Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Nem todas as Verdades se dizem

 

 

 

Ao alinhar as ideias sobre a formação das estrelas começo a perceber que irei entrar em tópico que talvez seja prematuro abordar agora. Não adianta pedir segredo, se eu não o guardar os outros também o não farão. Ainda não encontrei uma maneira adequada de apresentar o assunto. Hesito, e a minha hesitação intriga os outros:

 

Então? Deu-te o sono agora?” O Mário brincalhão.

 

Vocês sabem que nem tudo se pode dizer às crianças, não é verdade? E porquê?”

 

Ora, porque elas não têm o conhecimento suficiente, não têm um modelo de realidade suficientemente desenvolvido para poderem incorporar nele muitas das coisas desta vida. Assim, é preciso fornecer-lhes ideias que não são exactamente verdadeiras mas que encaixam no seu modelo de realidade e conduzem ao comportamento pretendido.” Responde célere a Luísa.

 

Isso mesmo, Luísa, vejo que és especialista em crianças; mas diz-me agora: e em relação aos adultos?”

 

Em relação aos adultos...a Luísa intrigada com a questão,bem, as coisas têm sempre de ser colocadas em termos compatíveis com os conhecimentos das pessoas; por exemplo, as Igrejas constroem modelos de realidade compatíveis com os conhecimentos e necessidades dos povos. Modelos que os guiam no seu dia-a-dia. As doutrinas religiosas conseguem com muito poucos recursos uma eficiência na gestão dos povos comparável à dos complexos sistemas dos países ocidentais.”

 

Mesmo os povos do chamado 1º mundo também são geridos com recurso a métodos que substituem a «verdade» por deflagradores de comportamento adequados”, intervêm a Ana, subitamente séria,Por exemplo, a técnica da «mentira conveniente».”

 

Pois”, o Mário também quer dizer qualquer coisa,viu-se isso bem no caso das armas de destruição maciça do Iraque... como já se tinha visto nas teorias da raça usadas pelos alemães, pelos japoneses, se calhar por todos os intervenientes nas guerras mundiais...”

 

Vocês estão a falar do passado e dos outros. Provavelmente presumem que estão acima dessas coisas, são pessoas informadas e pensantes, nada a não ser a Verdade pode condicionar o vosso comportamento...”. Ficaram a olhar para mim, espantados.

 

O que é que queres dizer com isso?” O Mário, quase escandalizado.

 

A nossa sociedade seria impossível de gerir sem o recurso a essas «mentiras convenientes»; por exemplo, sem a teoria das alterações climáticas, não seria possível desenvolver energias alternativas nem combater a poluição nem desenvolver uma consciência global. É uma grande mentira, o clima é ditado pelo Sol, segue as variações da actividade solar, mas é útil para a gestão dos povos de hoje.”

 

Mentira como? A Teoria do Aquecimento Global é uma teoria científica! A Ciência não mente!O Mário quase agressivo.

 

A Ciência que tu amas não mente; mas existe outra, uma Ciência-Religião-de-Estado, que está para a Ciência como a Igreja Católica para as ideias de Cristo.”

 

Mas que ideia!” desabafa o Mário.

 

A Ciência-Religião-do-Estado não é uma opção da Ciência, é uma necessidade da sociedade; «Deus» e «Sabedoria» são os conceitos que convencem os humanos a integrar-se em grandes sociedades, são duas estruturas com milénios de existência, tão antigas como as sociedades humanas. Evoluíram, a princípio os deuses eram vários e distantes, os sábios eram bruxos, sacerdotes, oráculos, astrólogos; hoje temos Igreja e Ciência a assegurar essas funções.A Ana a mostrar os seus pergaminhos. Altura de ser ela a «professora». Continua, imparável:

 

Essas duas estruturas são muito diferentes: uma Religião-de-Estado é ainda uma religião de sacerdotes, distante do povo, como a dos Incas ou dos Maias, enquanto uma Igreja é participada e integrada pelo povo, que tem um papel activo nela. A Ciência-Religião-de-Estado sabe todas as respostas, nunca diz que não sabe, nunca se engana, não tem dúvidas; isso não é o oposto da ciência que tu amas?O Mário ficou perplexo.

 

Eu sei que pelo menos um prémio Nobel da Física já criticou a Ciência-Religião-do-Estado, mas não partilho dessas ideias.”

 

E há muito mais «mentiras convenientes»; por exemplo, é preciso inventar constantes ameaças, sem as quais as pessoas começam a achar que não precisam da sociedade, que condiciona os seus instintos predadores, e começam a agir contra ela; é por isso que agora temos ameaças de epidemias todos os anos. Vejam esta gripe A: trata-se e cura-se como outra gripe qualquer, mas estabeleceu-se uma paranóia em torno dela que não tem qualquer outro objectivo que não seja fazer as pessoas sentirem que precisam da sociedade.”

 

Inteiramente de acordo, Ana. Imaginamo-nos infinitamente superiores a uma criança, que vemos como uma espécie de estado larvar do humano, mas na verdade há só uma pequena diferença de escala entre uma criança de 8 anos e um adulto. E tal como as crianças, precisamos dos nossos «papões» e «homens do saco» para nos portarmos bem; caso contrário os nossos instintos de predadores assumem o controlo dos nossos actos.

 

E é por isso que temos de ser geridos por «mentiras convenientes», porque não passamos de crianças grandes.” O Mário trocista.

 

Ri-te Mário, mas eu é que não falo deste assunto; vou colocá-lo nas mãos da Ciência-Religião-de-Estado ou da Igreja e eles que se desenvencilhem.”

 

Tu tinhas é de voltar aos teus mistérios! Já começo a conhecer-te...”

 

Já te referi que o director do grande observatório do Vaticano explicou que o objectivo do observatório é entender «a personalidade de Deus». Não entendes o que ele quer dizer pois não?”

 

Isso é uma explicação para crentes...

 

“Pois, não entendes, não podes entender porque o teu modelo de realidade não tem a informação suficiente. É por isso que vamos é ver que nova construção sucederá às Galáxias e deixar as Estrelas, esse braço da vontade de «Deus» no que a nós se refere, para outra altura.”

 

Cá para mim, estás é a fugir de alguma coisa... deve estar a faltar-te alguma peça no puzzle...

 

Incrédulo Mário, que acreditas nos sacerdotes da Religião-do-Estado mas desconfias de mim! Fazes bem, não devemos confiar em ninguém! Mas como eu tanto gosto de abalar as crenças como as descrenças, vou dizer qualquer coisa sobre as estrelas que tu não saibas... por exemplo, sabes porque não oscila o Sol?

 

 

publicado por alf às 17:10
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20 comentários:
De Metódica a 23 de Agosto de 2009 às 17:57
grrr

Das coisas que mais odeio ouvir (e que já em criança odiava) é um: 'não podes saber' ou 'ainda és muito nova para saber dessas coisas'. Juro-lhe que prefirou ouvir um sincero 'ainda não se sabe/descobriu' a um 'nao podes saber'.
O que é que não nos quere contar???

Porque é que a verdade cientifica está limitada só à 'elite'. É injusto!!
Porque é que não estamos preparados para saber? E o que é que não podemos saber? E porquê?

'personalidad de Deus...'??
A Igreja pretende ter o poder da previsão??
Quem detem o conhecimento detem o poder! E a igreja não quer perder a influencia que tem...


Penso que as pessoas quem procura a verdade são sempre crianças que não se contentam em ouvir um 'ainda não podes saber'.

De alf a 23 de Agosto de 2009 às 23:40
Metódica

Tu podes saber as respostas todas... mas nem todas as pessoas são como tu. Pelo contrário, só uma minoria de pessoas é como tu. A maioria das pessoas não raciociona e vive ao sabor dos seus medos.


Não se pode soltar «medos» que não se podem controlar. Podes soltar «medos» desde que tenhas um antídoto - uma vacina para uma gripe, o controlo do CO2 para um aquecimento global, um raio laser ou um míssil para um meteoro. Mas se não existir um «antídoto» suficiente, não podes soltar o «medo» senão as pessoas entram em paranóia. Esta é a realidade.

A atitude da Igreja neste assunto é a possível. Acho que o director do observatório não poderia mesmo ser mais claro.

Eu já larguei em diversos posts as várias peças do puzzle; tu não gostas de resolver mistérios? Procura as peças do puzzle nos posts do «outramargem»... É que certas verdades são só para quem as procurar. E esta nem sequer está muito escondida, bem pelo contrário.

Para os leitores do «outramargem», não há «mistério»; quem não entender é porque não está preparado para entender. Agora, o meu cuidado é que só os leitores dos meus blogues possam entender, não as pessoas que navegam na net. Eu digo «tudo» para as pessoas que seguem os meus blogues, porque essas pessoas já são uma selecção; mas não posso dizer «tudo» a um qualquer navegante da net que «aterre» aqui por acaso.

(já tive uma experiência esclaredora com um post sobre a rotação da Terra...)

Mas gostei da tua reacção rsrsrs! É mesmo assim!!



De Metódica a 24 de Agosto de 2009 às 00:49

Sim, estou a perceber, o conhecimento tem que ser merecido :)

Bem, sendo assim vou testar os meus dotes de detetive, que espero que sejam alguma coisa de jeito :P
Encontramo-nos no outra margem então ;)
De Curioso a 24 de Agosto de 2009 às 13:46
Olá a todos...

Um curioso não pode ficar satisfeito com um post deste... estou totalmente de acordo com a metódica...

Mas na realdade estão muitas pistas sobre o Sol no "outra margem" , o que nos pode ajudar a saber a como é a vida das estrelas...

Vou reapitular algumas coisas interessantes sobre o Sol que estão no "outra margem".

1º O Sol não oscila, mantém-se estável, mas segundo as teorias actuais deveria oscilar... a justificação está no quarto estado da matéria (plasma) ou melhor na mudança do estado gasoso para o estado de plasma.

2º A Terra sofre grandes catástrofes separadas por alguns milhares de anos (umas mais fortes que outras). Os posts do outro margem dão claramente a entender que essas catástrofes sõ provocados pelo Sol numprocesso de expulsão de matéria. Também é dado a entender no outra margem que este processo está relacionado com as manchas solares. O Alf dá a entender que percebe a natureza das manchas solares e promete uma explicação a breve prazo.
Uma outra coisa realmente incrível que pode ser intuída é que os planetas do Sistema Solar foram formados pela matéria que é expelida pelo Sol nesses processos de expulsão de matéria. Parece que o Sol mantem essa capacidade (Rainha) mas os planetas existentes impedem a formação de novos planetas.

O que não encontrei foi...

Como se formou o Sol e as estrelas de um modo geral... parece que o processo caótico não é para aqui chamado.

O que são na realidade as manchas solares e como estão relacionadas com a expulsão de matéria do Sol... Serão as manchas escuras a matéria formada no interior de Sol e que bloqueia apassagem da luz solar? Será quando essa matéria é suficiente a pressão da radiação aumenta em relação à força gravítica que ocorre a explusão da matéria?

Bem vou ficar por aqui...

Abraço.

Curioso
De alf a 24 de Agosto de 2009 às 14:28
Está a ver Curioso, como diz tudo (ou quase) este post que diz que não se pode dizer?

«Quem lê, entenda»

Sabe como se pode saber quando «essa matéria é suficiente»? Pelo nível de «metalicidade» da estrela. Se juntar isto ao que já sabe, verá que não posso estar a falar do assunto de forma muito leviana porque podem surgir logo interpretações geradoras de pânico. E isso não se justifica nem pouco mais ou menos.

Este assunto da oscilação vai servir para dizer qualquer coisa sobre a formação das estrelas duma forma menos «chata» do que se me pusesse a a descrever o processo linearmente; além de que isso me forçaria a ir a detalhes de que não estou inteiramente certo.

O tema das oscilações solares pode ser muito interessante; afinal, são elas que andam a causar as «alterações climáticas»... perceber como está a variar a actividade solar permite-nos antever o clima terrestre.

Um abraço.
De Curioso a 24 de Agosto de 2009 às 22:42

Acho que entendi o que é metalicidade da estrela (possivelmente tem a ver com a quantidade de metal existente no Sol... Ferro e irídio,...). Mas aqui surge um problema... Segundo a teoria actual o Sol não tem capacidade para produzir elementos mais pesados que o carbono. De onde vem todo esse metal ... que até pode dar origem a planetas inteiros... é formado no interior do Sol? De que forma?

Curioso
De alf a 25 de Agosto de 2009 às 01:57
Os «metais» são a grande maioria dos elementos. O lítio é um metal. A «metalicidade» das estrelas não é estrictamente o conteúdo de metais mas de todos os elementos para além do H e do He.

A teoria actual prevê a existência de 3 tipos de estrelas, uma das quais, a população III, sem «metais». Ora ainda não se encontrou uma única estrela deste tipo. A explicação de que estas estrelas foram as primeiras e já explodiram há muito não é satisfatória porque isso implicaria que toda a poeira da nossa galáxia já é o resultado da explosão dessas estrelas porque todas as estrelas da galáxia têm «metais».

Esta teoria de que a metalicidade das estrelas reflete a composição da poeira que as originou é um pouco como a da «snow ball earth» - como a física actual implica que a terra esteve congelada no passado, pôs-se de pé uma tal teoria, juntando as evidências que poderiam ser interpretadas dessa maneira e ignorando as contrárias.

Já vi apresentado num congresso de astronomia um conjunto de medidas de metalicidade de estrelas na nossa vizinhança que mostravam uma distribuição quase linear entre um mínimo algo difuso e um máximo bem delimitado. Nada que pudesse corresponder a uma divisão de populações. Nunca vi isto publicado.

A alternativa a esta teoria de que as estrelas não produzem os elementos pesados é pensar que as estrelas os produzem.

A ideia de que os elementos pesados se afundariam no interior da estrela é simplesmente uma burrice. É como dizer que um navio de ferro não pode flutuar na água.

Neste caso, que significa a existência de um limite superior para a metalicidade das estrelas? E que representa o Sol estar perto desse limite?
De antonio - o implume a 25 de Agosto de 2009 às 13:56
Tudo depende se estamos num estágio infantil da nossa fé... a partir de um certo nível ouvimos sempre as verdades que queremos escutar. Mais nada.
De alf a 25 de Agosto de 2009 às 14:13
isso mesmo antónio! E qualquer pequeno ruído dispara em nós a adrenalina do medo. Como qualquer criança, na mais pequena sombra vemos o papão.
De antonio - o implume a 25 de Agosto de 2009 às 22:22
E isso não nos aproxima da verdade?
De alf a 26 de Agosto de 2009 às 17:53
hummm.... sobretudo serve para sermos conduzidos. Quem quer utilizar-se da humanidade, ou conduzi-la, apenas tem de agitar o papão adequado e conseguirá tudo o que quer. Serve para sermos enganados....
De Curioso a 25 de Agosto de 2009 às 23:18
Parece preocupante.
Se o Sol está perto do limite de metalicidade isso significa que está prestes a ter um comportamento preocupante... o que significa que a Terra está prestes a ganhar uma nova camada de irídio e mais coisas, só que o irídio dá mais nas vistas (num futuro relativamente próximo).

Conclui-se então que uma estrela com uma percentagem elevada de elementos pesados está proxima de entrar num processo de expulsão de matéria...

Só uma questão...
Parece que as estrelas nas suas reacções de fusão só podem formar até ao Ferro que tem número atómico 26... então o irídio com Z=77 forma-se onde e quando?.. quando a estrela expele a matéria?.. pensei que era preciso qualquer coisa como uma supernova para o produzir naturalmente...

Curioso.
De alf a 26 de Agosto de 2009 às 18:22
A teoria de que os elementos pesados não se podem produzir no interior do Sol deve ser vista como algo ultrapassado. Essa é uma afirmação que não se pode fazer. Não se pode concluir isso a partir das condições médias no núcleo solar - quaisquer que estas sejam, existe sempre uma certa probabilidade de condições muito mais intensas serem atingidas localmente.

O que se pode dizer que é que os elementos pesados não se produzem nas condições médias do núcleo solar, e que para obter condições médias suficientes é preciso um fenómeno tipo supernova; mas isso não invalida que nas condições existentes no sol se produzam todos os elementos pesados.

Antigamente havia muita tendência a definir fenómenos impossíveis ou «proibidos»; depois verificou-se que ocorriam e teve de se encontrar nomes como o efeito túnel.

Além disso, a nossa ignorância sobre o interior do Sol é imensa; sabemos muitas coisas mas há muitas mais que ignoramos; nem sequer se faz a mais pequena ideia do que sejam as manchas solares e porque é que se comportam como se comportam... e antes dos satélites medirem a radiação solar os cientistas juravam a pés juntos que a radiação solar era uma constante, a constante solar...

Quanto à próximidade da expulsão, estes fenómenos desenrolam-se em escalas temporais de milhares de anos, portanto o «próximo» é relativo. Mas como a actividade solar tem ciclos, e não me refiro apenas aos de 11 anos, há alturas em que isso se torna mais provável e outras em que se torna menos. Isso permite-nos definir as janelas temporais em que um acontecimento desses seria possível. Para a próxima janela ainda falta quase um século. E ainda deve ser uma ocorrencia de muito baixa probabilidade nessa altura.

A sua imagem está boa: «a Terra está prestes a ganhar uma nova camada de irídio».


De Peter15 a 26 de Agosto de 2009 às 00:13
Ciência e sociedade

A ciência baseia-se em factos, em dados objectivos que podem medir-se e comprovar-se.
A opinião que a sociedade tem dos avanços científicos é, às vezes, altamente influenciada por crenças morais e religiosas e por ideologias políticas. Por isso, em certas ocasiões, surgem conflitos entre ciência e sociedade, normalmente devidas a uma falta de comunicação, acirrados por interesses gregários, confessionais ou partidários, em qualquer caso, estranhos à natureza do debate e ao sentir maioritário da sociedade.

Na medida em que faz parte da sociedade, a ciência trata de resolver os problemas que a afectam, e é importante separar com cuidado os factos objectivos relacionados com um tema científico, dos interesses meramente ideológicos.

Indiscutível é que os avanços científicos dos últimos dois séculos tiveram como consequência um avanço espectacular. Mas o medo tem sempre acompanhado a evolução da humanidade.

Olhando para a Grécia Antiga, o que se desenvolveu foi principalmente a Matemática e a Filosofia, além de alguma Física, (só Física aplicada) desde que não perturbasse muito…

A curiosidade do Homem foi sempre vista com alguma suspeita. Veja-se o que sucedeu a Prometeu:
- vai roubar o fogo dos deuses para dar ao Homem e acaba castigado.
Ou repare-se na história de Dédalo e de Ícaro, pai e filho. Ícaro quis voar mais alto, a cera derreteu-se e ele caiu. O pai voou mais baixo e conseguiu chegar ao outro lado.
Segundo a Bíblia, Adão e Eva são expulsos do Paraíso porque Eva comeu do fruto da sabedoria, quis saber mais.

A metáfora é que podemos querer fazer coisas, mas não devemos ser arrogantes, ir além daquilo que não perturbe os hábitos e crenças adquiridos.
De alf a 26 de Agosto de 2009 às 18:50
Peter, interessante comentário. E já que fala de Adão e Eva, tenho um post que talvez diga algumas coisas que ache interessantes, no «outramargem» de 1 de Agosto de 2008... tem é de passar o cursor por cima dos amarelos para conseguir ler com o actual fundo.

o Medo é a técnica por excelencia para se obter o que se quer dos humanos; os que não querem nenhuma mudança, içam a bandeira do medo nos perigos da descoberta; os outros fazem o contrário.

Acabo de ver um interessante deocumentário no Discovery sobre a diminuição em curso do campo magnético terrestre; tudo bem até à altura em que fazem a comparação com Marte. Segundo o documentário, Marte é um planeta que já teve um clima como o da Terra hoje (o que está certo e é explicado pelo Desvanecimento) mas que se tornou desértico porque perdeu o campo magnético e sem ele o vento solar levou a atmosfera. Portanto, quando a Terra perder o campo magnético, pode acontecer o mesmo.

Ora isto é uma enorme e consciente mentira. Basta olhar para Vénus, que está muito mais próximo do Sol e não tem campo magnético, tendo uma imensa atmosfera; e o campo magnético terrestres já parou e inverteu milhares de vezes.

Este tipo de mentiras serve para justificar os custos de um programa para estudar o campo magnético terreste; doutra forma, as pessoas e os governos perguntariam para quê «gastar» tanto dinheiro?

(as pessoas têm a ideia estúpida de que o dinheiro se «gasta» quando é exactamente ao contrário - quanto mais circula, mais existe)

Já agora: fazem bem em se apressarem a estudar o campo magnético terrestre... talvez venham a descobrir que certas rotas de aviões podem vir a ficar sujeitas a certos perigos em certas alturas da actividade solar...

(entretanto, também compreendo a confusão na cabeça dos cientistas... como explicar que Marte já tenha tido um clima como o da Terra hoje, estando tão distante do Sol? Face a um facto destes, tão contrário ao conhecimento que têm, as hipóteses mais loucas até lhes podem parecer verosímeis)
De Peter15 a 26 de Agosto de 2009 às 22:07
Brilhante, você é o detentor da "verdade única"!

Quero lá saber do Adão e Eva. Não manobre os comentários, refira-se é ao resto do meu texto, nomeadamente:

"Na medida em que faz parte da sociedade, a ciência trata de resolver os problemas que a afectam, e é importante separar com cuidado os factos objectivos relacionados com um tema científico, dos interesses meramente ideológicos."

E, já agora, veja se dá a conhecer ao mundo ansioso essa sua brilhante teoria da evanescênca, porque o seu texto "não ata, nem desata".

De alf a 27 de Agosto de 2009 às 02:47
Peter, eu não manobro comentários, dou a minha opinião, posso até falar fora do contexto se o assunto me entusiasmar, como toda a gente aqui. Nem entendo a que se refere. Limitação minha.

Diz que:

"Na medida em que faz parte da sociedade, a ciência trata de resolver os problemas que a afectam, e é importante separar com cuidado os factos objectivos relacionados com um tema científico, dos interesses meramente ideológicos."

Terá razão, do ponto de vista da «sociedade». Mas a Ciência não é uma invenção da Sociedade nem surge para resolver problemas dela, é uma necessidade das pessoas, a necessidade de compreender.

Eu já discuti este tema com várias pessoas não cientistas e cheguei à conclusão que muitas pessoas simplesmente não conseguem compreender a necessidade que um cientista sente de compreender as coisas do universo. Tal como uma orquestra não existe porque as pessoas queiram ouvir música mas porque há pessoas que querem tocar música, também a ciência não existe porque a sociedade beneficia dela mas porque há pessoas que querem investigar.

Eu vejo da seguinte maneira: um cientista busca compreender os fenómenos da natureza, movido apenas pela sua necessidade de compreender; a sociedade pode beneficiar da capacidade dos cientistas em compreender os fenómenos; mas o cientista depende do financiamento da sociedade; Logo, a sociedade financia os projectos de investigação consoante as vantagens que vê neles para si, e os cientistas procuram convencer a sociedade que aquilo que querem investigar é do interesse da sociedade.

Os factos objectivos e os interesses ideológicos surgem misturados por esta via; e não critico, não sei se poderia ser doutra maneira.

Isto acontece em muitas áreas - música, escrita, pintura, etc. A criação humana surge por desejo do criador mas este depende da sociedade para se financiar, logo existe uma forma de condicionamento entre o que a sociedade quer e o desejo do criador.

Eu, por minha parte, como quis ter a liberdade de investigar o que me apetecesse, tratei de me tornar economicamente independente. Mas isto só serve para trabalhos muito teóricos e com muitas limitações.

Tenho consciência que muita assusta algumas pessoas que se possa investigar sem ser com o acordo e controlo da sociedade; e não faltam filmes de ficção cujo enredo se baseia em maléficos investigadores que descobrem coisas para dominar e destruir e mundo; mas isso é pura ficção.

Quanto à Evanescência, talvez tenha razão, mas o problema é este: se eu tivesse começado por apresentar a teoria resumidamente e numa forma fácil de entender pela «sociedade», passaria por «tonto» por estar a dizer coisas «diferentes»; então, optei por ir apresentando passo a passo.

Mas estou a ver que esta forma tem outro tipo de inconveniente: quem se interessa pela «floresta» não consegue vê-la porque eu ando a apresentar «árvore a árvore».

O que terei a fazer é apresentar agora a teoria num só post, resumida aos aspectos que podem interessar às pessoas fora da ciência; e agora posso fazer isso porque já «plantei» árvores que bastem. Vou concluir o assunto da oscilação solar e depois vou fazer isso.

antes do fim do ano terei um artigo no arXiv ou no viXra com a teoria completa, embora com alguma matemática, mas nada que o curso dos liceus não permita compreender. Quem dizer discutir o assunto, terá aí uma base cientificamente fundamentada.



De Peter15 a 27 de Agosto de 2009 às 07:52
Alf, diz que “nem entendo a que me refiro”, é fácil, refiro-me ao facto de nunca nomear cientistas que têm abordado estes assuntos, ou, quando o faz, fá-lo de modo depreciativo, pois no seu entender, estão todos errados e mentem para sobreviver e manter o “status”.

“a sociedade financia os projectos de investigação consoante as vantagens que vê neles para si, e os cientistas procuram convencer a sociedade que aquilo que querem investigar é do interesse da sociedade”

Nem poderia ser de outro modo, a menos que se seja “economicamente independente”, como parece ser o seu caso.

“Tenho consciência que muito assusta algumas pessoas que se possa investigar sem ser com o acordo e controlo da sociedade”, por isso lhe falei em Ícaro, Adão e Eva, Galileu … mas quando me respondeu, só se referiu a Adão e Eva. Julga que sou algum “beato”?

“Quanto à Evanescência, talvez tenha razão, mas o problema é este: se eu tivesse começado por apresentar a teoria resumidamente e numa forma fácil de entender pela «sociedade», passaria por «tonto» por estar a dizer coisas «diferentes»; então, optei por ir apresentando passo a passo.

Mas estou a ver que esta forma tem outro tipo de inconveniente: quem se interessa pela «floresta» não consegue vê-la porque eu ando a apresentar «árvore a árvore».

Pois é, somos todos estúpidos…

“O que terei a fazer é apresentar agora a teoria num só post, resumida aos aspectos que podem interessar às pessoas fora da ciência; e agora posso fazer isso porque já «plantei» árvores que bastem. Vou concluir o assunto da oscilação solar e depois vou fazer isso.”

Faça, faça, o mundo está ansioso pelas suas palavras.

“antes do fim do ano terei um artigo no arXiv ou no viXra com a teoria completa, embora com alguma matemática, mas nada que o curso dos liceus não permita compreender.”

Não se preocupe, tenho mais que o curso dos liceus. Ficarei à espera.
De alf a 27 de Agosto de 2009 às 12:16
Peter

Diz que "refiro-me ao facto de nunca nomear cientistas que têm abordado estes assuntos, ou, quando o faz, fá-lo de modo depreciativo, pois no seu entender, estão todos errados e mentem para sobreviver e manter o “status”.

Quando nomeio cientistas, nunca é de modo depreciativo - não me lembro de me referir depreciativamente a um Copérnico, Galileu, Newton, Darwin, Poincaré, Lorentz, Einstein, Shrodinger; quando falo de forma critica não nomeio, até porque, na maior parte dos casos, nem saberia quem nomear - é porque as coisas que critico não resultam da acção deste ou daquele mas da ciencia enquanto instituição ou do pensamento «mainstream».

As minhas críticas não representam a minha opinião global, apenas a minha opinião em relação ao aspecto que critico. Não estou a fazer uma apreciação ao trabalho e papel da ciência na sociedade, estou apenas a querer chamar a atenção para certos aspectos e comportamentos que no fim, na minha opinião, vão prejudicar gravemente a imagem da ciência. O que eu estou a dizer é que nas últimas décadas a ciência enveredou por caminhos que lhe permitiram aumentar imenso o financiamento mas que está a abusar do «marketing».

Não fui eu que disse que se Marte não tem o clima da Terra é por ter perdido o campo magnético. Quem o disse foram os cientistas que suportaram o documentário do Discovery sobre o campo magnético, embora a Ciência nunca tal tenha afirmado. O que eu disse está em

http://outramargem-alf.blogspot.com/2007/10/dana-dos-planetas.html

O que é que tem a comentar sobre esse documentário? Nada?

Note que este tipo de comportamento não é exclusivo da ciência, é geral; tenho um post no outramargem em que denuncio uma série inglesa de muito sucesso e passada na RTP1 que se pretende «histórica» mas que afirma enormidades sobre Portugal porque isso é conveniente para dar sucesso à história; acho que pelo menos o canal público nunca deveria passar essa série.

Como diz o Paulo Rangel, a Ética é uma coisa que não tem nada a ver com a vida das pessoas e das instituições. é uma espécie de entretem para filósofos; ou, como diz um brilhante astrónomo do Porto, «os conselhos da avózinha tornaram-se no estigma do insucesso».

Um grupo de estudantes de Harvard quis criar uma carta de ética para gestores mas quase ninguém a subscreveu porque «não se pode ser ético e assumir responsabilidades perante os accionistas».

Mas neste mar de seguidores do Maquiavel, eu defendo uma atitude a Marques Mendes. Posso dar-me a esse luxo, não ambiciono o «sucesso»...


Falei de Adão e Eva porque tinha algo a dizer. Ícaro insere-se noutro tipo de questões que têm mais a ver com as ambições humanas do que com a procura de conhecimento. De resto, o seu comentário era explícito e completo, não carecia de comentários adicionais meus, eu não o comentei, apenas prossegui a conversa.

Quanto ao resto, penso que a minha falta de credibilidade aos seus olhos faz com que a compreensão do que exponho seja obliterada pela reacção afectiva ao que presume ser o meu comportamento ou atitude, que vê como agressiva de coisas relevantes em que acredita. Reconheço que me falta alguma habilidade na maneira como me exprimo.


De candida a 22 de Fevereiro de 2011 às 19:09
estouou-me a c agar para isso.

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