Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Evanescente é a Matéria

 

 

 

Aiiiiii... tu poupa-me Jorge! Sabes quantas teorias loucas de pessoas convencidas que descobriram algo de fantástico sobre o universo eu recebo todos os anos? E sabes o trabalho que dá analisar as ideias dos outros? E nunca, até hoje, encontrei uma única que tivesse uma ideia que valesse a pena. Nunca. Nem uma. Uminha que fosse.


Então não sei Mário! Acontece-me o mesmo... E como a tua experiência empírica é essa, estás convencido de que não existe a possibilidade de um dia alguém aparecer com algo interessante, não é?


Claro! Eu não acredito em milagres! Eu sou ateu! Se não há nenhuma evidência é porque não existe, ponto final!” , o Mário lançou um olhar divertido para as damas, satisfeito consigo próprio. Nós, machos, temos todos os mesmos comportamentos...


Mas se olhares para a história, não faltam casos de teorias feitas à margem do sistema científico... a começar pelo próprio Copérnico, pelo Galileu, até mesmo o Newton...”


Não comparemos! Isso é desconversar! Estamos noutra época. Não se cometem os mesmo erros. A História não se repete!” alguma irritação a denunciar a falha de argumentos.


Não?! Aí é que tu te enganas. A História é feita pelos humanos e como a experiência não é contagiosa, dizia o Henrique Santana, os humanos repetem os seus erros. Queres que eu te mostre?


Bem... não sei o que queres mostrar... mas mostra.”


Conheces aquele famoso argumento com que o Galileu procurou convencer os seus contemporâneos de que tinha de ser a Terra a rodar e não o Universo?


Referes-te a ele perguntar o que parecia mais razoável, se o imenso Universo rodar inteiro em 24 horas ou a pequena Terra?


Como responderias ao Galileu, Luísa?


Eu?”, a Luísa surpreendida, “eu sei que é a Terra que roda... é evidente que é muito mais razoável pensar-se que é a Terra e não o imenso Universo... não sei porque é que foi necessária tanta confusão por uma coisa tão evidente...


Evidente mas contrária à experiência, ao conhecimento empírico das pessoas. «é contra o sensível que o saber depõe», disse o António Sérgio. A habilidade do Galileu foi a de perceber que as duas coisas são compatíveis, ou seja, é verdade que é a Terra que roda mas também é verdade que tudo se passa, para nós, como se a Terra não rodasse.”


Estás a referir-te ao Princípio da Relatividade de Galileu!


Exactamente Mário! Qualquer que seja o movimento uniforme, tudo se passa como se estivéssemos em repouso.


E o que é que isso tem a ver com o que estávamos a dizer?”


Tudo Mário. Aqui está um erro que estamos a repetir.”


Estamos a repetir? Que estás tu a dizer?


O que te parece mais razoável, que o imenso Universo expanda inteiro ou que a pequena Terra diminua?”


Como é isso?


O Universo parece expandir de uma forma rigorosamente idêntica em todas as direcções e com uma velocidade proporcional à distância a nós, o que é exactamente o que seria de esperar se nós estivéssemos muito lentamente a diminuir de tamanho.”


Mário ficou completamente surpreendido, tal ideia nunca lhe ocorrera obviamente. Olhei para a Ana e a Luísa, cujo ar era tão espantado como o do Mário. Finalmente, conseguiu encontrar algo para falar:


Mas isso seria um disparate! Se estivéssemos a encolher certamente que daríamos por isso. Estás a brincar, não estás?”


Não Mário, não estou. Como vês, estamos a cometer exactamente o mesmo erro. Porque, como no caso da rotação da Terra, também aqui se verifica o Princípio da Relatividade. Eu não te disse que tinha continuado o trabalho de Einstein? Só que em vez disso, os nossos neurónios, iguais aos que produziram o modelo de Ptolomeu, voltaram a repetir os mesmos erros, voltaram a criar um modelo do Universo onde as leis que vigoram aqui são diferentes das que vigoram lá longe, no “céu”.”


Diferentes como? Que disparate é esse?


Claro que as leis são diferentes. Aqui o espaço não expande e não existe matéria negra nem energia negra; no céu dos astrónomos o espaço expande e é quase exclusivamente composto de matéria negra e energia negra, que são equivalentes à matéria etérea e esferas de cristal dos modelos da antiguidade. O Big Bang ou o modelo do Ptolomeu são retratos dos nossos neurónios, espelhos do funcionamento do nosso cérebro, não são modelos do Universo.


Calo-me. Não sei como continuar. O Mário está com um ar aturdido, por detrás do olhar parado adivinho o turbilhão de pensamentos. Está a pensar no que eu disse, o Mário não é daquelas pessoas que argumenta só para mostrar que tem razão, ele procura a verdade.


Um fenómeno desses obrigaria a reescrever toda a Física!”, articula finalmente, “Para me convenceres, tens de me demonstrar isso matemáticamente.”


Claro Mário. E nem preciso da Análise Tensorial para isso, basta-me a matemática dos liceus. Isso está implícito nas nossas leis físicas, nas que usas todos os dias, só que tu o não vês, tal como não vês a chave da geometria do universo implícita no Teorema de Pitágoras. E repara a dimensão da nossa cegueira: nunca te tinha ocorrido a possibilidade óbvia de esta expansão tão rigorosamente geométrica, que aparenta afectar todo o Universo, mais não ser do que consequência de nós, o observador, estarmos a diminuir.


Mas a diminuir como?” interveio a Luísa, ar entre o assustado e o duvidoso, “é por isso que os dinossauros eram tão grandes?”


Não pude deixar de soltar uma risada. “ Nada disso Luísa! Além do mais, esta diminuição é lentíssima, são precisos uns 14 mil milhões de anos para uma redução para metade; só podemos detecta-la observando os astros muito distantes porque a luz que nos chega deles foi emitida há muitos anos e nos permite comparar o presente com o passado; mas querem que eu vos explique como é?


Sim”, responderam em coro mas foi o «sim» do Mário que me interessou. Parece-me que ele percebeu que podemos repetir os erros do passado. “Então voltemos à Luz! No princípio era a Luz, não é verdade? Então é pela Luz que temos de começar.

 

 

publicado por alf às 18:40
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Um Universo que pode ser explicado às crianças

 

O vento sopra agreste... sopra sempre assim na primavera, nesta esplanada sobre a praia da Torre. Gosto disto. Os arranjos ajardinados e a vista soberba sobre o mar transportam-me para muito longe do caótico ambiente de Lisboa. A presença do forte de Oeiras dá aquele toque esotérico que liberta a imaginação.


 

É hoje que vais explicar a Luz ou o tempo ainda não está suficientemente do teu agrado?” a Luísa interrompe-me a contemplação com a sua voz entusiasmada e remata com uma pequena gargalhada. Esforço-me para renunciar ao apelo hipnótico da luz do mar: Tem de ser, não é? Senão, ainda me bates...”, o meu sorriso tímido merece um sorriso divertido de todos.

Confesso que estou curioso para saber como vais explicar a teoria da Relatividade às meninas. O Mário com aquela pose benevolente que ele tão bem sabe assumir.

Mário, pensas que somos burras?” Luísa não deixa escapar a oportunidade de dar um beliscão ao Mário, propiciador de outras intimidades que lhe estão a apetecer.

Eu não vou explicar a Teoria da Relatividade como o Einstein e o Minkowsky a fizeram! Seria o mesmo que pôr-me a explicar a teoria de Ptolomeu!Mário suspendeu imediatamente o carinho que estava a fazer à Luísa:Como é isso?”

“Eu vou explicar a misteriosa propriedade do Universo que está por detrás da questão da Relatividade. E de outras questões como a expansão do espaço. A teoria do Einstein ou a do Big Bang são apenas tentativas de modelar o Universo na ignorância dessa propriedade e baseadas numa presunção errada, tal como o modelo de Ptolomeu o foi.”

 

O Mário enfia a cabeça nas duas mãos. Não é para menos, imagino o que ele estará a pensar. Sei que apenas a credibilidade que a Luísa e a Ana me dão, e o interesse delas, me permitirá sustentar esta conversa; se dependesse dele acabaria já aqui. Aguardo. Mário levanta a cabeça:

Para nos mostrares que o que dizes não é fantasia, tens de o provar com recurso à matemática.

Talvez eheh”, procuro relaxar um pouco o Mário, “mas vamos ver aonde consigo chegar usando ao máximo a lógica e ao mínimo a matemática! O modelo de Copérnico também pode ser explicado às crianças, embora fosse necessário um génio matemático para o estabelecer, não é verdade?”. Percebo-o: se eu entrar pela matemática dentro, a Luísa e a Ana deixarão de poder acompanhar. Tenho de manter as explicações ao nível da matemática e da física do nono ano.

Noto que as minhas palavras parecem tê-lo irritado. Afasta um pouco a Luísa para falar, quer dizer algo sério.

Tu queres explicar o Universo usando a Lógica? Mesmo o Einstein, que defendeu que isso era possível, fez o quê? Partiu dessa propriedade misteriosa que o Princípio da Relatividade enuncia para obter equações ainda mais misteriosas, matando qualquer veleidade que poderíamos ter de compreender o Universo. O que tu queres fazer nasceu com o Newton mas morreu com o Einstein!”.

Não estranho o que ele diz, já sei que a crença na incompreensibilidade do Universo se tornou tão forte na Física como na Religião. Tenho de contestar, mas com calma:

 

A crença na impossibilidade de ir compreendendo o Universo acompanha os modelos errados, bem como a ideia de um Universo de acasos e desarmonias. Com os modelos logicamente consistentes, como o que Newton fez, nasce um Universo que podemos ir compreendendo, cheio de harmonia, beleza, inteligência. Sabem a sensação que temos quando passeamos num jardim bem cuidado?”

 

Sim.”  O ar surpreendido da Luísa mostra como este pensamento foi inesperado para ela.

Não me digas que agora te tornaste místico?

 

Nada disso. Os crentes irão dizer que não há maior prova da existência de Deus, como aconteceu com o modelo de Newton, mas igualmente os ateus dirão que tal Universo prescinde de Deus; ou seja, todos os crentes ficarão mais convictos daquilo em que crêem, seja qual for a sua crença.

 

Vivermos num local feio e desarmónico é muito diferente de vivermos num local belo... somos mais felizes quando vivemos num sítio bonito... pensas que um outro entendimento do Universo contribuiria para uma humanidade mais harmónica?

 

Isso mesmo Ana. Uma ideia de Universo feita de matéria negra, energia negra, buracos negros, tudo regido pelo caos absoluto, impossível de descrever com palavras porque é ilógico, contrário a si mesmo, é tão aliciante como a ideia que os marinheiros de antigamente tinham do mar. E isso tem consequências. A história e o destino dos diferentes povos da antiguidade reflecte muito as ideias que eles tinham do Universo. O Einstein buscava esse Universo que se poderia compreender, explicar às crianças.”

 

Mas falhou. E achas que tu conseguiste o que o Einstein não conseguiu?Mário fez uma pausa, convicto de que tinha encontrado o argumento final. Pelo canto do olho, vejo a Ana e a Luísa expectantes da minha resposta.

Não é assim; Einstein fez uma parte do caminho; um caminho iniciado por Galileu, e continuado por outros. Eu continuei esse caminho,apenas isso. E consegui atingir a compreensão que ele buscava. É por isso que a Ana e a Luísa me vão poder compreender. Porque agora, eu posso explicar o Universo às crianças.” Sinto o coração a saltar do peito, estas afirmações grandiloquentes incomodam-me, mas que alternativa tenho?

Estás a dizer que vamos ficar a compreender melhor o Universo do que o Mário?”

Ana, não compreendes tu melhor o Universo do que esse grande génio que foi o Ptolomeu? Não compreenderão as crianças de amanhã o que parece transcendente aos físicos de hoje? Imagina que eu sou uma criança do Futuro que te veio apresentar um Universo surpreendente, compreensível, harmónico.” Pego na mão da Ana, que se sorri com a ideia... ou será que é com o toque da minha mão?

Que és uma criança não tenho dúvidas!”, a Luísa deixa explodir uma das suas contagiantes gargalhadas. Abençoada Luísa. Aproveito para ir directo no assunto, com entusiasmo:

“LUZ! Não precisamos mais do que analisar, sem preconceitos, as propriedades da Luz para desvendar a natureza da Matéria e do Espaço! Nas coisas elementares, como na ingenuidade das crianças, se revelam as grandes verdades. Na Luz e no Teorema de Pitágoras!”

 

publicado por alf às 02:27
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Domingo, 18 de Maio de 2008

A Chave da Geometria do Universo

 

 

 

 

“Mário, acredita-me, o Universo é fantásticamente subtil, cheio de magia aos nossos simplórios olhos. Olha, estou a lembrar-me de uma coisa bem interessante...”


Ai sim?! Então conta.”


“ A lei mais básica necessária à descrição do Universo está à vista de toda a gente há milénios, pois está implícita no Teorema de Pitágoras, mas ainda ninguém teve a subtileza de a ver.”


Essa agora! “, espanta-se o Mário , “o teorema de Pitágoras?! Não me digas que foste descobrir algo de novo no teorema de Pitágoras!”


“Naturalmente!”


Essa é o máximo!”, explodiu Mário, “Jorge, tu sabes que há centenas de demonstrações do teorema de Pitágoras? Por todo o mundo, desde há milénios, que o Teorema de Pitágoras vem sendo descoberto e redescoberto e tu achas que é possível alguém descobrir algo de novo nele???”


 

“Como é que disse o Galileu? Que é preciso entender a linguagem em que o Universo está escrito?”


Disse que o Universo está escrito em símbolos matemáticos e que é preciso entender a matemática para o poder descrever”, respondeu prontamente a Luísa, satisfeita por esta oportunidade de entrar na conversa entre os dois.


“ Hããã... quase... mas não exactamente, Luísa. Galileu disse que o Universo está escrito em figuras geométricas e é preciso conhecer essa geometria para entender o Universo. A lei oculta no Teorema de Pitágoras é a lei fundamental da geometria do Universo ! Quem não sabe essa lei, não sabe a linguagem em que o Universo está escrito, não pode ler correctamente o Universo.”


Estás então a dizer”, interveio Luísa, cautelosa, a sua mão sobre a minha, “que os cientistas têm estado a traduzir o Universo usando o dicionário errado?”


“Bem, é uma boa imagem. Ou melhor, podemos dizer que a chave que tem sido usada para descodificar o Universo está incompleta”. A mão escaldava-me no contacto com a mão da Luísa, retirei-a suavemente.


 

“Isto está avassalador”, Mário riu-se, de forma algo trocista, “cheira-me quase a bruxaria ...”


“Magia Branca, meu caro Mário, Magia Branca, eu avisei-te!”. Sorri, tentando desanuviar a perturbação do Mário e disfarçar a minha, produzida por razões bem diferentes. “O Universo é um lugar mágico! E é tão mágico como isto: eu estou a afirmar que a chave fundamental para a descodificação do Universo está implicita no Teorema de Pitágoras. Quem souber ler, entende. Mas tu não conseguirás ler. Sabes porquê?” Fiz uma pequena pausa e continuei:


 

“Porque o que lá está é contrário à ideia que tens do universo! E só somos capazes de ver o que está de acordo com o que já acreditamos. Está lá, não consegues ver e, no entanto, não está escondido. Como disse Einstein, Deus é subtil mas não é malicioso.”


 

“Ena, isto já parece uma história do Dan Brown!”, Luísa riu-se, atirando a cabeça para trás com o fulgor que lhe era próprio, “Mário, tens aí uma oportunidade de fazeres o papel do herói: uma mensagem secreta está codificada no Teorema de Pitágoras”. Luísa assumia a pantomina, para isso tinha muito jeito, a sua voz era agora grave, a expressão séria “E essa mensagem é, nem mais nem menos, do que a chave para ler o Universo! Ao trabalho Mário!”


Mário puxou-a pelos dois braços e, com um beijo fez o riso que subia já a traqueia dela engasgar-se-lhe nos brônquios.

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(imagem: Wikipedia)

publicado por alf às 21:17
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Apresentação

Recorrendo essencialmente ao formato de uma conversa entre quatro personagens, tentarei apresentar em linguagem acessível a pessoas sem formação na área científica o essencial da Teoria da Relatividade restricta e prosseguir na linha de pensamento específica de um conjunto de cientistas, nomeadamente Poincaré, Einstein, Lorentz e Fitzgerald.

 

Esta linha é diferente da iniciada por Minkowsky e que conduziu à Física actual. As aparentemente pequenas diferenças iniciais conduzem a conceitos de Universo tão distintos como o de Copérnico era diferente do de Ptolomeu.

 

Há também uma profunda diferença metodológica neste processo. Enquanto a Física actual segue a simples metodologia de Ptolomeu (elaboração de modelos matemáticos sobre os dados das observações tal como são obtidos), aqui sigo a metodologia de Galileu (elaboração de modelos logicamente conexos).

 

Deixem-me apresentar-vos as personagens:

 

Jorge e Ana são duas personagens de mistério; Jorge porque tem o conhecimento da Outra Física, Ana porque tem um papel que transcende este blogue.

Mário é um cientista, com largo espectro de conhecimentos e uma imensa abertura de espírito para analisar as ideias do Jorge.

Luísa representa as pessoas cuja formação não pertence à àrea científica ou técnica.

 

Este blogue é um "spin off" do blogue "outramargem", contendo os posts que respeitam exclusivamente à Física.

publicado por alf às 15:30
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