Sábado, 12 de Julho de 2008

O redshift e o fim do fotão

 

 

O que acontece com a constante de Planck ou a de estrutura fina? Mário, precisas mesmo que eu te responda?”


Bem... ah ah, estás muito desafiante... mas espera lá que eu já te respondo. Para saber como varia uma qualquer grandeza só preciso de conhecer a sua unidade de medida, que é uma função de Q, M, L e T. Isto porque a medida tem de permanecer invariante para que o desvanecimento seja indetectável, logo a grandeza terá de variar exactamente como a sua unidade de medida.


Exactamente Mário!”


E o que é isso da constante de estrutura fina e da constante de Planck?


São constantes muito importantes para descrever a estrutura atómica, estabelecidas para explicar as características da emissão de luz pelos átomos. Os átomos emitem luz quando os electrões saltam entre orbitais. Esta luz não tem uma frequência qualquer, mas tem uma frequência característica para cada salto orbital, o que até permite identificar o elemento que emite um conjunto destas riscas.”


Estás a falar das riscas espectrais?


Certo Ana. Ora verifica-se duas coisas em relação às riscas espectrais. Uma é que, quando observadas «finamente», ou seja, com muita resolução, mostram ser riscas duplas e não simples. Para explicar esta divisão da risca em duas, Sommerfeld obteve um coeficiente, que é uma relação entre a carga do electrão, a constante de Planck e a constante eléctrica, a que se chamou «constante de estrutura fina». Nada de muito interessante por enquanto, não é?”


Sim, não fiquei apaixonada por essa constante!” A breve gargalhada da Luísa equivale a uma descarga de endorfina.


Luísa, eu explico-te a constante de Planck, que está na origem da mecânica quântica, antes que o Jorge te baralhe as ideias. Verificou-se que a luz não é emitida de forma contínua mas em «pacotes» de energia, em quantas; e estes quantas são proporcionais à frequência da luz emitida. Planck foi quem primeiro modelou o fenómeno considerando que a luz era emitida por osciladores harmónicos. Com Einstein, percebeu-se que a luz se compõe de fotões, cuja energia é proporcional à frequência. A constante de Planck é o quociente entre a energia e a frequência de cada quanta, ou seja, de cada fotão.”


O fotão é uma hipótese apenas... o facto observado é que o processo de geração ou absorção da luz é quântico e não continuo, agora se isso é assim porque a luz se compõe de fotões ou se é consequência do processo de emissão ou absorção..”


Bem, a minha cabeça já está zonza...se vocês se vão pôr a discutir os dois...


Não te preocupes Luísa, não precisas de perceber isto para perceberes o Desvanecimento!”


Ainda bem, se fosse preciso desistia já!


Não é preciso para vocês mas é preciso para mim hehe. Eu sei que a constante de estrutura fina é adimensional, não tem unidades de medida, é apenas um número; logo, será invariante, quer seja vista por um observador atómico, ou pelo teu observador exterior ao Universo; a de Planck, sei que as suas unidades são Energia vezes Tempo...


Nem precisas de fazer contas de cabeça, Mário, tenho tudo aqui nesta tabela:”



 

 

 

Interessante”, comenta o Mário enquanto se debruça sobre a tabela, “«grau» é portanto a soma dos expoentes... estou a perceber... Ena, a constante de Planck é especial! É a única que tem uma variação de segundo grau! Parece um paradoxo, tratando-se de uma constante...


Pois é, e sabes porque é que esta constante varia e a Gravitacional ou a Eléctrica não?”


Não estou a ver...


É porque as constantes gravitacional e eléctrica são propriedades do espaço, ou melhor, do «medium», enquanto que a de Planck é uma propriedade da estrutura atómica, por isso varia com esta.”


Da estrutura atómica? Ela relaciona a energia dos fotões com a sua frequência, o que é que isso tem a ver com a estrutura atómica?


Essa é a explicação corpuscular; na verdade, o que acontece é que a cada orbital está associada uma frequência de ressonância e um nível de energia; a emissão ou absorção de luz faz-se em quantas não por se tratar de fotões mas por se tratar de um fenómeno de ressonância. Não é a luz que é quântica, o processo atómico de geração e absorção é que é.”


Então, para ti, não existem fotões?


Como partículas, não existem.”


Há mais quem defenda essa ideia; mas ainda não percebi o que significa a constante de Planck ter uma dependência de grau 2.”


Mas é fácil perceber. Repara: quando as partículas se reduzem para metade, as orbitais reduzem-se para metade e a energia associada a cada uma também passará para metade; então, para o mesmo salto orbital, o comprimento de onda da radiação será metade, e a energia também. Isso significa que a constante de Planck passará para 1/4. Estás a perceber?”


Humm... e como a unidade de energia também se reduz a metade, medimos a mesma energia... e o mesmo se passa com a frequência, porque a unidade de tempo também se reduz para metade...


E estás a ver o que acontece quando observamos a luz que nos chega de astros distantes, emitida quando os átomos eram maiores...”


Então... teriam uma frequência mais baixa do que hoje... veremos a luz desviada para o vermelho... estou a ver a tua ideia, o redshift não é produzido pela expansão do espaço; o que acontece é que a luz já foi emitida com um comprimento de onda maior, por ter origem em átomos maiores... interessante, sem dúvida, para uma teoria de amador parece muito consistente... Ah, e estou a perceber porque é que não podes aceitar os fotões: se existissem, ao longo do percurso até nós iriam sofrendo o desvanecimento, o que implicaria que a frequência da luz aumentaria e chegaria a nós igual à que é emitida hoje, não se observando o redshift.


Certo Mário, o redshift mostra que o que é quântico é o processo de emissão da luz e não a sua natureza.”


Então a teoria do Jorge está certa?


Que ideia, eu não disse isso! Para começar, viola logo a mais básica das leis da natureza: a conservação de energia! Se as partículas se desvanecem, para onde vai a energia delas? Isto para não pôr uma questão ainda mais básica: porque é que as partículas haveriam de desvanecer?


Então Mário, a resposta a isso é óbvia! Não me digas que não percebes porque é que necessariamente a matéria tem de desvanecer-se; admitir o contrário é que seria uma flagrante violação das leis de conservação!”


Mário arregalou os olhos de espanto e de dúvida; estaria eu a falar a sério ou a divertir-me à custa dele?



 

 

publicado por alf às 02:43
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30 comentários:
De alf a 12 de Julho de 2008 às 03:14
Por alguma razão que desconheço, o sapo não deixa apresentar a figura com mais pixels no post; cliquem nela por favor para a verem com mais definição.
De anonimodenome a 12 de Julho de 2008 às 10:38
viva mais um post .
então será certo que um fotão é uma perturbação do 'meio' e que se propaga com a maior velocidade permitida no 'meio' por não ter 'massa' (ainda por saber o que é)
mantendo a sua frequência (comprimento de onda) até à recepção.

no universo temos o meio e as 'perturbações do meio -matéria/energia
as alterações podem-se justificar quer por alterações ao meio quer por alterações das perturbações ou mesmo de ambas.
no BigBang é o meio que altera (expande) e este meio não tem nenhuma outra característica (vazio).
será que o BB é a melhor teoria que se consegue considerando apenas a eventual alteração do meio ?
será que, colocando mais propriedades no meio e fazendo-as evoluir no tempo poderíamos chegar a uma teoria 'espelho' do Desvanecimento?o ?

o Desvanecimento?o parece pressupor que o 'meio não envelhece', apenas as 'perturbações do meio com característica massa' é que envelhecem/desvanecem.

Mas será mesmo assim ? um comentário do amigo Curioso alerta para o facto de que uma 'partícula' criada agora, nasce com as características das partículas de agora, e isto parece indicar um envelhecimento do meio.
é certo que 'meio' e 'perturbações do meio' devem ser 'unha com carne', amigos íntimos e a ´perturbação ' não fará nada que o 'meio' não lhe permita.
a 'teoria do Envelhecimento' é um nome mais provocador e é uma isca mais fácil de ser mordida do que Desvanecimento? . Creio que meio mundo nem conhece a palavra desvanecer. De qualquer modo gosto do termo Desvanecimento? . É uma palavra muito mais saborosa.
Envelhecimento é um termo depreciado, feio e indigno para nome de teoria.

De alf a 12 de Julho de 2008 às 16:04
interessante comentário anonimodenome!

Pra começar, permite-me colar aqui parte do texto do proscrito Santilli que o Leprechaun colocou num comentário ao post "Saltar para fora do Universo":

"Then, the only possibility for matter to freely move in space without the ‘‘ethereal wind,’’ is that all electrons, protons and neutrons constituting matter are oscillations-vibrations of the ether.
According to this view, when matter is moved from one position to another, there is no actual motion of any ‘‘solid,’’ but merely the transfer of the basic oscillations forming matter from one position in space to another. Stated in plain terms, a main view expressed in that paper is that matter is totally empty and space is totally full.


Ruggero Santilli, in ‘‘Foundations of Physics’’, Vol. 32, No. 7, July 2002"

Isto é o conceito base da Teoria das Cordas. Não é o mesmo que o meu porque no meu as «partículas» não são vibrações ou oscilações do medium.

No meu, existem ondas que se propagam à velocidade de propagação do meio e existem deformações estáveis do meio que identificamos como partículas. Isto é que faz toda a diferença, as partículas são deformações, tal como os campos, não são vibrações, tal como os campos não o são.

Este conceito de partícula como deformação e não como onda está de acordo com todas as observações, só que ninguém o parece ter percebido.

na luz não há deformação nenhuma, é uma simples vibração a propagar-se. Não há qualquer «dualidade» na luz. Não há fotões. Apenas há um processo de geraçao e absorção da luz que funciona por ressonancia e absorve/gera a luz por pacotes. Assim, a luz existe em «trens de onda» porque é isso que o processo da sua produção gera.


A análise que eu faço é a da variação das deformações do medium em relação a este. Poderemos conceber o desvanecimento considerando as deformações estáveis e o meio a variar? Não fará sentido considerar que o medium possa variar e as deformações deste não.

Mas nada impede que as deformações variem em relação ao medium e o medium também varie ao longo do tempo. Não vejo razão para não considerar que não seja assim. Simplesmente, essa é outra análise, que só pode ser feita depois desta.

Também podemos considerar que a variação das deformações é consequencia da variação do meio. No próximo post apresentarei a razão porque me parece que não é assim, que pensar que as «partículas» poderiam ser estáticas é um absurdo à luz do que entendemos do Universo.

Esta teoria do Desvanecimento é só mais um passinho na descoberta do universo; e é um passinho que tem de ser feito e depois poderemos dar outro passo.

O que se gera nas colisões são antipartículas. Como é que elas se geram? O facto de aparentemente não se gerarem partículas mas apenas antipartículas faz supor que não estamos perante um verdadeira processo de geração mas antes de transformação.

Ou seja, será que um antiprotão é um electrão «transformado»? Conserva o campo que já tinha mas algo nele muda que nos surge como uma alteração de inércia?

Se a geração de antipartículas resulta de uma transformação de partículas, então é plausível que as suas caracteristicas sejam as «actuais» e não as «originais»

Quanto ao nome, como verás no próximo post, não há Envelhecimento, há uma evolução ou uma oscilação entre dois estados. As «partículas» são um processo dinâmico, que surge localmente como um «desvanecimento» mas que para um observador «fora do universo», com uma percepção global, surge outra forma.

dar nomes a teorias é ainda mais dificil do que escolher o nome de um filho...

obrigado por este comentário estimulante

De Metódica a 12 de Julho de 2008 às 22:39
Alf estou com uma dúvida, na verdade acho até que estou com duas...

A primeira
O Alf definiu particula como sendo uma deformação do espaço, mas um átomo é uma particula e sendo assim como é que uma deformação admite protões, neutrões e electrões...

A segunda
Não percebi bem o que queria dizer quando diz que o que é quantico é o processo.

Acho que estou a confundir conceitos e tenho um nó no cérebro...
De alf a 13 de Julho de 2008 às 00:18
um átomo não é uma partícula, é um complexo sistema de partículas; imensamente maior do que aquilo que se considera ser o «tamanho» de uma partícula. Ou seja, é uma complexa associação de perturbações do meio. Como é que estas perturbações mantêm a sua estabilidade enquanto interagem com outras é um problema que ainda teremos de resolver. Mas uma coisa de cada vez, agora o que nos interessa é o que se passa do átomo para fora e não do átomo para dentro.

o processo de emissão da luz é quântico porque não pode gerar luz com uma frequência qualquer e com uma energia qualquer.

Está a ver um laser? Só gera luz de uma única frequência. Um átomo é como se fosse um conjunto de lasers, cada um capaz de gerar luz numa única frequência e com uma energia bem definida. Assim, um átomo não tem um espectro contínuo mas discreto.

Inversamente, um átomo também absorve energia de radiações. Esta energia pode fazer os electrões saltar entre niveis orbitais ou até serem expulsos do átomo. Quanto maior a energia de uma determinada radiação, maior o número de electrões expulsos, mas todos com a mesma energia. Isto significa que para expulsar um electrão é necessária uma quantidade definida de energia e que ele não absorve mais do que isso. Se houver mais energia, saltam mais electrões.

Portanto, há um «quanta» de energia para expulsar cada electrão. Podemos explicar isto dizendo que a luz se compoe de fotoes e portanto a quantidade absorvida tem de ser multipla da energia de um fotão, ou então pensar que o processo de absorção é um processo do tipo de ressonancia que quando absorve a energia certa expulsa o electrão. Essa quantidade de energia é «quanta» de energia

Bem , isto foi um bocado à pressa, confesso. Dê um salto à wikipedia que é capaz de explicar isto melhor. Ou então, volte a pôr as duvidas que subsistiram que da próxima explico com mais vagar.

Não tem nó nenhum no cérebro, simplesmente os seus conceitos estão a ser desafiados. É só aceitar o desafio...
De Curioso a 13 de Julho de 2008 às 21:04
Caro Alf...

Concluindo:

Parece que a única coisa que podemos ver variar é a energia emitida pelos átomos (ou absorvida)...
No que diz respeito à constante de Planck, para nós terá sempre o mesmo valor, pois por um lado diminui com o quadrado do desvanecimento (devido à sua definição) e por outro lado as unidades de medida diminuem da mesma forma o que a torna invariante para nós ( se bem compreendi)...

Corrija-me se estiver errado...

Em relação à última fala do Jorge vou deixar aqui a interpretação de um leigo:-)

Não conheço nenhuma perturbação mecânica que não seja amortecida pelo meio onde se propaga...
Pelo que já foi dito o espaço é uma espécie de meio onde se formam perturbações (partículas)... Não conheço as propriedades deste meio, mas a mim parece-me que para a lei da conservação da energia se verificar, este não pode ser totalmente elástico, o que faz com que a perturbação seja atenuada (desvaneça) e que a energia (matéria) perdida vá para o meio, tal como nas perturbações a que estamos habituados ( som por exemplo)...

Esta idéia deixa algumas perguntas em aberto, tais como:

Se a energia vai para o meio, este deve ser extremamente rico em energia... será que um dia poderemos usar esta energia e resolver todos os nossos problemas energéticos?:-)

Ps: Já li qualquer coisa, penso que num livro de Arthur C. Clark, que dizia que para dimensões inferores a 10^-31 m o espaço torna-se uma espécie de espuma com uma quantidade inacreditável de energia...

Amigavelmente

Curioso.
De alf a 13 de Julho de 2008 às 22:17
Amigo Curioso

No quadro do desvanecimento, as medidas efectuadas localmente em cada instante verificam sempre as actuais leis físicas; mas não as medidas não locais no espaço ou no tempo

Localmente, não detectamos nenhuma alteração na energia ou frequência das radiações - mas notamos quando observamos as radiações distantes, notamos que a sua frequência é mais baixa do que a frequência das correspondentes radiações actuais.

É como na Teoria da Relatividade: nesta, um observador não nota nenhuma variação local com a sua velocidade inercial, seja esta qual for; mas vês os sistemas que se deslocam com outra velocidade alterados - nas dimensões e no funcionamento dos seus relógios.

Mas aqui há ainda outro tipo de consequências que são muito importantes para nós - por exemplo, o alargamento das órbitas planetárias.

O que é energia? Habituamo-nos a falar de «energia» como se fosse algum fluido, o conceito físico confundiu-se com o místico. Mas não é nada disso. Energia é simplesmente a intensidade da perturbação do medium.

A chave para responder à pergunta é lembrarmo-nos de que a matéria não existe desde sempre!
De CSousa a 14 de Julho de 2008 às 18:22
Olá,

Um bitaite para o ar:
poderá a diminuição de energia estar relacionada com o aumento de organização, isto é, diminuição da entropia?

Cumprimentos.
De alf a 15 de Julho de 2008 às 00:32
belo bitaite! a organização consome energia. Um célula, que é uma organização de moléculas orgânicas, não pode ser conseguida sem recurso a energia. A organização social da humanidade tem um custo energético - em vários niveis, um deles a organização política. As pessoas que pensam que a sociedade pode existir sem Estado estão a fazer uma grave confusão - isso acontece na natureza porque os bichinhos têm o «estado» dentro da cabeça, mas nós não temos (a não ser que queiramos viver como os bichos)

Mas a energia responsavel pela organização da matéria não é a que tem a ver com o desvanecimento. Houvesse uma só «partícula» no universo, e esta desvanecer-se-ía exactamente da mesma maneira do que acontece havendo muitas.

Imagine um estado inicial em que o medium está em repouso absoluto, nenhuma perturbação o agita; e, de repente, por causa desconhecida, surge uma perturbação num ponto desse medium. Siga agora a seta do tempo: como se irá modificar o medium porque essa «partícula» passou a existir? porque as «partículas» modificam o medium, não é verdade?
De leprechaun a 14 de Julho de 2008 às 23:07
necessariamente a matéria tem de desvanecer-se; admitir o contrário é que seria uma flagrante violação das leis de conservação!


Interessante... Claro que isso deve ter alguma formulação matemática, mas pela fórmula da relatividade a massa converte-se em energia. Ou seja, os átomos podem emitir fotões e também recebê-los, com as consequentes alterações nas órbitas dos electrões.

Ora aqui, com o conceito de anti-matéria mais energia negativa, a da gravidade, para a Física moderna a soma de energia no universo é... zero!!! O que até faz sentido a partir do modelo do Big Bang, pois no instante inicial nada havia, excepto a tal mística flutuação quântica... whatever that is! Números e hieroglifos que não percebo, pela certa! :)

Mas se a matéria desvanece, então tal significa que a energia libertada não é retransformada, por assim dizer. Ou seja, é como se fosse sendo perdida com o aumento de entropia acima referido. Mas neste caso, não seria diminuição, aliás pelo 2º princípio tal não pode suceder.

Assim sendo, de facto parece perfeitamente lógico e simples de compreender que a matéria tem forçosamente de ir desvanecendo, lentamente desaparecendo. Isto, claro, se este raciocínio está correcto, o que é mesmo muito incerto... ;)

Quer dizer: mas se isto é assim tão claro e evidente, como é que ninguém o pensou ou viu até agora, homessa?! Bem, confesso que é ultra estimulante pensar que sou agora tão sábio que sei mais sobre o universo que todos estes cientistas e intelectuais mais afamados... nem o Hawking e o Magueijo, querem lá ver?! Certo, concedo que em matemática me levam a palma, mas ainda bem que não me perco com esses cálculos que dão em nada!

Em suma: não haverá por aí algum truque ou subtileza que nos escape?! O universo minga e nunca ninguém o notou até agora, salvo talvez esses antigos rishis com essa belíssima concepção de Maya, afinal a matéria é o buraco no queijo...

Rui leprechaun

(...e eu estou tão esperto que até me beijo!!! :)


PS: Dito de outra forma: as deformações aparecerem e vão desaparecer... e ao meio o que lhe vai acontecer?!?!

Humm... então à homogeneidades deste, ou seja, ausência de perturbações (partículas) corresponde a máxima entropia?! O nada imaterial, pura energia final?!

Mas se energia é simplesmente a intensidade da perturbação do medium... zero matéria = zero energia... é só aether e entropia!

Conclusão: estou tão baralhado que já nem sei o que dizia! :D
De alf a 15 de Julho de 2008 às 00:57
Meu caro Leprechaun, a ignorância é um grande complicador - e, batalhando contra a ignorância, a ciência vai complicando, complicando... e nós de tanto ouvirmos coisas complicadas também começamos a complicar!

Como verá, a resposta à pergunta é óbvia, simples, está bem à vista, não há nada de transcendente, de escondido, de misterioso. Mas nada é tão dificil para o nosso cérebro como descobrir estas coisas óbvias. Esta nossa dificuldade é que é quase um mistério...(cuja investigação me fez perceber melhor os «truques» do nosso cérebro)

Repito o que disse na resposta ao CSousa - imagine uma «partícula» a surgir e siga a seta do tempo

De alf a 15 de Julho de 2008 às 01:07
Essa imagem da matéria como buraco no queijo é muito boa!

Maya vem a propósito - a expansão do espaço é uma percepção «Maya» do Universo, tal como a rotação do Universo, tal como as partículas... e ainda estamos no início..

(suponho que não estou a dizer asneira ao referir "Maya", o meu conhecimento védico é muito limitado...)
De Curioso a 15 de Julho de 2008 às 00:52
Isto está cada vez melhor...
Parabens Alf...

Quanto à questão em aberto...

Cá vai mais um palpite... mas confesso que a confusão é grande...

Baseado na idéia que as partículas alteram o meio... e pensando em que tipo de alteração provocam no meio... só se forem campos... gravítico e eléctrico...

Será que uma partícula para manter os campos precisa de energia e é precisamente essa energia que vai buscar ao desvanecimento?

Ps: estas especulações não são para levar muito a sério:-)...


Curioso...
De alf a 15 de Julho de 2008 às 01:01
está quente... quente... mas não «tire uma fotografia», faça o filme, siga a seta do tempo - no instante «zero», o momento de criação da partícula, qual é o campo da «partícula»?
De leprechaun a 15 de Julho de 2008 às 10:14
Pois isto por aqui já se está a tornar obsessivo... anti-desvanecer eu não consigo!

E não é que fui a pensar em tudo isto durante o passeio nocturno ontem, é só espaço e partículas, mais o mistério do seu aparecimento... irra prò desvanecimento!!! :)

Afinal, se não houve Big Bang nenhum ou o tal ovo cósmico de onde o Universo surgiu, mas como é que aparecerem as tais partículas ou a matéria, homessa?! Ou seja, então o tal "medium" é eterno, fará ele o papel de Deus?!

Depois, eu imagino isto tudo apenas como um espaço plano - parece que o espaço-tempo é plano e não esférico como seria mais intuitivo pensar - tipo quadriculado ou com rectas e curvas que se entrelaçam, onde as partículas são uns "altos" que aparecem aqui e além, representando curvas tridimensionais. De resto, e prosseguindo no complicómetro da ignorância, parece-me que é este o modelo das tais "wavelets" físicas, um conceito adaptado da matemática e que explica de forma mais inteligível a famosa dualidade partícula-onda e a tal experiência da fenda dupla.

Mas no momento da sua criação ou aparecimento, creio que a partícula tem energia máxima e o seu campo é pois o mais intenso, se a energia é simplesmente a intensidade da perturbação do medium.

Ora se ela vai mingando ao longo do tempo, então cede energia electromagnética para o meio, mas a sua energia gravítica diminui. Logo, a partícula desvanece mas o meio fortalece! :)

Ou ainda, a tal deformação tende a regressar ao equilíbrio original, afinal!

Hummm... mas falta aqui uma coisa, pois de onde vem a energia no tal instante "zero" senão do próprio meio? Isto para manter inalterada a energia total, meio + partículas, claro.

Assim sendo, de facto essa consideração do Curioso é correcta, claro!

Enfim, chega de desvanecer o miolo... até já estou com fome de tanto pensar! Pois, ele quer mas é alguma glicose... vamos lá à fruta e o pão com nozes! :)
De alf a 15 de Julho de 2008 às 12:21
Leprechaun, Conhecer é caminhar, ou seja, nem pense em chegar à «resposta final», não pense que vai atingir o conhecimento «absoluto». Trata-se de «caminhar» não de «chegar»

O Big Bang não dá uma «resposta final». Afinal, o que é isso do «ovo cósmico»? Como surge esse universo todo concentrado num ponto? O que havia antes dele?

O Big Bang só cria a ilusão de que tudo explica. Mas é uma ilusão.

Portanto, não queira já responder à questão: donde veio a energia que criou a partícula? A questão que eu estou a pôr é mais simples: Nasce uma partícula! E o que acontece depois? Trace um retrato do medium à volta da partícula nos instantes iniciais. Como é o campo? Como evolui?

(mas se quer mesmo saber como surge essa alteração do medium a que chamamos partícula dou-lhe já duas explicações:

1- o estado de repouso da superfície da água é estável, na ausência de perturbações exteriores fica indefinidamente em repouso; mas o do medium não é assim, o estado de equilibrio do medium é instável! Ou seja, qd atinge o perfeito estado de equilíbrio, a serenidade absoluta, «rompe-se» em inúmeros desiquilíbrios locais a que chamamos partículas

2- foi o dedo de Deus que criou a primeira geração de partículas; a partir daí criou-se um ciclo que poderemos começar a intuir a partir do próximo post, embora o nosso caminho não vá para esses lados, nós temos agora de escrever a história do Universo a partir da criação da partícula e não antes )


De Curioso a 15 de Julho de 2008 às 14:27
:-)
[Error: Irreparable invalid markup ('<br [...] <a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

:-) <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Here</A> i am again ... <BR><BR>Vamos então ver. <BR>formou-se uma nova partícula... e agora? <BR><BR>Como não há interacções instantâneas, no instante da formação da partícula não existirá qualquer campo à volta da partícula (digo eu :-). <BR>O campo irá então começar a sua expansão à volta da partícula, que em teoria irá até ao infinito ( a velocidade de expansão do campo será a velocidade da luz (propriedade do meio). <BR><BR>Para isto acontecer será necessária energia, energia essa que será retirada á perturbação (partícula) de uma forma continua e daí o seu desvanecimento... <BR><BR>Bem haja a todos.. <BR><BR><BR>Curioso <BR><BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Ps</A> : será que é desta?<img src="http://blogs.sapo.pt/images/mood/EMOTICON_ILL.png">
De Curioso a 15 de Julho de 2008 às 14:33
:-)

Here i am again ...
Vamos então ver.
formou-se uma nova partícula... e agora?

Como não há interacções instantâneas, no instante da formação da partícula não existirá qualquer campo à volta da partícula (digo eu :-).
O campo irá então começar a sua expansão à volta da partícula, que em teoria irá até ao infinito ( a velocidade de expansão do campo será a velocidade da luz (propriedade do meio).
Para isto acontecer será necessária energia, energia essa que será retirada á perturbação (partícula) de uma forma continua e daí o seu desvanecimento...

Bem haja a todos.. Curioso

Ps: Será que é desta? Não sei o que se passou com o comentário anterior mas resolvi repeti-lo.
De anonimodenome a 15 de Julho de 2008 às 22:14
se formos a votos, estou com o curioso.
no instante inicial só há partícula e meio inalterado
no instante seguinte há -partícula +meio alterado -meio inalterado
no instante seguinte há --partícula ++meio alterado --meio inalterado

a partícula tem de consumir-se para alterar cada vez mais meio
bem observado amigo curioso.

De anonimodenome a 15 de Julho de 2008 às 23:55
se dependesse de votos o Sol ainda estava entretido a girar à volta da Terra.
De alf a 16 de Julho de 2008 às 11:09
Ahhh, mas é que os votantes aqui são verdadeiramente iluminados!
No próximo post a solução.

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