Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Tudo tem de mudar para que tudo pareça ficar na mesma

 

 

Nós já falámos do que aconteceria se a medida da aceleração da gravidade aparecesse alterada, quando a Luísa colocou a possibilidade de a Massa se reduzir para metade, se bem me recordo.”


Sim, disseste que concluiríamos que a Constante da Gravidade se tinha alterado.”


Exactamente! Iriamos pesquisar porque é que a aceleração da gravidade estava diferente, não encontraríamos diferença na Massa, nem no raio da Terra, porque ambas são medidas em relação a padrões da mesma natureza, restando-nos concluir que a Constante Gravitacional tinha mudado!”


Foi o que disseste. E concluiste que se a matéria se alterasse de forma a que a medida da Constante permanecesse invariante, nós não poderíamos detectar nada.


“Nem mais Ana! Portanto, só temos de ver como pode a matéria alterar-se sem alterar a medida da Constante Gravitacional!”


E como é que vês isso?


Ora Mário, recorrendo aquilo de que tu falaste agora mesmo: às equações das unidades de medida, ou seja, as chamadas equações dimensionais!”


Como é isso?


Já vimos que a equação dimensional da velocidade é [v]= L/T, um Comprimento a dividir por um Tempo; para sabermos a de G é só irmos à Lei da Atração Gravitacional, F=G.m1.m2/d2, e substituirmos as grandezas pelas suas dimensões: massa por M, aceleração por L/T2, distância por L; e obtemos:” e escrevo outra equação em grandes letras, na folha fica agora:


 


 

 

Agora digam-me: se L e T diminuírem ambos para metade, como tem de variar a Massa para que a unidade de medida de G se mantenha invariante?”


M também tem de diminuir para metade, parece-me...”


Certo Ana! Se todos diminuírem para metade, o numerador diminui 8 vezes e o denominador também, logo [G], ou seja, a unidade de medida de G, não varia.”


Portanto, para que os corpos possam diminuir ao longo do tempo sem que nós o detectemos, é necessário que a massa varie da mesma maneira...”


Isso mesmo Ana. É necessário e é lógico que assim seja, porque uma partícula é um ente físico, mesmo que seja apenas uma perturbação do meio; presumir que apenas uma das suas características pode variar e as outras ficarem invariantes não tem sentido.”


Hummm... é como se, no filme «Querida encolhi as crianças», as crianças encolhessem mas continuassem a pesar o mesmo...”


Excelente comparação Luísa! É isso mesmo! Se o tamanho, ou seja L, diminuir, a massa, M, não pode ficar na mesma!”


Bom, mas as partículas têm carga eléctrica; se variar a sua massa, ou seja, a sua inércia, elas vão movimentar-se de outra maneira, vai haver alteração nos fenómenos...”


Claro Mário, mas chegados a este ponto já deves perceber o que devemos pensar a esse respeito..”


Hããã... que a medida da Constante Eléctrica deve ser invariante...


Exactamente. Deixa-me explicar à Ana e à Luísa. A atracção e repulsão entre as cargas eléctricas é descrita pela Lei de Coulomb, que é o nome do físico francês que a estabeleceu. Esta lei é formalmente idêntica à lei da gravidade, ou seja, F=k.q1.q2/d2. Em vez de G temos aqui a constante de Coulomb, k. Esta não é habitualmente usada, prefere-se a Constante Eléctrica e, definida como e =1/4pk. Podemos agora acrescentar a sua equação dimensional à nossa lista:”


 

 

 

"Então, se M, L e T variarem todos para metade, como tem de variar Q para que a unidade de medida da Constante Eléctrica não se altere?”


Para metade também. E já estou a perceber porque dizes que o Desvanecimento está implícito nas leis físicas!


Mário, isso é que é pensar depressa!”


A soma dos expoentes é nula! Ou seja, o grau do numerador é igual ao grau do denominador – na velocidade (Lei da Inércia) são ambos de grau 1, na constante gravitacional de grau 3 e na constante eléctrica de grau 4.”


Muito bem Mário, é isso mesmo, acabas de perceber algo que ainda ninguém mais tinha percebido, que eu saiba!”


Mas eu tenho ouvido dizer que a velocidade da luz é uma constante fundamental e tu não falaste dela, porquê?


É verdade Luísa; não falei para não baralhar ideias. A velocidade da luz e de propagação dos campos é de facto uma constante característica do «medium», ou do «espaço» se quiseres, como o são G e e; mas há confusões em relação a essa velocidade, que esclareceremos quando falarmos da Relatividade. Ora, referindo apenas a Lei da Inércia chego à mesma conclusão e evito essa polémica.”


Pois, mas essas tuas equações não parecem muito consistentes da forma como as escreveste, pois as duas últimas referem-se a Constantes e a primeira, aparentemente, não.


Ok Mário, seja feita a vossa vontade, vou escrever estas três condições na forma mais adequada.”


 

 

 



Satisfeito?”


Ahh, agora percebo aquilo que o Mário disse da soma dos expoentes ser nula!


O «c» representa a velocidade da luz?”


Isso mesmo Luísa. Da luz e dos campos, pois os campos gravítico e eléctrico propagam-se como a luz. Tal como as outras constantes fundamentais, « é uma característica do medium, ou seja, do espaço. O termo de «constante fundamental» talvez não seja muito feliz – o melhor seria dizer «constante do espaço». Estas são as três constantes que caracterizam o que sabemos do espaço, ou melhor, do medium que enche o espaço.”


Portanto, no teu modelo estas 4 grandezas, carga, massa, comprimento e tempo variam simultâneamente! É boa! Eu pensava que me ia rir de ti porque há vários modelos que consideram a variação de algumas destas grandezas, mas ninguém percebeu que só um modelo em que variem todas é possível!


Então estamos mesmo a fazer um caminho que ninguém fez! Ena, que eu gosto de aventura!


Espera aí que ainda falta perceber muita coisa. Há muitas outras constantes na Física. O que acontece, por exemplo, com a constante de Planck, ou a de estrutura fina?


Então vamos lá a ver isso muito rapidamente porque temos coisas bem interessantes para falar.”

 

publicado por alf às 02:06
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31 comentários:
De anonimodenome a 2 de Julho de 2008 às 04:14
está tão simples que impressiona.
nessas 3 condições (equações) estão escritas as leis fundamentais do nosso universo.
já eram conhecidas de há muito, mas não é costume vê-las tão juntinhas e na forma dimensional.
assim, descascadas, comem-se muito bem.
para refutar o Desvanecimento os físicos tinham de tirar mais uma equação da cartola para 'fixar' os valores de M,L,T,Q para o universo actual e local. eu desconheço.
talvez algum defeito da teoria das cordas, a das 10+1 dimensões. talvez a força fraca, a força forte, a força assim-assim.
os São Tomés , São Diogos e os São Físicos irão ver que a constante de Planck tem dúvidas quanto à sua constância e a constante 'alfa' da estrutura fina pode ser também 'beta' ou ainda menos fina e um pouco mais grossa. sem ser grossa de mais.
são apenas palpites de pura brincadeira, aguardamos o desenvolvimento do alf.

agora que acabou o Euro2008,a bolsa está de rastos e os meus euros a desvanecer, há lá coisa melhor que vir cuscar o Futuro aqui no blog ?
Não têm desculpa.

listo alguns links da wikipedia que podem ajudar a complicar.
http://pt wikipedia .org wiki /Lei_de_Coulomb
http://en wikipedia .org wiki /Coulomb%27s_law
http://en wikipedia .org wiki /Gravitational_constant
http://pt wikipedia .org wiki /Constante_gravitacional_universal
http://en wikipedia .org wiki /Electric_constant
http://pt wikipedia .org wiki /Constante_de_permissividade_do_v%C3%A1cuo
http://pt wikipedia .org wiki /Permissividade
De alf a 2 de Julho de 2008 às 15:46
cada vez mais inspirado meu caro anonimodenome! O desvanecimento dos euros é que é uma chatice. Olha, se desvanecermos ao mesmo ritmo que euros, vamo-nos aguentando..
De Mrtódica a 2 de Julho de 2008 às 10:46
Ora viva!

O que é a constante de estrutura fina?
Haverá maneira de se saber a velocidade a que estamos a encolher?

De alf a 2 de Julho de 2008 às 16:06
as riscas espectrais, caracteristicas de cada elemento, originadas ou absorvidas pelas mudanças de orbital dos seus electrões, não são riscas simples mas duplas; ou seja, a sua «estrutura fina» é dupla.

Sommerfeld fez uma explicação para isto onde aparecis uma relação entre diversas grandezas físicas que ficou conhecida como a «constante de estrutura fina»

Há muitas tentativas de interpretação de qual possa ser o significado físico dela. Que pode existir ou não: é fácil estabelecermos relações entre diversas grandezas físicas e obter «constantes», que podem não ter qualquer significado físico relevante.

Na wikipedia em inglês tem um bom texto sobre isto.

Se esta «constante» varia ou não no tempo tem sido alvo de investigação e debate; por isso o «Mário» fez logo essa pergunta.

Se há maneira de saber a velocidade a que estamos a encolher? Há sim senhora!

(tal como há maneira de sabermos a que velocidade a Terra roda sem a medir directamente, simplesmente observando a aparente rotação do Universo. No nosso caso, observando a aparente expansão). E já lhe vou dizendo que é muito, muito, devagarinho.
De leprechaun a 3 de Julho de 2008 às 03:13
Ena! Já entrámos na alta matemática... vou já tirar a licença sabática!!! :)

Mas percebi tudo direitinho... tá esperto o Gnominho! ;)

Ainda assim, essa conversão das fórmulas foi algo rápida, pois não apareceu a 2ª lei de Newton: F = M / a ou F = M L / T^2 para facilitar a compreensão dos cálculos.

E vou já estudar esses links todos da Wikipédia a ver o que descubro mais sobre o tal Plank! :)

Ei! e haverá também por lá algumas físicas giras... aliás, físicas e bom físico combina bem, ri-se o tísico! :D

Por último, e a propósito do comentário do anonimodenome sobre os isótopos no post anterior, estive ontem a matutar sobre se tudo isto poderá ter alguma influência nos isótopos radioactivos e respectivos tempos de semivida. Será que tal poderia explicar as diversas discrepâncias com diferentes meios de datação, tipo C14 e outros? É que há por aí uma balbúrdia quanto às datas que uns e outros dão, reina grande confusão!

Ou seja, a constante lambda de semivida ou decaimento não é afectada?! Essas equações até parecem simples, e se for tudo como o que acabámos de ver neste post, então todas as constantes são bem mais constantes que Gnomos inconstantes... que agora viram pedantes, e são nadinha elegantes! ;)

Sim! Vou já de imediato ver o fino Planck...

Rui leprechaun

(...que o Desvanecimento não é prank! :))


PS: Bem ao contrário de mim... clarim! ;)
De alf a 3 de Julho de 2008 às 11:37
Tudo parece mesmo ficar na mesma na nossa vizinhança; e esta mudança é ainda muito mais lenta que as mudanças da política. As diferentes datações com isótopos não têm a ver com isto.

O segredo da sabedoria está em dar pequeninos passos. A resposta às nossas questões está no fim de um caminho, nunca está a um passo de distância.
De Curioso a 3 de Julho de 2008 às 22:21
Olá Alf

Tenho que admitir que muitas vezes ponho a "carroça à frente dos bois". É um gosto especial que eu tenho pela antecipação...
Agora as coisas estão muito mais claras... Este post é muito claro e elucidativo...
Mas como para além de curioso também sou teimoso... volto a insistir na aceleração e para isso proponho a seguinte experiência mental...ao estilo do Einstein...
Supondo que num determinado instante no passado um corpo é actuado por uma força, força essa que se mantém constante. Einstein diz-nos que a aceleração diminui porque a massa aumenta á medida que o corpo se vai aproximando da velocidade da luz. O desvanecimento diz-nos que a aceleração diminui porque a aceleração é directamente proporcional a L e inversamente proporcional a T^2 (como ambos vão diminuir da mesma forma).

A minha questão é esta:
Será que o desvanecimento substiuti assim a relatividade de uma forma tão simples?

Com amizade

Curioso
De alf a 4 de Julho de 2008 às 01:08
Amigo Curioso

O Desvanecimento não substitui a Relatividade de Einstein; O Desvanecimento é a generalização da aplicação do Princípio da Relatividade (PR) ao Tempo.

Einstein considerou a validade do PR qq que seja o movimento inercial do observador; ou seja, considerou que as Leis Físicas são as mesmas qq que seja o movimento inercial do observador (primeiro na ausência de campo - R. Restricta - depois em qq situação). Mas repare que a conclusão disto é, quase paradoxalmente, que as propriedades dos corpos variam com a velocidade - «algo tem de mudar para que tudo pareça ficar na mesma qq que seja a velocidade inercial»!

Antes da TR, havia a presunção que as propriedades dos corpos eram independentes da sua velocidade, eram invariantes; mas a TR veio mostrar que não é assim.

Ora o que se afirma em relação à velocidade é válido em relação ao tempo e à posição no espaço.

Nós temos presumido que as propriedades dos corpos são invariantes no Tempo, pois que não temos razão para duvidar que as Leis físicas são válidas qq que seja o instante de tempo considerado.

Ora o Desvanecimento faz em relação ao tempo o mesmo que Eisntein fez em relação à velocidade: admite que as Leis físicas são válidas qq que seja o instante considerado mas não presume que as propriedades dos corpos são invariantes. E, tal como no caso da velocidade, iremos concluir que «para que tudo pareça invariante no Tempo, algo tem de mudar»!

Não há nenhuma incompatibilidade entre o Desvanecimento e a TR.

para um observador atómico, o Desvanecimento é indetectável por observações locais; ele verificará a teoria da relatividade com toda a exactidão.

Um corpo constantemente acelerado, não interessa se a aceleração varia ao longo do tempo, sofrerá um aumento de massa à medida que se for aproximando da velocidade da Luz; um observador não atomico, o tal observador exterior ao universo (na realidade, basta um observador ligado ao espaço, ao meio, mas independente da matéria) «verá» a inércia aumentar por efeito da velocidade e, sobreposto a este efeito, «verá» a massa diminuir ao longo do tempo.

A ideia da expansão do espaço, como Einstein declarou, é que é incompatível com a TR; o Desvanecimento não tem qq interferencia na teoria de Einstein porque esta está estabelecida para um observador atómico e é uma teoria local, onde o Desvanecimento não produz consequencias.

Da mesma maneira, podemos também considerar a generalização do PR ao Espaço - isto é, considerar que as leis físicas são as mesmas em todos os pontos do espaço mas não presumir que as propriedades deste são invariantes. simplesmente, nesta altura, não temos observações que nos permitam enquadrar tal análise.

Eu aconselhava a não se preocupar com a teoria de Einstein nesta altura. A ela iremos depois e uma nova luz permitirá ver claramente o que hoje parece uma confusão transcendente.

No próximo post espero que fique mais claro a maneira como as coisas variam no Desvanecimento - Uma aceleração não depende do tempo; o que depende é a sua UNIDADE DE MEDIDA para um observador atómico! E também pode depender do tempo aquilo que causa a aceleração - um campo de forças, uma radiação.
De alf a 4 de Julho de 2008 às 01:19
Mais um esclarecimento:

As nossas lei Físicas são válidas em cada instante mas não ao longo do tempo! Elas verificam as medidas efectuadas num dado instante tempo, ou num intervalo de tempo suficientemente curto para podermos considerar, dentro da precisão das medidas, que se trata de medidas relativas ao mesmo instante de tempo.

as nossas leis físicas não têm nenhum termo dependente do Tempo, ou seja, nenhum parametro é função do tempo.
Com Einstein, os parametros passaram a ser dependentes da Velocidade. O Desvanecimento estabelece a dependencia em relação ao tempo dos parametros das leis físicas. A TR e o Desvanecimento são linearmente aditivos. Complementam-se.

A TR é válida em cada instante de tempo, mas não é válida ao longo do tempo - por isso não pode prever que a velocidade de alargamento das órbitas planetárias. Essa generalização ao Tempo é feita pelo Desvanecimento.

é por isso que eu já disse que o que fiz foi continuar o trabalho de Einstein.
De Curioso a 4 de Julho de 2008 às 20:58
Muito Bem...

Entendido e anotado...

Curiosamente à espera do próximo post...

Abraço

Curioso
De Anónimo a 10 de Setembro de 2008 às 14:33
Marinaldo Ferreira de Lima
Gostaria que algum físico pudesse ajuda-me a entender eu mesmo.
Eu acredito que cada ser ciente de sua própria existência esta no marco zero de uma escala qualquer, onde subindo a escala o universo é infinito em grandeza e o mesmo ocorre ao inverso onde a menor partícula microscópica é apenas um ponto que temos conhecimento do universo infinito em pequeneza.
De alf a 10 de Setembro de 2008 às 20:14
Marinaldo, inteiramente de acordo. Não sei se a escala é ou não infinita em ambas as direcções, mas certamente que é muito extensa, portanto é como se fosse; e não sou capaz de conceber que possa ser finita.

Ir entendendo o Universo é muito mais fácil do que nos entendermos a nós mesmos (e aos outros). Isso não admira: nós somos o que há de mais complexo no Universo. Entender o ser humano é o que mais me ocupa actualmente, tarefa mil vezes mais espinhosa do que desvendar os segredos físicos do Universo.

Obrigado pela visita e pelo comentário
De Metódica a 4 de Julho de 2008 às 19:43
Alf confirme-me uma coisa...
Na sua teoria como as particulas vão ficando mais pequenas o tempo vai "correndo mais depressa" não é?
De alf a 4 de Julho de 2008 às 23:37
Metódica

Isso. Mais ou menos isso, porque as «partículas» não têm propriamente tamanho - o campo associado a uma partícula, dentro do conceito de partícula como perturbação do espaço, também faz parte da partícula. Mas podemos afirmar dessa maneira.

Essa diminuição das partículas revela-se pela diminuição das estruturas por elas formadas - os raios orbitais diminuem, as distancias entre átomos também.


Mantendo-se a velocidade de propagação da luz e dos campos de força, o tempo de interacção entre partículas diminui porque as distâncias diminuem. Em consequência, os fenómenos atómicos ficam mais rápidos.

Com os fenómenos mecânicos acontece o mesmo - o espaço «mecânico», definido pela justaposição de corpos, diminui com estes; mas a velocidade dos corpos não se altera e, em consequencia, os fenómenos mecanicos tornam-se mais rápidos.

Ou seja, os nossos relógios, quer atómicos quer mecânicos, bem como os nossos processos biológicos, quer seja a interacção entre neurónios ou o bater do coração, tudo se torna mais rápido e exactamente na mesma escala. Ou seja, tudo se passa mais depressa, tanto os fenómenos como o funcionamento dos nossos relógios - O «Tempo» passa mais depressa e a nossa unidade de tempo fica mais pequena, pelo que nos não notamos qualquer alteração no «Tempo».

Portanto, resumindo, as distâncias diminuem mas a velocidade a que circula a informação mantêm-se (velocidade da luz e dos campos);em consequencia os fenómenos ficam mais rápidos.

De Curioso a 4 de Julho de 2008 às 23:05



Para a constante de Planck e fazendo um raciocínio semelhante conclui-se que:

[h]=M L^2 T^(-1)

o que significa que para um intervalo de tempo equivalente ao tempo de meia vida da matéria (chamemos-lhe assim) a constante de Planck diminui para um quarto:-).
Então os quanta também diminuem da mesma forma...

Ps: Mais uma vez o curioso se precipitou....:-)

Curioso (marado)
De alf a 4 de Julho de 2008 às 23:58
Isso mesmo... é só continuar a raciocinar assim que tudo se entende... mas atenção às conclusões.

A constante de Planck relaciona a frequência de uma risca espectral com o «pacote» de energia com que essa radiação é produzida ou absorvida, o quantum.

Portanto, uma vez que a unidade de medida da constante de Planck varia com o quadrado do desvanecimento, para que a medida desta constante por um observador atómico não se altere é necessário que esta «constante» também varie com o quadrado do desvanecimento!

Será inesperado? Repare: uma risca espectral é emitida quando um electrão salta entre níveis orbitais; ora esta distancia diminui com o desvanecimento. Se pegarmos nas ideias de de Broglie, consideraremos plausível que o comprimento de onda da risca seja proporcional a esta distância, portanto, que a frequencia aumente com o desvanecimento. No caso do seu exemplo, as frequencias espectrais dobrarão.

Vejamos agora o que se passa com a energia. Se pegarmos no modelo atómico de Bohr, fácil é concluir que a energia de cada orbital diminui com o desvanecimento.

Portanto, no caso que exemplifica, a frequência da risca espectral dobra e a sua energia passa para metade - logo a constante de Planck passsa para 1/4.

Um observador atómico nada medirá de diferente: as suas unidades de medidas de frequencia ou comprimento de onda e energia variam da mesma maneira que a frequencia da risca e o quantum.

PORÉM, e isto é da maior importância, o que sucede quando observamos a radiação emitida por astro distante, portanto, emitida há muito tempo atrás?

... aqui fica uma pergunta para um curioso...

Por outro lado
De Curioso a 5 de Julho de 2008 às 09:37
Caro Alf

Parece simles:

Para nós observadores atómicos esses fotões antigos terão maior comprimento de onda pois, entretanto as nossas unidades de medida diminuiram e eles mantiveram o seu comprimento de onda em relação a um referencial fora do universo. A consequência disto é importante pois vamos ver essa luz emitida há muito tempo desviada para o vermelho. O que era até agora efeito de Doppler é agora desvanecimento.
Por outro lado tendo em conta o valor da constante de Hubble podemos ter uma noção da velocidade com que ocorre o desvanecimento.
Até agora era interpretada como a velocidade de afastamento das galáxias em função da distância à Terra e agora terá que ter uma interpretação no quadro do desvanecimento portanto dar-nos-á informação acerca da velocidade do desvanecimento..

Ps: Penso que percebi a idéia da constante de Planck não variar... para um observador atómico...

Curioso
De alf a 5 de Julho de 2008 às 10:46
Perfeito!
É curioso como as coisas são simples... depois de percebidas! Mais simples do que o que resulta da explicação em que primeiro acreditamos, de base empírica... e não subtil.
De alf a 5 de Julho de 2008 às 00:03

Vejam esta fantástica descrição do Desvanecimento no em livro !
De Metódica a 5 de Julho de 2008 às 00:18
Já vi, foi aí que me surgiu a dúvida :P

"o que sucede quando observamos a radiação emitida por astro distante, portanto, emitida há muito tempo atrás?"

Observamos uma "radiação antiga", a radiação que o astro emitiu no passado e que provavelmente terá perdido energia na sua viagem.
De alf a 5 de Julho de 2008 às 00:38
oops, isso é a sua ideia intuitiva no quadro da física actual; há mesma uma teoria «da luz cansada».

Mas não é isso que resulta do desvanecimento.

Vamos a nova tentativa? Veja com cuidado o que eu digo sobre a variação das riscas espectrais.
De Metódica a 5 de Julho de 2008 às 00:18
Já vi, foi aí que me surgiu a dúvida :P

"o que sucede quando observamos a radiação emitida por astro distante, portanto, emitida há muito tempo atrás?"

Observamos uma "radiação antiga", a radiação que o astro emitiu no passado e que provavelmente terá perdido energia na sua viagem.
De anonimodenome a 5 de Julho de 2008 às 00:58
creio que o fotão emitido não sofrerá alteração ao longo do seu percurso.
são as orbitais dos átomos de agora que determinam a quantidade de energia que medimos na recepção.
creio que não existe conservação de energia porque o aparelho de medida vai-se alterando ao longo do tempo. não porque o fotão mude de propriedades.
creio eu de que.
à parte: o antónio é o máximo.
De alf a 5 de Julho de 2008 às 01:30
Também fiquei fascinado com a descrição do desvanecimento que o antónio fez no seu blogue. Fascinado e com inveja, soubesse eu escrever assim e muito mais facilmente me compreenderiam... acho que tenho de começar a treinar...

Um átomo de hidrogénio que emitiu uma risca espectral há uns milhares de milhões de anos atrás era maior do que um átomo de hidrogénio de hoje; logo, essa risca não poderia mesmo ser igual à de hoje... mas vês como custa conseguir que os nossos neurónios se libertem das ideias aprendidas? como custa perceber que a luz que recebemos dos astros distantes é diferente porque já nasceu diferente?
De alf a 5 de Julho de 2008 às 01:22
Metódica, veja isto que eu escrevi nesse comentário:

"Se pegarmos nas ideias de de Broglie, consideraremos plausível que o comprimento de onda da risca seja proporcional a esta distância, portanto, que a frequencia aumente com o desvanecimento."

Ou seja, a frequencia da luz emitida pelos electrões quando saltam entre orbitais varia com o desvanecimento, ou seja, varia ao longo do tempo.

Quando observamos a luz duma estrela distante, estamos a ver uma luz que foi emitida há muito tempo - portanto, foi emitida numa altura em que os átomos eram maiores!

Se ler com atenção o que escrevi, creio que terá todas as pistas para dizer em que é que a luz emitida num dado salto orbital nessa altura é diferente da luz que é emitida hoje no mesmo salto orbital; ou seja, qual é a diferença entre as riscas espectrais antigas e as actuais.

Vai uma nova tentativa? Esqueça o que se passa no percurso, a questão tem a ver com o processo de produção da luz.
De Metódica a 5 de Julho de 2008 às 13:43
Já percebi ( li o comentário do Curioso) =P

É por isso que os físicos pensam que os corpos se estão a afastar, porque estão a comparar comprimentos de onda actuais com aqueles que eram emitidos no passado pois têm em conta que desde a altura em que a radiação foi emitida até agora não fouve qualquer alteração que podesse fazer com que os comprimentos de onda fossem alterados.



De alf a 6 de Julho de 2008 às 19:37
Se bem percebi (eheh, parece que falta alguma coisa no seu texto), o que diz está certo - os físicos não têm nenhum modelo que lhes permita pensar que as radiações emitidas no passado eram diferentes das emitidas hoje; e isso também nunca lhes ocorreu. A teoria do Big Bang considera que a luz foi emitida com as mesmas caracteristicas que tem hoje e que durante o percurso é «esticada» pelo espaço em expansão, aumentando o seu comprimento de onda.

Veremos que esta afirmação matemática até nem está errado se devidamente enquadrada, pois é assim que o fenómeno seria visto por um observador atómico que acompanhasse um raio de luz (o observador vai «diminuindo», as caracteritisticas do raio de luz cujo movimento ele acompanha (conceptualmente) não variam, logo ele vê o comprimento de onda da radiação a crescer ao longo do tempo; mas fisicamente é um disparate, não é esse o fenómeno físico
De anonimodenome a 6 de Julho de 2008 às 13:38
pelas regras habituais o Sistema Solar, e qualquer sistema ligado gravitacionalmente é instável a longo prazo.
procurar stability no documento de Jun Makino em http :/ grape.mtk.nao.ac.jp ~makino talks /komaba20071123.pdf
ou em http://www.pnas.org/content/98/22/12342.full

nos códigos de simulação gravitacional entra um parâmetro forçado para impedir que os corpos se aproximem demasiado. só assim se impede as galáxias de se 'volatilizarem' ao longo do tempo.
as sondas viking estão a abandonar o sistema solar por terem sido colocadas nas trajectórias 'certas' e serem aceleradas pela força gravitacional de planetas.
de certo modo é só esperar o tempo suficiente para que todos os corpos, menos dois ou três, abandonem o sistema.

com o Desvanecimento a estabilidade dos sistemas gravitacionais creio que fica assegurada porque a distância entre os corpos vai ficando maior o que determina um aumento na margem de segurança para as órbitas estáveis e os efeitos perturbativos 'chaos like' vão ficando menores.

De alf a 6 de Julho de 2008 às 22:54
anonimodenome, o amigo sabe cada coisa!!!

Correção: sistemas gravíticos de partículas ou de vários corpos tendem a ter comportamentos caóticos. No caso do sistema solar, o mistério não está em saber porque é que ele é apenas marginalmente caótico mas em descobrir qual foi o seu processo de formação, que foi capaz de produzir um sistema com características tão estáveis em vez de um sistema de comportamento caotico.

A actual teoria de formação do sistema solar a partir da condensação de uma nuvem de poeira conduz sistematicamente, nas emoluções numéricas efectuadas, a sistemas caóticos. Portanto, a actual teoria está errada!!

Como um cientista não pode afirmar que «a actual teria está errada», sobretudo se não tem uma alternativa para apresentar, o que fazem são estes textos habilidosos que poem o problema sem o declararem ... quem lê entenda... e mesmo assim não conseguem que os seus textos sejam publicados nas revistas científicas.

O Desvanecimento não interfere neste assunto, mas aquele professor que no «outra margem» andava a explicar umas coisas sobre o Sol esclarecerá exactamente como é que o sistema solar se formou... e verão como o Universo é Inteligente e subtil...
De Curioso a 6 de Julho de 2008 às 23:06

Caro Alf...

Como já referiu várias vezes que a teoria da nebulosa planetária (...) está incorrecta, estou muitissimo curioso para saber a sua idéia acerca do assunto, que eu acredito, ser muito mais súbtil...:-)

Uma outra coisa que me tem intrigado é o facto de referir que não existem quasares (tais como são definidos pela física actual) em post anteriores.

Se não for pedir muito...dê-nos só algumas pistas... para podermos especular e pensar no assunto.

Sem mais ...

Com amizade

Curioso.
De alf a 7 de Julho de 2008 às 03:28
amigo curioso, quasares ou a formação do sistema planetário são só dois pequenos aspectos do muito que se irá aqui dizer. Vieram «a talhe de foice», simplesmente.

Não vejo maneira de dar pistas sobre os dois porque eles resultam naturalmente de algo que é preciso esclarecer; o sistema solar resulta da maneira como o Sol funciona, sobre o qual já disse qq coisa no «outra margem» , e os quasares resultam da maneira como a matéria se organizou, da chamada estrutura em larga escala do universo - contrariamente à ideia aceite, a matéria não se organizou a partir de «grãos» na distribuição inicial de matéria.

O melhor é ter um pouco de paciencia... vou tentar não demorar muito a expor as coisas, embora esteja com dificuldade para conseguir postar mais depressa.

(e eu não digo que não existem quasars - digo que não são produzidos por buracos negros)

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