ou seja, estamos mais ou menos nos 50% se a idade do Universo for aquela que se pensa.

Agora ando aqui às voltas com os buracos negros e a luz, e claro que não estou a perceber patavina!

O melhor é desvanecer em paz...

Rui leprechaun

(...e nem pensar, tanto faz! :))

De curioso a 21 de Julho de 2008 às 09:54
Rui

Parece que falar em idade do Universo não tem muito sentido se pensarmos em termos de desvanecimento. Esse conceito só é importante no quadro do Big Bang pois considera-se o início dos tempos quando se iniciou a expansão. No que diz respeito ao Desvanecimento o "medium" pode ser eterno. Parece que só houve um momento no passado em que se formaram todos os átomos... mas nada se conhece antes desse momento... pelo menos foi assim que eu entendi...mas o medium parece que já lá estava...

Curioso.
De alf a 21 de Julho de 2008 às 14:23
Curioso, «idade do universo» no quadro do desvanecimento é a idade da matéria. Desta geração de matéria, porque não podemos presumir que seja a primeira. Quando ao medium, por agora desconhecemos em absoluto se ele tem «idade». Isso só poderemos saber quando começarmos a descascar a «segunda pele de Maya»...

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