22 comentários:
De alf a 7 de Dezembro de 2009 às 01:41
Olá anonimodenome

Ler o Einstein tem esse efeito... a mim acontecia-me o mesmo... porque ele lança observações profundas que nos deixam a pensar.

Porquê uma visão de Deus? porque o modelo de Einstein é interpretado como se o observador não pertencesse aos sistemas que observa - um observador vê os corpos mudarem de tamanho, mas nunca questiona se o seu tamanho não muda também.

Em que capítulo vem essa referência ao rigid body? No 23? Repara que aí o Einstein comete um erro - quando diz que a relação perímetro/raio deixa de ser «pi» porque a régua tem um comprimento diferente quando orientada segundo o movimento ou qd perpendicular a ele; isto porque tal como a régua muda de comprimento, também o disco se deforma; a medida do perímetro tem de ser sempre a mesma.

Para perceberes melhor, podes imaginar que o raio e a periferia do disco estão graduados; qq que seja o movimento do disco, o número total de tracinhos da gradução, ou seja, a medida dos comprimentos, não se altera; se colocares a régua de medida em cima de quaisquer tracinhos da gradução, ela verificará que estes estão certos, porque disco e régua alteram-se da mesma maneira.

Os capítulos a seguir ao 23 são muito interessantes nessa obra do Einstein. Pelo menos foram inspiradores para mim na altura em que os li.



De alf a 7 de Dezembro de 2009 às 14:30
O que eu disse no comentário anterior sobre o Einstein foi escrito à pressa e não traduz o que eu queria dizer. Tenho de ser um bocadinho mais longo...

Nesse capítulo o Einstein mostra que as definições e as conclusões da Relatividade Especial não podem ser aplicadas ao caso do disco em rotação. Ele encontra um paradoxo! O erro dele está em concluir que precisa então de uma nova definição de coordenadas para estudar este caso. Porque não é aí que está o problema. O problema está no tal erro dele na relatividade especial, o tal parâmetro que ele fez igual a 1 porque, nas palavras dele "que outra coisa poderia fazer?". De facto, poderia fazer outra coisa, e essa outra coisa faz desaparecer este paradoxo e todos os outros paradoxos e dificuldades conceptuais da teoria.

E a diferença é ínfima - da segunda ordem em v/c. é por isso que não é dectável experimentalmente, porque as experiências que a poderiam detectar não atingem a precisão necessária. Ou seja, a teoria produzida está certa do ponto de vista experimental actual - tal como a teoria de Newton também esteve certa durante muitos anos. O erro revela-se apenas, por enquanto, na análise conceptual, por conduzir a paradoxos como este.

A nova definição coordenadas de Einstein é a de Gauss, própria para o estudo de superfícies curvas, adequada ao estudo do campo gravítico e que permite uma possível solução ao problema do disco - basta considerar este como uma calota esférica, já a relação entre perímetro e «raio» medido ao longo da superfície deixa de ser «pi». Só que o facto de isto poder resolver o paradoxo não significa que seja a explicação para ele - porque a alteração do tal parâmetro também a resolve sem necessitar de introduzir uma curvatura no espaço no caso do disco.

A teoria da RG aborda correctamente o campo gravítico e a definição gaussiana de coordenadas é adequada para o seu estudo; a sua aplicação para resolver paradoxos que resultam da Relatividade Especial é que não é.

E por aqui também se percebe porque é que eu não começo pela Relatividade Especial - porque para provar o que digo não basta a justeza da análise conceptual, é preciso uma prova experimental.

Ao começar pela Relatividade de Escala, vou construir uma nova estrutura de análise, baseada em resultados experimentais, a partir da qual poderei depois substituir a de Einstein - porque aí ambas as estruturas estão baseadas em resultados experimentais e a minha é melhor porque permite explicar as observações cosmológicas e outras.

Nota que o Einstein não faz desaparecer o conceito de «corpo rígido» - as coordenadas de gauss continuam baseadas nele, a variação da unidade de medida implica a variação das propriedades geométricas, é mesmo para isso que elas servem. Ultrapassar o conceito de «corpo rígido» é perceber que a régua de medida pode variar e as propriedades geométricas continuarem exactamente as mesmas, o que torna impossível saber se um uma régua de medida é rígida ou se varia com a lei que permite que isso aconteça, a tal Lei da Idiometria de que falo aqui.

De anonimodenome a 25 de Dezembro de 2009 às 17:53
Antes do mais um bom Natal para o autor deste fascinante blog e para todos os leitores.
O alf mudou a inteligibilidade do Universo, da Vida e sua evolução, do Sol e sistema solar, e tantos outros mitos caem sob o seu pensamento. Quase todos os mistérios ficaram mais revelados.
Por ele, e pela sua amizade, a minha vida ganhou outra dimensão.
Nos blogs de física vou tentando despertar a curiosidade, procurar que sintam que existem outras abordagens, ao menos cultivar a dúvida sobre as suas bases, avivar Lorentz, Poincaré (falar do alf directamente é ainda muito proibido porque só querem assuntos sob peer-review).
Mas parecem ter uma courapaça impenetrável armados dos seus dogmas.
Para o futuro fica uma obra de génio, como nunca vira, como não suspeitava poder existir.
No futuro não hão-de faltar os alfistas.

De alf a 30 de Dezembro de 2009 às 16:55
Embora atrasado , ainda venho a tempo de te desejar aqui um bom ano de 2010 e agradecer os teus votos. E, também, as tuas palavras, que revelam a tua extrema generosidade. Um grande abraço!

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