Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Nem todas as Verdades se dizem

 

 

 

Ao alinhar as ideias sobre a formação das estrelas começo a perceber que irei entrar em tópico que talvez seja prematuro abordar agora. Não adianta pedir segredo, se eu não o guardar os outros também o não farão. Ainda não encontrei uma maneira adequada de apresentar o assunto. Hesito, e a minha hesitação intriga os outros:

 

Então? Deu-te o sono agora?” O Mário brincalhão.

 

Vocês sabem que nem tudo se pode dizer às crianças, não é verdade? E porquê?”

 

Ora, porque elas não têm o conhecimento suficiente, não têm um modelo de realidade suficientemente desenvolvido para poderem incorporar nele muitas das coisas desta vida. Assim, é preciso fornecer-lhes ideias que não são exactamente verdadeiras mas que encaixam no seu modelo de realidade e conduzem ao comportamento pretendido.” Responde célere a Luísa.

 

Isso mesmo, Luísa, vejo que és especialista em crianças; mas diz-me agora: e em relação aos adultos?”

 

Em relação aos adultos...a Luísa intrigada com a questão,bem, as coisas têm sempre de ser colocadas em termos compatíveis com os conhecimentos das pessoas; por exemplo, as Igrejas constroem modelos de realidade compatíveis com os conhecimentos e necessidades dos povos. Modelos que os guiam no seu dia-a-dia. As doutrinas religiosas conseguem com muito poucos recursos uma eficiência na gestão dos povos comparável à dos complexos sistemas dos países ocidentais.”

 

Mesmo os povos do chamado 1º mundo também são geridos com recurso a métodos que substituem a «verdade» por deflagradores de comportamento adequados”, intervêm a Ana, subitamente séria,Por exemplo, a técnica da «mentira conveniente».”

 

Pois”, o Mário também quer dizer qualquer coisa,viu-se isso bem no caso das armas de destruição maciça do Iraque... como já se tinha visto nas teorias da raça usadas pelos alemães, pelos japoneses, se calhar por todos os intervenientes nas guerras mundiais...”

 

Vocês estão a falar do passado e dos outros. Provavelmente presumem que estão acima dessas coisas, são pessoas informadas e pensantes, nada a não ser a Verdade pode condicionar o vosso comportamento...”. Ficaram a olhar para mim, espantados.

 

O que é que queres dizer com isso?” O Mário, quase escandalizado.

 

A nossa sociedade seria impossível de gerir sem o recurso a essas «mentiras convenientes»; por exemplo, sem a teoria das alterações climáticas, não seria possível desenvolver energias alternativas nem combater a poluição nem desenvolver uma consciência global. É uma grande mentira, o clima é ditado pelo Sol, segue as variações da actividade solar, mas é útil para a gestão dos povos de hoje.”

 

Mentira como? A Teoria do Aquecimento Global é uma teoria científica! A Ciência não mente!O Mário quase agressivo.

 

A Ciência que tu amas não mente; mas existe outra, uma Ciência-Religião-de-Estado, que está para a Ciência como a Igreja Católica para as ideias de Cristo.”

 

Mas que ideia!” desabafa o Mário.

 

A Ciência-Religião-do-Estado não é uma opção da Ciência, é uma necessidade da sociedade; «Deus» e «Sabedoria» são os conceitos que convencem os humanos a integrar-se em grandes sociedades, são duas estruturas com milénios de existência, tão antigas como as sociedades humanas. Evoluíram, a princípio os deuses eram vários e distantes, os sábios eram bruxos, sacerdotes, oráculos, astrólogos; hoje temos Igreja e Ciência a assegurar essas funções.A Ana a mostrar os seus pergaminhos. Altura de ser ela a «professora». Continua, imparável:

 

Essas duas estruturas são muito diferentes: uma Religião-de-Estado é ainda uma religião de sacerdotes, distante do povo, como a dos Incas ou dos Maias, enquanto uma Igreja é participada e integrada pelo povo, que tem um papel activo nela. A Ciência-Religião-de-Estado sabe todas as respostas, nunca diz que não sabe, nunca se engana, não tem dúvidas; isso não é o oposto da ciência que tu amas?O Mário ficou perplexo.

 

Eu sei que pelo menos um prémio Nobel da Física já criticou a Ciência-Religião-do-Estado, mas não partilho dessas ideias.”

 

E há muito mais «mentiras convenientes»; por exemplo, é preciso inventar constantes ameaças, sem as quais as pessoas começam a achar que não precisam da sociedade, que condiciona os seus instintos predadores, e começam a agir contra ela; é por isso que agora temos ameaças de epidemias todos os anos. Vejam esta gripe A: trata-se e cura-se como outra gripe qualquer, mas estabeleceu-se uma paranóia em torno dela que não tem qualquer outro objectivo que não seja fazer as pessoas sentirem que precisam da sociedade.”

 

Inteiramente de acordo, Ana. Imaginamo-nos infinitamente superiores a uma criança, que vemos como uma espécie de estado larvar do humano, mas na verdade há só uma pequena diferença de escala entre uma criança de 8 anos e um adulto. E tal como as crianças, precisamos dos nossos «papões» e «homens do saco» para nos portarmos bem; caso contrário os nossos instintos de predadores assumem o controlo dos nossos actos.

 

E é por isso que temos de ser geridos por «mentiras convenientes», porque não passamos de crianças grandes.” O Mário trocista.

 

Ri-te Mário, mas eu é que não falo deste assunto; vou colocá-lo nas mãos da Ciência-Religião-de-Estado ou da Igreja e eles que se desenvencilhem.”

 

Tu tinhas é de voltar aos teus mistérios! Já começo a conhecer-te...”

 

Já te referi que o director do grande observatório do Vaticano explicou que o objectivo do observatório é entender «a personalidade de Deus». Não entendes o que ele quer dizer pois não?”

 

Isso é uma explicação para crentes...

 

“Pois, não entendes, não podes entender porque o teu modelo de realidade não tem a informação suficiente. É por isso que vamos é ver que nova construção sucederá às Galáxias e deixar as Estrelas, esse braço da vontade de «Deus» no que a nós se refere, para outra altura.”

 

Cá para mim, estás é a fugir de alguma coisa... deve estar a faltar-te alguma peça no puzzle...

 

Incrédulo Mário, que acreditas nos sacerdotes da Religião-do-Estado mas desconfias de mim! Fazes bem, não devemos confiar em ninguém! Mas como eu tanto gosto de abalar as crenças como as descrenças, vou dizer qualquer coisa sobre as estrelas que tu não saibas... por exemplo, sabes porque não oscila o Sol?

 

 

publicado por alf às 17:10
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